>
Você está lendo...
Política

Julgamento do Mensalão – Data máxima venia

Alguns dos meus 18 leitores não sabem o significado de “Data máxima venia”, portanto, antes de prosseguir nesta matéria, consultei os alfarrábios jurídicos para os devidos esclarecimentos: Data venia (grifado e sem acento), traduzida como “com a devida vênia”, “com o devido respeito”, é uma locução empregada para introduzir uma objeção que vamos fazer ao que nosso interlocutor disse ou escreveu. Seja em Latim, seja em seus equivalentes traduzidos, é uma daquelas fórmulas de cortesia quase obrigatórias quando discordamos de alguém que, pela posição, pelo cargo ou pelo prestígio, está situado acima de nós (um advogado que fala com um juiz, um jovem pesquisador que discorda de um pesquisador de renome, um aluno que discorda de seu professor). Uma forma de enfatizar o pedido é dizer “Data máxima venia”, que seria “Dada a devida licença” ou “Dada a devida permissão”.

Portanto, discordando dos nobres advogados de defesa dos réus citados na Ação Penal nº 470 – Processo do Mensalão, que brilhantemente “venderam” a imagem dos seus clientes como castos (De acordo com as regras da decência, da pureza; puro, inocente) enfatizo o pedido, em especial ao advogado do réu José Dirceu, Dr. José Luis Oliveira Lima, que pediu a sua absolvição por falta de provas: Data máxima venia. Isto posto, formalizo uma pergunta direta: Os senhores advogados leram a manchete desta semana “Documentos expõem ações de José Dirceu na Casa Civil” e seu conteúdo veiculados no site ESTADÃO.COM.BR ? Se não leram, como reforço de discordância das suas sustentações orais na Tribuna do STF, reproduzo abaixo em um só parágrafo para ninguém acrescentar citações que não correspondam à realidade:

Documentos oficiais obtidos pelo Estado – entre correspondências confidenciais, bilhetes manuscritos e ofícios – revelam os bastidores da atuação de José Dirceu no comando da Casa Civil, entre janeiro de 2003 e junho de 2005. Liberados com base na Lei de Acesso à Informação, os papéis enviados e recebidos pelo homem forte do governo Luiz Inácio Lula da Silva explicitam troca de favores entre governo e partidos aliados, intervenções para que empresários fossem recebidos em audiências e controle sobre investigações envolvendo nomes importantes da máquina pública. Dirceu deixou o governo em meio ao escândalo do mensalão, acusado de comandar uma quadrilha disposta a manter o PT no poder via compra de votos no Congresso – ele é um dos 37 réus do julgamento em curso no Supremo Tribunal Federal. Desde a saída do governo, mantém atuação partidária e presta serviços de consultoria a empresas privadas no Brasil e no exterior. Mais de cem ofícios dos primeiros anos do governo Lula agora tornados públicos tratam quase exclusivamente da ocupação dos cargos públicos por partidos aliados. Sob a incumbência de Dirceu, Marcelo Sereno, seu chefe de gabinete e braço direito, despachava indicações de bancadas, nomeações e currículos para os mais variados cargos federais. Os documentos liberados mostram, além disso, pedidos de colegas de partido de Dirceu. Em 11 de fevereiro de 2003, por exemplo, a deputada estadual petista Maria Lúcia Prandi envia mensagem onde diz tomar a liberdade de estabelecer contato no sentido de solicitar audiência para tratar de questões referentes à condução de articulações no sentido de consolidar a relação partidária com as ações governamentais, em especial assuntos relativos à atuação desta parlamentar na Baixada Santista. Os registros mostram ainda que Dirceu mantinha uma rede de informações que ultrapassava os órgãos federais de investigação. O serviço era tocado pela Secretaria de Controle Interno. Vinculado à Casa Civil, comandado à época por José Aparecido Nunes Pires, celebrizado em 2008 por ter sido apontado como um dos autores do dossiê com dados sigilosos sobre os gastos com cartões corporativos no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. As informações são do jornal O Estado de São Paulo.

