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Política

Julgamento do Mensalão – Ferramentas de sapateiro

Onde está Wally? Perdão, onde está Sílvio Pereira? Achei, trabalha no restaurante de sua família na cidade de Osasco, em São Paulo, ou deve ter mudado de cenário como o Wally faz com muita frequência para enganar os seus perseguidores. Sílvio José Pereira nasceu no dia 04 de maio de 1961. É do signo de Touro (de 19/04 a 19/05). Segundo mensagens zodiacais, quem nasce sob a regência de Touro mostra uma tendência de ser inflexível e ressentido; peca por ser cobiçoso e de permitir-se tudo, inclusive fazer acordo com os homens de capa preta para se livrar do Processo do Mensalão. As provas obtidas na instrução processual confirmam a sua personalidade.

A gente não perde a feia mania de comparar coisas com coisas, pessoas com outras pessoas e com personagens do mundo criativo. Não sei por que comecei este texto perguntando onde está Wally? Instinto de busca, talvez. Wally é um personagem de vários livros contendo uma série de ilustrações que ocupam páginas inteiras e é dentro delas que o cara se esconde e pede a alguém que o encontre. Traçando um paralelo entre Wally e os políticos brasileiros, dentro de uma perspectiva lógica, chegamos a pontos convergentes em sua criação. Pois bem, Wally sempre se veste com uma camisa listrada em vermelho e branco; os políticos deveriam se vestir com uma camisa listrada nas cores branca e preta como os presidiários. Wally coloca gorro de idênticas cores; os políticos deveriam usar capuz de bandido nas mesmas cores. Wally possui uma bengala e usa óculos; os políticos deveriam usar pé-de-cabra e máscara de assaltante. Wally costuma perder os seus objetos, como livros, sapatos, óculos, equipamentos de camping, etc; os políticos não esquecem o dinheiro roubado, as malas, o manual de procedimentos ilegais, os comparsas, os advogados e os “instrumentos de trabalho”.

Wally fez muito sucesso que gerou uma série animada e uma tira de jornal; os políticos fizeram tanto sucesso que geraram vários processos e uma montanha de papéis. Contam que nos dois primeiros livros Wally vagou sozinho e era a única pessoa que poderia ser encontrada nas ilustrações; dizem por aí que os políticos formam quadrilhas e os seus membros nunca são encontrados, inclusive pela Justiça. Wally tem vários nomes em diversas línguas como em búlgaro (Уоли), em coreano (월리), em inglês americano (Waldo), em alemão (Walter), em francês e italiano (Charlie), em japonês (ウォーリ), em chinês (威利), em dinamarquês (Holger), em norueguês (Willy), em sueco (Valle), em islandês (Valli), em checo (Valik), em húngaro (Vili), em croata (Jura), em estoniano (Volli), em híndi (Hetti), em hebraico (אפי); já os políticos têm um só nome em todo o mundo: Ladrão.

Olha só que coisa interessante, quando o bicho estava pegando pro lado dos mensaleiros, o então Procurador-Geral da República, Antonio Fernando de Souza, considerando os belos olhos do ex-secretário-geral do Partido dos Trabalhadores Sílvio José Pereira, concedeu ao mesmo a suspensão do Processo em troca da prestação de serviços à comunidade (Prestou 750 horas de serviços comunitários durante três anos), deixando-o fora da denúncia apresentada em 2006. O nada bobo Sílvio Pereira aceitou de pronto a benesse divina, livrou-se do Processo e do incômodo de prestar depoimento. Quem foi o padrinho de Sílvio Pereira que intercedeu junto a Antonio Fernando de Souza a seu favor? Foi Deus? Foi o Ali Babá? Será que o Procurador-Geral da República Antonio Fernando de Souza sofreu algum tipo de pressão, por isso nem propôs a delação premiada ao ex-secretário-geral do PT? Seja o que tenha acontecido, o fato é que a máfia do PT tem mais poder do que se imagina. Sílvio Pereira teve o seu nome mencionado na denúncia 50 (cinquenta) vezes, mas isso é pouco face ao número de vezes que disse “muito obrigado” ao companheiro comandante da quadrilha.

Durante o escândalo, Sílvio Pereira saiu pela tangente, solicitando a sua desfiliação do PT; uma vez fora, se afastou da política. Fez acordo com a Justiça e reza aos pés da Virgem todos os dias por mantê-lo vivo até hoje, porque ainda é considerado um arquivo de informações dos mais valiosos. Para lembrar: Logo após a eleição de Lula, no primeiro mandato, organizou uma relação completa dos cargos federais e diretamente negociou sua distribuição entre os membros do PT e dos Partidos Políticos aliados. Como secretário-geral do PT, participou “das negociações” com os Partidos que apoiaram o governo Lula no Congresso Nacional, conforme a denúncia formulada. Sílvio Pereira não tinha cargo específico no governo, mas despachava com regularidade no Planalto, tinha trânsito livre, era uma espécie de ajudante-de-ordens, ou seja, secretário pessoal do Chefe de Estado, ou, assistente direto do Ministro da Casa Civil José Dirceu. Sempre negou a existência do Mensalão. De sã consciência, você acha que ele, Sílvio Pereira, confessaria o crime? Você também não acha que Sílvio Pereira era um “peixe grande” nadando no mar da corrupção e, portanto, jamais deveria furar a rede? Entre o Céu e a Terra…

