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Política

Julgamento do Mensalão – Os crimes, os réus e as defesas – 10ª parte

STF conclui que houve compra de apoio político no governo Lula.

STF conclui que houve compra de apoio político no governo Lula.

Como sempre, o cartunista Alpino com suas “sacadas” bem boladas e sensacionais. É Alpino, qual será a próxima desculpa de Lula? Acho que ele tem muita coisa a aprender com Paulo Salim Maluf, sobretudo afirmativas como “Quem achar dinheiro em paraísos fiscais que fique com ele”, “Eu não estive aqui”, “Eu não sou eu”, “Eu nunca me vi”, “Eu não existo”, “Sou um pobre trabalhador invisível”. A proximidade entre os dois ainda dará muita inspiração para nós, para você como cartunista e para mim como jornalista e escritor. O Brasil não ganha nada com aquela “amizade forjada”, muito pelo contrário, só perde, além de sentir desagradável cheiro de merda no ar. Ninguém merece! Apenas uma pequena ponta do iceberg se deixa mostrar nos mares dos oportunismos. A ignorância quando endeusada é merecedora de Prêmio Nobel.

É ele, não, é ele. - Charge: Aroeira

É ele, não, é ele. – Charge: Aroeira

Terminando a série do “Parágrafo Único” sobre o Mensalão

Neste “Parágrafo Único”, não defenderei a tese da proteção mútua, ou seja, numa irmandade criminosa comandada pelo ‘pai de família presente’ é comum que uns queiram proteger outros dos crimes cometidos por todos. Mas, há aquele escolhido para morrer. Na família petista, os seus membros criaram um escudo de defesa em torno de Lula, uma espécie de blindagem, um campo de força intransponível, e, nesse caso, observa-se que todos querem proteger só um, o chefe, o patriarca. A máfia política aqui no Brasil é muito poderosa, ainda mais quando aliada às forças ocultas, sobrenaturais e exterminadoras. Estou preocupado com os rumos do meu país. A Suprema Corte não pode fraquejar, dobrar as pernas, render-se perante tais forças negativas; os Ministros não podem capitular, mas alguns já estão capitulando, por razões inconfessáveis. Dúvidas suscitadas quanto à lisura daqueles que fazem a Justiça prevalecer (ou deveriam), são a lógica da análise. Os políticos são velhacos de nascença; os bandidos são honestos porque assumem de peito aberto a condição de profissionais do crime. Para ambos, políticos e bandidos, a Justiça tem rendido homenagens. Assim como a impunidade estimula a prática de delitos, a corrupção sistêmica vira mania nacional sem ser admoestada. Seres criminosos, pessoas ímpias que possuem valores contrários ao senso comum, ofensivos à moral, à ética e à Justiça. No item 06 da peça da denúncia, nesta primeira semana de outubro, está sendo julgado pelos Ministros do STF, o crime de Corrupção Ativa envolvendo 10 réus. Do Núcleo Político: José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino. Do Núcleo Publicitário-operacional: Marcos Valério, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz, Rogério Tolentino, Simone Vasconcelos e Geiza Dias dos Santos. Do Núcleo Político-partidário ligado ao PT: Anderson Adauto, ex-ministro dos Transportes do governo Lula. E por falar em Lula, este ex-metalúrgico de nove dedos fez prosperar a escola da “ingenuidade velhaca”, político que escolheu viver de procedimentos enganadores, traiçoeiros, devassos. Para patifes e tratantes, muita porrada. Para velhaco, velhaco e meio – é desse modo que funciona no mundo político. Lula não se deixa prender facilmente, porém, há quem confesse que é conduzido com facilidade por um “poderoso sistema de dominação” que investe no político Lula pelo seu “capital popular” indispensável para a condução do rebanho rumo ao pasto de interesses. Talvez por isso seja preservado, ou pela necessidade da guarda de uma moeda de troca, já que a prática do escambo nunca existiu na política