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Política

Polítitica – 46ª Crônica

Se pecar, esta minha décima sexta transgressão voluntária de lei religiosa não me tornará um pecaminoso por pecha, imperfeição ou vício, mas por tendência inata, por impulso natural, quase irrefletido. Sem duvidar da ira divina ou desviar do seu castigo, tomarei os devidos cuidados para não ofender os santos com uma carga muito pesada de faltas, erros, defeitos e pecados capitais. Talvez pecando “aos pouquinhos” os espíritos nem percebam. Sou imperfeito como a maioria dos mortais, de modo que não conseguirei ficar quieto ou calado diante das pérolas políticas que caem no meu colo diariamente sem qualquer aviso prévio. O governo faz a sua parte em produzi-las e eu cumpro a minha em criticá-las com boa dose de humor – só rindo para a dor não ser tão sentida.

Olha o Lula indo. Pelo total de decolagens já feitas é fácil prever que Lula será o presidente brasileiro com o maior número de horas de vôo de toda a história política do país, dando inveja até ao mais experiente comandante da VARIG. Porém, isto tem um objetivo estratégico: longe do cenário de Brasília, Lula não corre o risco de fazer merda, perdão, besteira (de falar também), pelo fato de não saber governar sem os fluidos – emanação espiritual – do Padre Cícero. Ao menos não se exige dele tanta competência para o cumprimento de uma agenda de passeios internacionais – os intérpretes já estão com as malas prontas. Enquanto isso, seus dois czares, José Dirceu e Palocci, tocarão o barco, com ou sem fluido. O vice, José Alencar, continuará vice e de boca fechada, enquanto o assunto não for taxa de juros.

Por outro lado, tem assessor palaciano recomendando que, nas suas próximas viagens internacionais, Lula assuma o digno papel de “Dama de companhia” dos seus ministros e não o lugar deles. Não emplacou querer dar uma de “Caixeiro-viajante”, até porque tal função é prerrogativa dos seus ministros e pressupõe-se que estejam preparados para isso – bem pagos sabemos que são; tanto oficial como oficiosamente. E por falar em “Dama de companhia”, o que é que a Primeira dama (esposa de chefe de Estado e não jogo de tabuleiro) está fazendo no governo? Como está o cultivo da horta deixada pela mulher de FHC x 2? Os parlamentares estão enjoados de alfafa, perdão, de alface.

Olha o Lula vindo. A maioria dos brasileiros terá que se contentar em manter contato com o ex-metalúrgico mais famoso do Brasil através de fotos ou por meio das suas engraçadas aparições na TV. Quando Lula começar a sentir o gostinho das mordomias provenientes das viagens internacionais – sem levar em conta a normal tranquilidade por estar afastado dos problemas do cargo e da corte –, aquela sua ideia de transferir o seu gabinete para os Estados nordestinos, sobretudo os mais pobres, ficará só na imaginação. Os bodes agradecem.

Lá vem o “Joãozinho” de novo. Em tempo algum podemos permitir que o “Joãozinho” encoste-se ao Palocci, por dois motivos: primeiro, o Ministro da Fazenda continuará traçando paralelos entre as drásticas medidas tomadas na economia, sobretudo para combater a inflação, e as prescrições médicas para um paciente terminal; segundo, a Reforma Tributária sairá da geladeira do necrotério de Brasília diretamente para a devida autópsia. Alguns órgãos daquele corpo serão extirpados para detida análise laboratorial em empresas laranjas, perdão, multinacionais ligadas aos setores matadouro e frigorífico.

No primeiro caso, o “Joãozinho”, considerando-se algebrista, sugerirá ao Palocci que o paciente morrerá por insuficiência de saldo bancário. Já no segundo caso, o “Joãozinho” deixou claro que se limitará a ficar calado porque, segundo ele, não participa de autópsia de corpos fragmentados e, no seu lugar, indicou o acadêmico Banco Central que terá a sua autonomia decretada por legislação específica antes mesmo da conclusão do seu período de residência e, neste caso, pode fazer o que quiser e o que bem entender com qualquer corpo – morto ou vivo; desde que não exale mau cheiro.

O doutor Palocci está fugindo do “Joãozinho” como o diabo foge da cruz. O “Joãozinho” se apresentou ao Ministro da Fazenda como médico-legista do Hospital Central de Brasília – HCB –, prometendo fazer uma necrópsia no cadáver “Crescimento do País”. “Tenho uma lista de outros defuntos eméritos e, como legisperito, continuarei o trabalho, independente da vontade dos seus parentes”. Afirmou o Joãozinho, com um bisturi na mão, pronto para o escalpelo.

Sentemos no banco de espera. O povo deverá ser convidado pelos institutos de pesquisas a opinar sobre as Reformas propostas pelo governo. Como em toda a pesquisa, pessoas revelar-se-ão contra, outras a favor e um grupo nem contra, nem a favor e muito menos pelo contrário. As opiniões serão dadas, mesmo que as pessoas nunca tenham lido o conteúdo das matérias ou buscado o seu entendimento (do que se trata de fato); jamais compreendam os reflexos causados pelas novas regras nas gerações emergentes e avaliem o impacto na economia e na estrutura político-administrativa do país. Será que o povo sabe o que é geopolítica? Nada tem importância… “De um povo heroico o brado retumbante”. O povo continuará, como sempre, sentado no banco de espera.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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