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Política

Polítitica – 52ª Crônica

A arca de Noé segue navegando, navegando, navegando… Nesta corrida de touros, bois não castrados caminham sem nada entenderem sobre o sistema hegemônico do capital que tão somente concentra riquezas e dissemina a miséria por toda a parte do planeta. Os “bois castrados” (com ou sem legenda política) permanecem no pasto de engorda – alguns fogem por estratégia. Pasto lembra campo. Campo lembra agricultura. Agricultura lembra plantio. Que a biossegurança de que tanto se fala não interfira negativamente nas pesquisas de organismos geneticamente modificados, sobretudo quando se tratar de novos estômagos que serão transplantados nos políticos brasileiros vegetarianos, que se alimentam à base de “verdinhas”. A arca conseguiu sair do temporal violento. O vento ainda sopra, sopra.

Respeito aos contratos firmados, austeridade e equilíbrio fiscal, resultado da balança comercial, aumento da produção industrial e condições de governabilidade são questões levadas em consideração no “cálculo” do Risco Brasil. As agências avaliadoras estrangeiras – também baseadas na evolução do endividamento dos países – determinam o nível de desconfiança dos investidores internacionais nos mercados emergentes. Portanto, a manipulação do quantitativo de pontos só interessa a quem está do outro lado dos dois oceanos.

O governo avermelhado utilizará todos os meios e recursos de que dispõe para mostrar serviço no campo social. Nos bastidores da política comenta-se que as duas superintendências, SUDENE e SUDAM, extintas por FHC x 2 há dois anos, serão reativadas por Lula no segundo semestre de 2003 – talvez com outros nomes de batismo à moda petista. Na paralela, fala-se também na criação de mecanismos para se evitar fraudes nos dois sistemas, que no governo anterior, segundo este, somaram 4 bilhões (uns dizem de Reais, mas eu acho que a moeda é Dólar). Ora, se falam na criação de mecanismos para coibir desvios de dinheiro público, pressupõe-se a volta das fraudes. Quem espera, em pé, financiamentos de projetos para a criação de empregos diretos e consequente desenvolvimento, que continue esperando sentado – tem banco de sobra.

Que se danem os “artífices dos bens manufaturados” em escala industrial porque seus empregos estão ameaçados pela alta tecnologia da produção, fator que exigirá cada vez mais mão-de-obra especializada, ou seja, alto índice de qualificação por parte do pretendente a emprego. Muitos postos de trabalho serão extintos nesta década. Governo e empresários estão se lixando pra isso. O lucro sempre foi o mais importante. Não estamos nos referindo, tão somente, ao índice de desemprego, pois não, este se agravará no governo do PT (Lula é só a cara dele), certamente. Há um problema de igual gravidade rondando o mercado: agenciadores de “trabalho escravo”, que de olho estão nesta disponibilidade braçal – com ou sem diploma, com ou sem qualificação. Vem aí a febre da terceirização.

Pedalando um “camelo alquebrado” (bicicleta velha), um rapaz aparentando seus vinte e cinco anos se dirigiu à minha pessoa: “Senhor, hoje é segunda ou terça-feira?”.

Antes que ele caísse do camelo, respondi-lhe: “Pelo que me consta é segunda-feira e o dia termina meia-noite”.

Seguindo seu rumo e olhando pra trás, completou: “Estou tão feliz que nem mesmo sei que dia é hoje, porque acabei de ser empregado”.

Descobri o tal rapaz uma semana depois trabalhando, sem carteira assinada, numa borracharia do bairro, cujo dono é safado, além de alcoólatra.

A falta de investimentos em infra-estrutura coloca o desenvolvimento do país numa cápsula de congelamento. Resta-nos comprar agasalho.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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