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Política

Polítitica – 47ª Crônica

Divulgação com dinheiro público. Este tema é quente! No Orçamento Anual da União, qual dotação é destinada na conta de Publicidade e Propaganda do governo federal? Sugiro a algum parlamentar, ainda não mordido pela mosquinha vermelha, que desenvolva um projeto no sentido de tornar totalmente transparentes os gastos do governo federal com publicidade e propaganda. Que esta redação provisória de lei seja feita antes que um cidadão comum mova uma Ação Popular contra o Estado. Afinal, todos precisamos saber como está sendo aplicado o dinheiro público. Quando eu digo todos, refiro-me àquelas pessoas com, no mínimo, inteligência mediana. Daí pra baixo, ou seja, o resto do povo, pode ser considerado “mecenas”, pela sua habilidade em proteger ou patrocinar políticos artistas.

Fala-se em aumentar a arrecadação e por outro lado não estamos vendo coerência por parte do governo na administração do seu orçamento que, aliás, mais parece um bolo de festa de aniversário onde algumas pessoas querem enfiar a mão antes dos outros. A Lei de Responsabilidade Fiscal também está vigente para a Suprema Corte, até onde sabemos. Na verdade, o que não sabemos quais são os procedimentos adotados para abertura de licitações visando a contratação de “serviços culturais” e se a prerrogativa da unicidade exerce algum tipo de influência nesta questão. Outra dúvida que precisa ser esclarecida é que se um grupo de “Marqueteiros”, perdão, Profissionais da Comunicação Subliminar, pode estar enriquecendo “licitamente” para fazer a publicidade e propaganda do governo, ainda mais quando se tem conhecimento que esses “divulgadores” ganham verdadeiras montanhas de dinheiro para nos informar o que não precisamos saber, para nos induzir a fazer o que não queremos e, sobretudo, para nos manter em completo estado de suspensão do desenvolvimento mental, de entorpecimento, idiotização, imbecilização, hipnotização e robotização. Os idiotas somos nós, de papel passado.

O hidrógrafo não tem culpa. Um cidadão comum veio me dizer que no dia 28 de setembro se comemora o “Dia do Hidrógrafo”. E daí? O hidrógrafo é o profissional que estuda a parte líquida do globo terrestre. E daí? A hidrografia é um importante ramo da geografia. E daí? Só que o cidadão comum me falou que viu na televisão uma propaganda fazendo alusão à comemoração do Dia do Hidrógrafo e, pasmem senhores, assinada pelo governo federal: “Brasil, um país de todos”. E daí? E daí, porra nenhuma! O que isto pode trazer de benefício para o povo? A única parte líquida que ele conhece de cor e salteado é a cachaça. Quanto custou esta mídia? Daqui a pouco outros profissionais (cartógrafos, astrônomos, biólogos, ginecologistas, engenheiros, psiquiatras, etc.) vão reclamar os seus direitos. O que é pior, eu, você, eles, todos nós estamos pagando a conta – inclusive o hidrógrafo. Babaca.

Com vergonha, por e-mail, um hidrógrafo pernambucano, desempregado, enviou uma brilhante ideia para o Planalto Central, ou seja, que antes da apresentação da mídia na televisão seja exibido um quadro com importantes informações tais como: nome da agência de propaganda produtora da mídia; nome da campanha; custo total da mídia (somatório do custo da produção, comissão da agência e custo das inserções em todos os veículos de comunicação). Soube mais tarde que este mesmo hidrógrafo mandaria um segundo e-mail para Brasília pedindo para desconsiderar o teor do primeiro por três razões: primeira, ele descobriu que os políticos têm enorme influência nos Tribunais de Contas da União e como o povo não tem acesso aos balanços contábeis, os custos poderiam ser manipulados com facilidade – segundo ele, há conselheiros dos Tribunais de Contas por todo esse Brasil que não gozam de credibilidade e as regras para a sua escolha são totalmente questionadas, o que dá margem para suspeitar se todos que julgam os exercícios financeiros das instituições públicas têm moral suficiente para isso, ainda mais que existem provas circunstanciais de que o crime organizado está infiltrado em alguns desses Tribunais; segunda, o povo só lê os nomes dos artistas na abertura de novelas e filmes – daí não se interessar por números; terceira, se a sua ideia fosse aceita, o tempo de retenção da imagem na tela (quadro das informações) seria tão demorado quanto o piscar d’olhos. Toma papudo! Puta que o pariu três vezes.

Financiamento público das campanhas eleitorais. Verdadeira “vaca leiteira”. Se acontecer a Reforma Política, com a supervisão do Ali Babá, vão arrumar um jeito de “oficializar” o financiamento das campanhas político-partidárias com o nosso dinheiro, criando uma bela conta no orçamento federal que cubra 100% do seu custeio, ainda que os partidos políticos, hoje, se beneficiam da “ajuda federal” proveniente de fundo específico (partidário). É bom lembrar que se o referido projeto for aprovado (e tudo caminha pra isso), o modelo proposto não garantirá oportunidades iguais a todos os candidatos que disputarão as eleições. Cada candidato terá o seu valor agregado, anexo, adjunto – e saberá “negociar” o seu preço quando chegar a hora. Sempre existiram interesses nebulosos nos poderes públicos, camuflados na sombra da diplomacia, e que fazem movimentar as famosas “doações”, tanto por parte de pessoas físicas, quanto jurídicas. Se formos pensar bem, se a atividade privada quer gastar dinheiro com campanhas políticas é problema dela; desde que dinheiro limpo – também não pode propor qualquer tipo de benefício, como “parcela dedutível” do Imposto de Renda por investimento em cultura, por exemplo. O problema é outro, na medida em que até hoje não foi encontrada uma fórmula para coibir o festival orgíaco que os políticos fazem com o dinheiro público. Acabando esses bacanais financeiros, acabarão os financiamentos estranhos, até porque ninguém é suficientemente maluco para gastar dinheiro quando lucro, proveito e vantagem forem duvidosos. Devemos acreditar?

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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