brasileira; aliás, eu acho que o Brasil nunca existiu de fato. Quem pune os Ministros do STF? Quem nomeou Ricardo Lewandowski como revisor da Ação Penal nº 470, Processo do Mensalão? Suposta coincidência? Lewandowski, na exposição do seu voto com relação ao réu José Dirceu continuou enchendo linguiça para ocupar o maior espaço de tempo possível da sessão desta quinta-feira, 04/10/2012. Desta feita, não haveria tempo suficiente para que todos os demais pares votassem no item 06, o subitem Corrupção Ativa. É bom lembrar que até domingo, 07/10/2012, portanto, dia das Eleições Municipais, não haverá outra sessão no STF, por tese, digo eu, entenda-se que “alguém” deve ter solicitado ao eminente Ministro Lewandowski que assim procedesse – há razões ideológicas para isso. O “Saber Jurídico”, questionável, de Ricardo Lewandowski, a meu ver, está sendo usado para o mal. Enfaticamente, nega que houve compra de votos de parlamentares e sim dinheiro para a formação de Caixa 2; nega que houve Mensalão; nega peremptoriamente que não há prova absoluta; afirma que José Genoino e José Dirceu são arcanjos, simples anjos que ocupam a segunda classe em sua hierarquia celestial religiosa. Demônios, na opinião dele, Lewandowski, são Roberto Jefferson, Marcos Valério e Delúbio Soares. Verdade é que Lewandowski está fazendo direitinho o seu dever de casa passado pela máfia do PT. Ainda que assuma a posição de advogado de defesa do núcleo político do PT, a sua atuação como tal deixa muito a desejar porque tropeçou nas pernas várias vezes e até titubeou quando tentou explicar o inexplicável. O depoimento do corréu (aquele que é réu com outrem), referindo-se a Roberto Jefferson, é desprezível em ações penais; não há juramento de dizer a verdade. Lewandowski desconectou os itens já julgados pelo STF. Lamento profundamente a falta de respeito desse Ministro para com os cidadãos brasileiros. A impunidade tem rosto. Com efeito, digo eu, o povo pode ser leigo, mas não é burro – gado é outra coisa. Gostaria, de coração, que Marcos Valério tivesse assistido à sessão desta quinta-feira, e concluísse que a sua covardia está provocando danos à Pátria, ao Estado Democrático de Direito e à paz pública. Repito, até agora Marcos Valério se comportou como covarde, fraco, medroso, poltrão, pusilânime. As provas indiretas nos delitos associativos formam juízo de valor. O princípio do convencimento racional é inquestionável. A fundamentação das razões decisórias inviolável. A lógica das provas em matéria criminal é a própria lógica. O juízo da culpa do agente decorre de todas essas observâncias. A prova do álibi cabe à defesa. Delúbio Soares seria o Deus da causa e feito? Teria agido sozinho? Engana-me que eu gosto. Eu li num desses portais na Internet: “O dinheiro pode mudar quem você é ou te ajudar a descobrir quem você realmente é”. Excelente o momento para uma reflexão. O “Ter” sobrepujando o “Ser”. O “Poder” pelo “Poder”, mera consequência. Outra máxima: Se quiseres conhecer verdadeiramente o homem, então, dai-lhe poder e dinheiro. De fato, não saberíamos avaliar, com precisão, quais seriam as reações de uma pessoa diante dessa perspectiva. Somos uma incógnita no contexto da vida e das relações humanas. Os indivíduos mudam radicalmente o seu comportamento tanto nas adversidades quanto em situações de grandes favorecimentos. Aferir os resultados talvez não seja tão difícil quanto “antever as imprevisibilidades”. Ainda que se queira demonstrar a Arguição de legitimidade (É a alegação feita em um processo judicial de que alguém ou alguma instituição, pública ou privada, não cumpre algum mandamento constitucional. É um ato improcedente de legitimidade, é ilícito. É um veto, uma denúncia de que algo não esta sendo reto), os fatos contundentes são, por si só. No quesito “Corrupção