Em visita à GBD – Galeria Brasileira de Delitos fiquei contemplando um quadro imponente exposto na maior sala da galeria. Era o quadro do famosíssimo Paulo Salim Maluf, sorridente, dentes brancos escovados com Colgate, olhar fixo nas cédulas novas que passavam suavemente na linha de produção da Casa da Moeda do Brasil. Outros quadros de idêntica magnitude também estavam expostos naquela sala a exemplo das obras de Celso Pitta, Jader Barbalho, José Sarney, Juiz Lalau, entre outros. Não os comentarei agora porque os Marchands estão cuidando de uma coletiva com a imprensa. A bela e formosa recepcionista da GBD me deu um folder correspondente à obra de Paulo Maluf, o mais novo amigo íntimo de Lula; no verso, destacada literatura sobre a sua vida brilhante, de modo que reproduzo abaixo o seu inteiro teor para a contemplação dos petistas adoradores de arte:

DENÚNCIAS e PRISÃO. Preso em 2005 pelo Delegado de Policia Federal Protogenes, acusado de intimidar uma testemunha, permaneceu no cárcere sede da Polícia Federal de São Paulo de 10 de setembro a 20 de outubro de 2005 (totalizando 40 dias). Este episódio ocorreu após as graves denúncias de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, corrupção e crime contra o sistema financeiro (evasão fiscal). O STF julgou que a prisão de Paulo Maluf era juridicamente ilegal, pois sua saúde seria frágil para permanecer preso, autorizando assim a sua saída da prisão. [36] Os jornais denunciaram à época que apesar da saúde “frágil”, Maluf no dia seguinte foi encontrado comendo pastéis e tomando chope em Campos do Jordão. [37] Atualmente, Paulo Maluf é deputado federal. O Superior Tribunal de Justiça condenou em 2006 Paulo Maluf a pagar uma multa de R$1,2 milhão pela contratação irregular da TV Globo para cobrir a Maratona de São Paulo. [38] A Justiça brasileira possui uma série de documentos que indicam uma movimentação de US$ 446 milhões em contas em nome de Paulo Maluf no exterior. Tendo, inclusive, seu genro admitido à Justiça que movimentou recursos ilegais nestas contas. [39] No momento, uma única sentença condenatória transitada em julgado, de Direito Civil, pesa sobre Maluf: o político e cinco co-réus foram condenados a restituir ao Estado de São Paulo o montante perdido pelo episódio Paulipetro, em ação popular movida pelo hoje desembargador Walter do Amaral. Em valores de 2008, a parte que cabia a Maluf era de 716 milhões de reais. Embora não caiba mais apelação ou recurso, a execução da dívida – nos termos do processo 00.0245122-0 junto à décima sexta vara federal do Rio de Janeiro, impetrado por Amaral – se encontra sujeita a vários agravos e medidas cautelares, e a própria condenação ainda pode ser esvaziada de efeito em função de uma ação rescisória (AR 4206) junto à primeira turma do STJ, no momento sob a relatoria do ministro Arnaldo Esteves Lima. O valor envolvido é mais de dezoito vezes o patrimônio declarado de Paulo Maluf em 2010, segundo a Transparência Brasil.

JERSEY. Paulo Maluf é acusado pela justiça brasileira de ter uma vultosa conta no paraíso fiscal das ilhas Jersey. [40] Em 10 de junho de 2006 o jornal Folha de S. Paulo revelou que a polícia da ilha de Jersey, paraíso fiscal no canal da Mancha, bloqueou contas com cerca de US$ 200 milhões de Paulo Maluf e seus familiares. [41][42][43]

INTERPOL. Em março de 2010, seu nome foi incluído na difusão vermelha da Interpol, por solicitação dos Estados Unidos. [44] Seu filho, Flávio Maluf, também está na lista de procurados. [45] Por isso, ele pode ser preso em 181 países. [46]. No dia 20 de março, o jornal O Globo divulgou uma nota relatando que Maluf teria sido expulso de seu partido, o Partido Progressista, o que foi desmentido pelo presidente nacional da legenda, Francisco Dornelles. [47]

LISTA DE CORRUPÇÃO INTERNACIONAL DO BANCO MUNDIAL. No dia 15 de Junho de 2012, Paulo Maluf foi um dos quatro brasileiros incluídos pelo Banco Mundial, juntamente com os banqueiros Edemar Cid Ferreira e Daniel Dantas, em uma lista de 150 casos internacionais de corrupção. O Projeto do Banco Mundial em parceria com o ONU, chamado de “The Grand Corruption Cases Database Project”, contém casos em que foram comprovadas movimentações bancárias ilegais de pelo menos 1 milhão de dólares. [48][49]

Como podemos observar, feita detidamente a leitura do folder da obra de Paulo Salim Maluf, a Ação Penal nº 470 – Processo do Mensalão sentir-se-á humilhada, um “casinho” para alunos de Direito usarem em suas teses de faculdade. Se não bastasse essa triste realidade, em 2010 foi eleito Deputado Federal com 500 mil votos, sendo a 4ª maior votação do país. Em 2011 assume como Deputado Federal por São Paulo (PP). Um homem apenas é capaz de provocar mais estragos ao erário do que a organização criminosa que instituiu o Mensalão, nem por isso está preso, muito pelo contrário, está bem ao lado dos seus iguais parceiros criminosos que habitam o Congresso Nacional, e muito provavelmente deve estar prestando-lhes consultoria. A linha do tempo é implacável e o povo míope. Se Sílvio Pereira prestou serviços à comunidade para ficar bem com Deus, qual seria a pena alternativa dada a Paulo Maluf? Talvez possamos sugerir destruir o Monte Everest com ferramentas de sapateiro e depois disso decretar sentença de morte ao “Ladrão Teflon”. Não é o único.

Leitura recomendada: Livro Polítitica

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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