>
Você está lendo...
Política

Polítitica – 53ª Crônica

O Diabo me espera. A arca de Noé chegou ao seu destino. A relação entre governo e povo está mais para “swing português” do que pra “ménage brasileiro”. Na sacanagem lusitana, o “alfacinha” fica servindo cafezinho e tirando fotografia o tempo todo, enquanto o outro come as duas. Na putaria tropical, se pintar um segundo cara para dividir uma só mulher, com certeza, é veado. E por falar nesse mamífero de porte altivo, a arca de Noé aportou na Ilha da Fantasia. Noé não foi aceito por ser uma figura pura e todos os bichos debandaram, perdão, ficaram os predatórios.

Um grande amigo formado na UV, Universidade da Vida, certa ocasião me falou que “Ideologia popular é tema pra poeta”. “Nos dias de hoje, contra a força imperante, não há pessoas ideológicas que resistam por muito tempo – ou há uma conscientização geral em torno de uma mobilização pacífica e organizada, caso contrário, é melhor ficar em casa chupando laranja”. Completou ele. Na era Collor, vivia-se uma enorme entressafra de laranjas – só havia limão galego no mercado. E por falar em mercado, uma nutricionista rural sugeriu a um grupo de parlamentares vegetarianos que substituísse a alface pela alfafa nas saladas. O grupo acatou a sugestão e propõe colocar a iguaria no cardápio nacional.

A despeito de o governo Lulaéreo reeditar inúmeras vezes o recurso do clientelismo, comprando no mercado político um produto caro chamado sossego, não é o suficiente para saciar a necessidade de paz do presidente. Lula experimentará do próprio veneno e mesmo tendo na mão uma faca de dois legumes, perdão, gumes, não cortará a própria língua e esta continuará sendo o chicote do seu rabo. Os dezenove dedos que sobraram serão preservados, segundo o Dr. Palloci – ou será Palocci, ou será Pallocci? Acho melhor rebatizar este cara, porque dois eles (ll) lembram Collor e dois cês (cc) fazem lembrar cagada em dobro.

Num país como o nosso, o presidente é apenas uma peça decorativa, como o é numa empresa tipicamente familiar. O Brasil não pára por isso – consegue caminhar com ou sem ele. A história já provou ser verdade este conceito. “A propósito, Lula presidente, e nada, é a mesma coisa”. Disse um catador de recicláveis. “Se visse o Lula por aí, não o pegaria”. Completou.

Responder a inquéritos na justiça; condenados em primeira instância; praticantes de toda a sorte de crimes e contravenções; processos rolando nos tribunais; nada disso impede a candidatura de políticos, sejam novos ou velhos. Para se candidatar a cargo eletivo, o candidato não precisa apresentar atestado de bons antecedentes. Ficha suja só enriquece o currículo do político brasileiro. A legislação eleitoral precisa ser reformada para que a porta seja fechada, evitando o acesso dessa escória, caso contrário, a bancada dos processados só tende a aumentar. E, “quem entra honesto” e “fica sujo depois”, também é merecedor de assepsia. Bater na mesma tecla só faz doer a cabeça do dedo, mas, vale como reforço de tese defendida: “A política brasileira é uma grande pocilga, onde entram os porcos magros e saem os porcos gordos”.

Mercadores da desgraça alheia posam para a sociedade como homens honestos e prósperos, aproveitando-se que a opinião pública é manipulada – e burra. A vaca foi pro brejo. É melhor deixá-la lá porque ela pode estar louca. Não podemos errar na voz e nem no tom: “Este é o retrato de um país que ainda não aprendeu a apostar no presente”.

“Os pobres são os juízes da vida democrática de um país”.

Exigências Éticas da Ordem Democrática, n. 72.

“Ó, ó, ó, ô, ô, ô, ah, ah, ah, ó, ó, ó… Degustar satisfações virtuais”. Foi só isso que o sistema reinante ensinou aos pobres. Fui dar uma gargalhada e acabei chamando a atenção de Deus. Como os santos também riam prolongadamente não puderam fazer, absolutamente, nada por mim.

Deus me mandou para o Purgatório na tentativa de purificar a minha alma antes de me admitir no Céu. Os espíritos recepcionistas vendaram os meus olhos, taparam os meus ouvidos e fecharam a minha boca. Quando viram no meu crachá que eu era escritor e jornalista, trataram logo de amarrar as minhas mãos com galhos de oliveira. Provavelmente, Deus não vai me deixar sair de lá; pelo menos até enquanto não mudar o atual governo. O povo permanecerá no seu posto – exatamente como está. Não foi desta vez que o Diabo me levou.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

Trackbacks/Pingbacks

  1. Pingback: Livro Polítitica « Opinião sem Fronteiras - 29/07/2012

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se a 154 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: