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Política

Julgamento do Mensalão – Os crimes, os réus e as defesas – 3ª parte

O Dia da Pátria, Dia da Independência do Brasil ou Sete de Setembro, é celebrado no dia 7 de setembro de cada ano, em comemoração à Declaração de Independência do Brasil do Império Português no dia 7 de setembro de 1822. É o 190º ano de comemoração. Fico imaginando como seria a reação do Príncipe Pedro, se vivo fosse hoje, diante das mazelas sofridas pelo seu tão amado Brasil. Talvez demonstrasse profundo arrependimento por ter declarado a sua independência ou provavelmente lhe faltasse voz para bradar “Independência ou Morte”. Um jovem país que ainda não aprendeu a interpretar o significado de “Independência”; pátria amada mãe gentil dos filhos legítimos que não sabem distinguir o gosto da democracia, e de outros tantos filhos bastardos que lhe roubam a esperança e o nome. Deitado eternamente em berço esplêndido e o teu futuro espelha esta grandeza! O impecável Rolls-Royce presidencial, sobrecarregado por levar o peso da coroa, muito provavelmente passou em cima do não menos perfeito lamaçal deixado por Lula, por seu imortal Partido dos Trabalhadores e pelos seus admiráveis sequazes. Não temos absolutamente nada o que comemorar!

Por que será que o Alpino tirou o militar do Rolls-Royce presidencial e trocou o motorista? Quanto ao general do Exército, eu fico calado, por segurança. Quanto ao motorista, arrisco um palpite: eu acho que o motivo foi que o motorista de cima se parece muito com o Hugo Chaves e poderia dar margem para especulações; e já que o povo gosta mais de ver desenhos do que cenas reais, o chargista Alpino deu asas à sua criatividade.

A ordem do dia dada na sexta-feira, 07 de setembro de 2012, partiu do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, GSI, para blindar Dilma Rousseff das manifestações populares e, sobretudo, dos funcionários da Polícia Federal e da Receita Federal que ainda se mantêm em greve. A população patriota foi impedida de se aproximar dos palanques oficiais, onde estavam os servidores do Palácio do Planalto e seus familiares – a ausência dos réus do Mensalão foi sentida pela maioria dos presentes. A blindagem construída em torno de Dilma Rousseff teve por objetivo fazer com que ela assistisse ao desfile do Dia da Pátria “sem protestos”, mesmo sabendo que as manifestações públicas estavam bem perto dali, mas sem serem vistas, ouvidas e sentidas, portanto, as democráticas vaias e as faixas com mensagens sugestivas ficaram confinadas atrás dos sutis e românticos tapumes que foram colocados em toda a extensão da Esplanada dos Ministérios. A presidente dos pobres miseráveis, dos excluídos, dos alagados sem sal e dos dependentes do programa de compra de votos Bolsa Família, não esperou a apresentação da Esquadrilha da Fumaça, atendendo ao toque de recolher dado pelos seguranças as 11h00min, sob a suspeita de que a “Quadrilha Esfumaçante do Mensalão” havia tomado o lugar dos pilotos da FAB. O herói da resistência Agnelo Queiroz, governador do Distrito Federal pelo queimado PT, foi a bola da vez, recebendo uma saraivada de vaias. Encerrado o desfile militar, a “Marcha contra a Corrupção” entrou na passarela do samba com alguns milhares de brincantes (talvez umas 10 mil pessoas). Esta sim foi a maior e melhor festa. Independência ou Morte!