José Dirceu continua um guerrilheiro covarde, não nega a sua origem, mas é um fiel escudeiro capaz de dar a própria vida pelo seu companheiro comandante, qualidade que levará para o túmulo. Mas este não é o pior dos mundos! No olho do furacão encontram-se personagens dos mais variados credos que teceram uma gigantesca teia de corrupção jamais desvendada. Se quiser corrigir o sistema então entra nele. Se alguém me disser por quanto tempo o honesto resistirá à tentação dos desonestos, então… O companheiro comandante: Luiz Inácio Lula da Silva, uma entidade ungida pela bestialidade – consultando a religião um ser sobrenatural. Há décadas recebe a proteção da mídia porque dá audiência. Lula é benzido pelas igrejas porque arrasta a massa de penitentes. Apoiado pelos movimentos sindicais porque tem a capacidade de arregimentar um exército de fanáticos raivosos dispostos a tudo. A imagem de Lula foi esculpida com lama (mistura heterogênea de terra e água) e jogada ao forno de olaria para curar; colocado no andor para a admiração de seguidores sequazes. Nesta padiola portátil e ornamentada José Dirceu prefere não estar; sua pretensão (como desejo ambicioso) é outra.

Sabendo que no poder a figura de Lula não passava de um títere (boneco que se move por cordéis e engonços, imitando gestos humanos; um bonifrate, fantoche, marionete), José Dirceu no íntimo também sabia que Lula não era palhaço, um bufão por circunstância. Zé Dirceu tinha conhecimento de que em seus poucos momentos de lucidez, Lula demonstrava que não se deixava levar com tanta facilidade assim por quem quer que seja, dando a entender que não agia motivado por ordens de segundos ou inspiração de terceiros. No primeiro ano de governo, em 2003, Zé Dirceu mandou Lula passear bastante no exterior para conhecer novos mundos e fazer turismo com dinheiro público – era uma questão de cultura; o Brasil precisava de líderes com esse perfil. Conforme já disse anteriormente, o ex-torneiro mecânico, intelectualmente limitado, mas deslumbrado com o poder, conferiu a Don José Dirceu todos os poderes para que fizesse o que fosse necessário visando manter o status quo do poder constituído.

Don José Dirceu não teve dificuldade alguma na articulação, no planejamento e na construção das bases políticas que garantiria a Lula a tão desejada “eterna governabilidade”, até porque a seu dispor estavam a máquina governamental, as mais brilhantes mentes a serviço do mal, as chaves dos cofres, a cegueira do povo, a certeza da impunidade, as garantias constitucionais e a conivência do companheiro comandante. Conforme exposição do Ministro relator Joaquim Barbosa, continuando a leitura do seu voto na Tribuna do STF, item 03, seguindo a lógica da denúncia, como fez em 2007, isso fica cada vez mais comprovado. Nesta segunda-feira, 20 de agosto de 2012, acompanhando a sessão da Suprema Corte, me deu uma enorme vontade de colher uvas na Itália. O que mais me dói é que nenhum FDP dentre os agora 37 réus se preste a dar as caras no STF e faça uma confissão pública dos seus atos criminosos e entregue a gangue, um por um, a começar pelos cabeças. Quando o assunto é fazer farra com o dinheiro público não há medo, não há vergonha, não há constrangimento. Filhos da puta.

O Supremo Tribunal Federal retomará o julgamento da Ação Penal nº 470 na próxima quarta-feira, dia 22. Temo pelo longo tempo que se desenha como certo até que se conclua a leitura dos votos para posterior decretação das sentenças, se houver. Até lá muita água terá passado por debaixo da ponte, ou melhor, muita merda já terá sido jogada no ventilador. Eu acho de bom alvitre nós darmos o nosso veredito (Julgamento pronunciado sobre as ações criminosas) aos réus para acabarmos logo com esse sofrimento: 1º – Consideraremos todos os réus pessoas briosas, pundonorosas, de conduta reta, honradas, éticas, educadas, honestas, austeras, íntegras, com moral ilibada, imaculadas, puras, incorruptas. 2º – Na sustentação oral diremos que nem sempre o que é justo é perfeito. Nome e imagem devem ser preservados, de modo que os bens da personalidade são inalienáveis. 3º – Respeito coaduna com moral, e esta com integridade, com o “ser íntegro” – retidão com as leis do país, austeridade com a coisa pública, integridade moral, inteireza de propósitos. 4º – Portanto, vamos recomendar a condenação de uma só pessoa, a do companheiro comandante Luiz Inácio Lula da Silva. Sendo assim, com certeza, ele dedará todos os envolvidos no esquema do Mensalão, valendo-se da delação premiada, porque Lula vem candidato a presidente da República em 2014 – pra começar tudo de novo!

Augusto Avlis

Leitura recomendada: Livro Polítitica

Anúncios

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se a 158 outros seguidores

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: