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Política

Polítitica – 51ª Crônica

A arca de Noé segue navegando, cheia de bichos de estimação e outros não tanto. Parece que a arca entrará numa tormenta! Os bichos estão tentando se proteger da borrasca. Ao contrário, o povo brasileiro não consegue se proteger nem dos políticos que ele próprio elegeu.

Enquanto isso, dentro da concepção futebolística, podemos afirmar com toda segurança que um dos males da política é comparável a um dos males do futebol, ou seja, uso excessivo de adjetivos. No futebol, enquanto a bola rola, comumente se ouve: “Rei do futebol”, “Príncipe dos gramados”, “Monstro sagrado”, “Fabuloso”, “Fenômeno”, “Imperador”, “Perna de pau”, “Mula manca”, “Chupa sangue”, “Canela de cristal”, etc. Já na prática política, os principais atores são conhecidos como “Caras de pau”, “Filhos da puta”, “Traidores da pátria”, “Espertalhões”, “Trambiqueiros”, “Corruptos”, “Improbos”, “Sem-vergonhas”, “Ratos do erário”, “Ladrões da boa fé do povo”, etc.

São alguns dos muitos qualificativos criados e endeusados por correntes tendenciosas, antes, durante e após os campeonatos; antes, durante e após as eleições. É aquela questão do anjo salvador e do demônio atormentador; é aquela coisa do amar e odiar no curto espaço de tempo. Criar ídolos de barro para depois destruí-los, expondo-os à tormenta. Tudo depende do ponto de vista, sem controvérsia. O atleta se ofende quando o adjetivo é depreciativo. O político se vangloria e se fortalece quando a ele são atribuídos conceitos ruins, mera referência pessoal, ponto positivo para o seu currículo. Para o povo, torcedor e eleitor, nada, absolutamente nada, consegue fazê-lo mudar de opinião – não muda de time pelo qual torce e também não deixa de votar no político sabendo que ele é desonesto e possui uma ficha mais suja do que o pior dos bandidos.

Nesta temporada de caça às bruxas, o governo federal está fazendo de conta que acabaram o superfaturamento de obras públicas e a onda de corrupção nas Prefeituras Municipais, sobretudo naquelas administradas por gente do PT. Segundo especialistas em contabilidade desonesta, por ano, cerca de R$ 20 bilhões são desviados nas administrações municipais. À boca pequena, um idiota, ligado ao clã político regional, comentou que ninguém levanta a questão do Programa de Eletrificação Rural, e assegura que prefeitos, bem como secretários, se beneficiaram das verbas do programa para eletrificarem seus sítios e fazendas particulares. O idiota está de vigília e com a língua solta. Ele promete falar mais sobre a construção de estradas; desvio de manguezal para a construção de píer em sítio de ex-secretário de gabinete; uso particular de máquinas da prefeitura, deixando os agricultores sem assistência; empréstimos tomados em bancos estatais e não saldados; enfim, sobre a contratação de serviços inexistentes, mas que foram regiamente pagos com dinheiro público. Vem chumbo grosso por aí. Não, não resta dúvida.

Vem aí um brutal aumento na carga de impostos. Conta uma nova! O governo dirá “dane-se senhor contribuinte”. O importante é atingir o Superávit Primário – o dinheiro que o Brasil se compromete a economizar para garantir o pagamento da dívida externa. Atingir esta meta significa “facilitar” a liberação de dinheiro novo nas negociações com o FMI – Fomento da Miséria Internacional, perdão, Fundo Monetário Internacional. O problema continuará sendo a sangria desenfreada dos cofres públicos com o pagamento dos juros, que serão pagos de uma forma ou de outra. Não é mesmo Dr. Palocci?

Por falar em dívida externa, o Brasil até que poderia dar um susto no “Tio Sam”, anunciando um provável calote. Na questão de dívidas não pagas intencionalmente, o Brasil acumulou um extraordinário Know-how no caso dos precatórios (que são títulos da dívida pública proveniente das decisões judiciais, isto é, uma espécie de indenização gerada por processos que o Estado perde na justiça). Quem tem títulos a resgatar, sobretudo a sociedade civil, sabe perfeitamente que o governo é um grande caloteiro – enrolador também. O que o Brasil paga de juros ao maior agiota internacional daria pra saldar os precatórios federais e ainda sobraria dinheiro para ajudar os Estados da Federação a liquidarem os seus.

Tem um tal de BM (Bunda Mole), perdão, Banco Mundial, no nosso calcanhar. Ele faz parte de um “esquema articulado” para nos governar economicamente. Que os raios o partam. Junto com o FMI forma a dupla “Assaltantes do Império”. Em economia política (puro “economês”) prevalece a máxima para o mercado: “Faça o que o governo recomenda que deva ser feito e não faça, nunca, o que ele deixa de fazer ou que pensou em fazer”.

Aos olhos esbugalhados de algumas comunidades internacionais, a nossa sociedade é ou está se transformando numa farândola, num bando de maltrapilhos. Para outras, não passamos de uma súcia, de um conjunto de pessoas de má fama, de uma malta. Há brasileiros que já assumiram a sua condição de caterva, de velhacos e não se importam absolutamente com a opinião de ninguém – notadamente aqueles que se dizem amigos do guardião das chaves do cofre. O Ali Babá evita mostrar a cara.

Violência: 40 mil assassinatos por ano. Estatística útil para os falastrões da política que fazem da Segurança Pública trampolim eleitoral. A matança continua. Mais uma estatística inútil: 10% mais ricos detêm 42% da riqueza nacional. Os 10% mais pobres dividem 0,9% dela. Agora quem diz “E daí?” sou eu. Todo mundo sabe que o índice de 42% só tende a aumentar, enquanto o índice de 0,9% diminuirá. Provérbio:

“Os bens do rico são a sua cidade forte, a pobreza dos pobres a sua ruína”.

O movimento conhecido como “Grito dos Excluídos” adotará uma nova postura. Os excluídos deixarão de gritar. Eles urrarão como as feras, daqui pra frente. Os pobres continuarão unidos na pobreza, até que a morte os separe. Moral da história: não precisam de ninguém. Para reflexão, uma frase de minha autoria, assim como tantas outras:

“O flagelado brasileiro tem uma capacidade para se recuperar como o rabo de uma lagartixa”.

Segundo informação passada por um espião literário que habita uma editora de minha preferência, caso esta receba os meus escritos para análise e suposta publicação, há risco de serem passados para outros escritores de preferência da editora. O pior disso tudo é que sempre tem cronista político famoso querendo plagiar as minhas “criações culturais”, a exemplo de jornais de grande circulação quando encaminhava artigos enquanto mero colaborador da coluna Cartas dos Leitores – alguns trechos apareciam reescritos em edições futuras e assinados por colunistas contratados. Descobri, com a ajuda daquele espião, que apenas seria trocado o nome da osga (lagartixa-doméstica-tropical) por lagarto (designação comum dos répteis escamados).

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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  1. Pingback: Livro Polítitica « Opinião sem Fronteiras - 29/07/2012

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