Continuando o parágrafo único sobre o Mensalão…

A Justiça é a ponte onde passam todas as angústias. Constata-se a atribuição de culpabilidade até a pessoas mortas, como no caso do presidente do Banco Rural José Augusto Dumond, morto em acidente de automóvel, apontado pelos réus do núcleo financeiro como o único responsável pelas fraudes, ou seja, pelos empréstimos de fachada ao PT e às empresas de Marcos Valério para abastecer o “Valerioduto”. Deixemos, pois, o espírito de José Augusto Dumond descansar em paz, ainda mais que Márcio Thomaz Bastos, advogado do réu José Roberto Salgado, ex-vice-presidente do Banco Rural, disse que “É um julgamento de bala de prata, feito de uma vez só”. Imagina se o espírito do Zorro, “O Cavaleiro Solitário” resolvesse aparecer na Tribuna do STF reclamando a propriedade da munição. Seria um verdadeiro absurdo o falecido mocinho pisar em terreno mais perigoso do que o Far West americano. De índio Tonto os advogados não têm absolutamente nada, não obstante, Márcio Thomaz Bastos deveria saber que a bala de prata também mata vampiros e algumas foram disparadas na direção do Banco Rural, onde operavam Nosferatu (José Roberto Salgado), Drácula (Vinicius Samarane) e Carmilla (Kátia Rabelo). Ayanna Tenório só teve o sangue chupado e merecerá a transfusão para salvação da alma. Na lua cheia o caixão de José Dirceu terá a tampa aberta e dele sairá o natimorto petista (morto ainda no útero do governo Lula) para explicar as tramoias com o Banco Rural tendo em vista a intenção deste na liquidação do Banco Mercantil de Pernambuco; uma troca justa, R$ 1 bilhão pelo empenho da alma ao Diabo. O julgamento do núcleo financeiro apontará o alto dirigente do Partido dos Trabalhadores, à época, José Dirceu, como o mentor e chefe do esquema do Mensalão, de modo que as suas manobras secretas com propósitos ilícitos não poderão ser salvas pelas trevas. A essa altura o santificado Lula pedirá a Deus, todo poderoso, sol de verão na estação invernal para acabar de queimar de vez o seu ex-companheiro e ex-chefe da Casa Civil. Trocando-se, apenas, o pano de fundo que decora o palco das perdidas ilusões, os jargões são sobejamente repetitivos com renovados endossos de autorias. Contudo, situações burlescas completam o quadro. Sem a anuência de alguém nada do que aconteceu aconteceria. É. Tanto é que a propalada envergadura dos fatos é fruto do cometimento de crimes coletivos com cabeça pensante por detrás das práticas. Há quem dê o pescoço a Nosferatu se for mentira que Lula não só sabia como também autorizou o pecado mortal. Lula teria usado Dirceu? Será que o czar José Dirceu comprou a ideia de poder absoluto por isso salvou Lula de ser acusado no mensalão? Lula, fazendo-se de idiota afastaria qualquer suspeita sobre ele? Qualquer débil mental sabe que a linha de comando sobe para Lula com o simples aprofundamento das análises periciais. Será que o sistema colocou Lula numa cápsula de congelamento para despertá-lo depois do apocalipse político e assim renovar os votos para futuras falcatruas com progressão geométrica? Por verdadeira é dada a tese de que a safra de advogados especializados na defesa de bandidos promete ser grande para um mercado altamente consumidor e disposto a pagar elevadíssimos honorários para a absolvição de criminosos e condenação de inocentes. As bases das argumentações são sempre iguais, as mesmas seguidas pelos eminentes advogados, que tentaram do começo ao fim dar um tom azul celestial às tenebrosas transações realizadas, como reforço teórico, deixaram evidente o esforço em descaracterizar a prática de crimes dos seus representantes. José Genoíno deve estar com medo de perder o atual emprego de assessor do Ministério da Defesa, porque tudo indica que a sua defesa não o salvará, enquanto Marcos Valério já divulgou aos mil ventos que foi usado como “Boi de piranha” no escândalo Mensalão. Para a nossa perplexidade, pessoas diretamente envolvidas no episódio querem subverter o sentido, a ordem natural das coisas. Nem os Ministros do STF escaparam: “Sem querer colocar suspeitas em qualquer um dos eminentes Ministros” – veneno que escorreu literalmente do canto de uma boca maldita que vociferava na Tribuna, com desmedida cólera. De um modo geral os advogados preocuparam-se em pintar os políticos e demais pessoas envolvidas no Mensalão como interessados no bem público, heróis da resistência democrática sonhando com um Brasil melhor e, por sua vez, empresários seríssimos que foram envolvidos em uma trama palaciana que não existiu. Numa atitude de franco canibalismo doméstico, era de se esperar que o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, fosse apontado como o único responsável pelas contas do Partido, portanto, pelas finanças da sigla. A morte misteriosa do seu colega de profissão, PC Farias, em 23 de junho de 1996, deve atormentar a cabeça de Delúbio Soares. O espírito do ex-tesoureiro de Fernando Collor de Mello foi visto rondando a sede do Partido dos Trabalhadores. Continua…

Leitura recomendada (clique em): Livro Polítitica

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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