Ativa”, quatro Ministros já votaram: o relator Joaquim Barbosa, o revisor Ricardo Lewandowski e os Ministros vogais Rosa Weber e Luiz Fux, segundo ordem inversa de antiguidade. Do Núcleo Político, Lewandowski absolveu José Dirceu e José Genoino. Rosa Weber e Luiz Fux acompanharam integralmente o voto de Joaquim Barbosa. Nessa parcial, José Dirceu, acusado de ser o arquiteto e chefe do esquema criminoso de compra de apoio parlamentar aos projetos de governo do ex-presidente Lula, está condenado por 3 votos a 1. “A denúncia bem analisada, como em boa parte dos casos, não individualiza adequadamente as acusações imputadas ao réu e não descreve de forma satisfatória o liame subjetivo que uniria os integrantes da alegada trama criminosa, incluindo José Dirceu, cuja participação nos eventos é deduzida de ilações e simples conjecturas. […] Não descarto a possibilidade de que tenha sido até o mentor desta trama criminosa, mas o fato é que isso não encontra ressonância na prova dos autos. […] Não basta o Ministério Público apontar os crimes, precisa provar, e para mim não provou. Não há nenhuma razão, ao meu ver, para se aplicar a teoria do domínio do fato. Não há porquê. Não estamos numa situação excepcional, não estamos em guerra, não estamos numa situação de convulsão interna”. Disse o Ministro Ricardo Lewandowski. Rosa Weber, por sua vez, cujo voto é tido como “fiel da balança”, disse: “Foi promiscuidade incompatível com a prática sadia de um poder do Estado. […] Ficou evidente que o PT costumava alcançar dinheiro a outros partidos e fazia isso obviamente para obter apoio político no Parlamento. […] Não é possível acreditar que Delúbio sozinho teria comprometido o PT com dívida na ordem de 55 milhões. Para mim, existe prova acima do razoável de que Delúbio não agiu sozinho”. O Ministro Luiz Fux asseverou: “Eu entendo que, na qualidade de líder, Genoino não poderia desconhecer. […] É absolutamente impossível dissociar o apoio político do financeiro. É evidente que esse denunciado, Dirceu, figura como articulador político desse caso penal, até pela sua posição e pela eminência no partido e até mesmo sua posição de destaque no governo”. Em respeito aos companheiros José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, será que Lula se entregará? Será que Lula, depois de tudo isso, ainda diria que não sabia de nada? Quanto à base aliada corrompida pelo acerto político ele diria que foi só um trocado para que os parlamentares comprassem sorvete? Os elementos de convicção quanto ao cometimento continuado de crimes não fariam mudar a opinião de Lula quanto à inexistência do Mensalão? José Dirceu, uma vez condenado por crime de Corrupção Ativa, não sensibilizaria Lula a abrir aquela sua maldita boca e por tudo em pratos limpos? Será que depois do julgamento da AP 470, e, sobretudo, após a decretação das penas aos condenados, Lula fundaria um novo Partido Político a partir do rescaldo do PT? Será que Lula estaria disposto a cortar outro dedo para assim começar tudo de novo? Acho que já terá morrido, e a nossa esperança ressuscitada.

A política brasileira é uma grande pocilga, onde entram os porcos magros, e saem os porcos gordos. Esses mesmos porcos gordos, ainda que sem mandato eletivo, não largam as tetas da nação, porque de uma forma ou de outra são convidados à chafurda pelos porcos que lá permanecem. Nem mesmo o apagão provocado por um curto-circuito em Brasília, nesta quinta-feira, 04/10/2012, conseguiu esconder a cara dos porcos, tampouco prejudicar o andamento do julgamento da AP 470 no Supremo Tribunal Federal, que terá sequência na próxima terça-feira, 09/10/2012. A bandeira do Brasil sangra!

Leitura recomendada (clique em): Livro Polítitica

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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