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Política

Polítitica – 45ª Crônica

Tenho dito que “onde há fumaça, há fogo”. Nasce, discretamente, uma corrente nos partidos de oposição ao governo PT e que já vem fazendo um prognóstico sombrio do futuro político. Enquanto a máquina mortífera de propaganda do Duda Mendonça mantém o povo sob o efeito de entorpecentes virtuais, o partidão TP (Tô Perdido), perdão, PT, faz emergir da sua ancestral cartilha alguns conceitos ultrapassados, também subliminares, de estatização. A “Direita Direitista” – realmente se formar um conjunto ou coalizão de grupos empenhados na defesa ou instituição de uma ordem social baseada em princípios de hierarquia, tradição e conservação – precisa mostrar mais a sua cara. Os mais centrados, na paralela, também precisam descer de cima do muro e, como sabemos, lá estão por conveniência. Só não sei se vai ter espaço e tempo pra isso. Tem PitBull esperando embaixo.

Por outro lado, entendemos que não é a elite deste país que tem que se encantar – ou se deixar – por um balanço que muitos concordam ser positivo neste primeiro bimestre de governo PT. O que a maioria esperava é que os pressupostos julgamentos, ou pré-julgamentos, ficassem à mercê do povo, daquela massa de 52,8 milhões de eleitores, fiéis ao candidato Luiz Inácio Lula da Silva, até então um cidadão comum, metalúrgico desempregado e o mais bem pago executivo-militante de um partido de esquerda, naquela altura já sem muitas convicções.

Mas, para nossa infelicidade, e ao mesmo tempo, felicidade dos famosos Profissionais da Comunicação Subliminar, mais do que conhecidos no mundo da “informação dirigida” como Publicitários e também Marqueteiros, o povo ainda não tem a sensibilidade social, tampouco preparo cultural e a maturidade política para externar qualquer tipo de opinião a respeito do assunto. À luz desse processo de catarse, o povo bate palmas para as campanhas publicitárias – não sei, sinceramente, se do PT falando no Lula ou se do governo federal falando no PT – exibidas nos horários nobres das televisões. A primeira delas tem como tema principal “PT sempre lutando, mas só por você”. Lembram quando comentei sobre as crianças e a eventual guerra dos EUA contra o Iraque? Já o tema base da segunda propaganda, que mais parece uma aula de construção civil para pedreiros do nordeste e para empreiteiros principiantes, relaciona a reforma de uma casa velha à reconstrução do Brasil, passo a passo, parede por parede.

O povo quer saber, ou melhor, eu, quem está por trás disso (Duda Mendonça jurou de joelhos que ele não é), quem está pagando os custos de produção das aludidas campanhas e o elevado custo das inserções em horários nobres que, segundo fontes ligadas ao setor, dava pra bancar a campanha de reeleição de 2006. É bom deixar claro que me refiro aos “custos invisíveis” e qualquer leigo sabe que, por lei, existem horários gratuitos na mídia disponíveis para os partidos políticos exibirem suas “propagandas partidárias obrigatórias”.

Eu nem vou falar – já falando – das várias propagandas das forças armadas, também exibidas nos horários mais caros, convocando os jovens brasileiros para o alistamento militar. Este é um exemplo do mau uso do dinheiro público, ou melhor, do nosso dinheiro, porque somente as agências de propaganda e veículos de comunicação terão retorno assegurado. Os jovens, nossos filhos, chegam nas seções mobilizadoras dos quartéis e, na sua esmagadora maioria, são dispensados do serviço militar, dantes tido como obrigatório frustrando o seu sonho de patriotismo. O muito que conseguem é um minúsculo Certificado de Dispensa de Incorporação oriundo do Ministério da Defesa. Não há recursos para o reaparelhamento das forças armadas, não há dinheiro para comprar comida e uniforme para os soldados – os que se encontram na ativa têm que sair antes do tempo previsto – mas, há dinheiro pra pagar as campanhas publicitárias, não se sabe de quem são contratadas e a que preço. Já cantei esta pedra em matérias anteriores. Mas, cantemos o Hino Nacional.

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heroico o brado retumbante,

E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,

Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Pois bem, à elite deste país – não é só aquela que detém os bens de capital, mas, sobretudo, a elite cultural – cabe cobrar do governo federal o respeito aos ritos democráticos, maior responsabilidade administrativa, sobretudo na gestão da coisa pública, e a certificação do seu perfil ético. O povo brasileiro merece descansar dos sucessivos espetáculos circenses, aos quais teve o imenso prazer em assistir. O respeitável público já decretou que o “Big Brother Brasil” perdeu para Brasília a sua condição de “Reality Show”. Tenho a plena consciência de que pequei pela décima quinta vez. Sou um réu confesso. Dou a mão à palmatória. Agora, após ter cumprido penitência, também cumpro o que prometi antes: não penso, não ouço, não falo e não escrevo mais assuntos de política ou coisas a ela relacionadas. Mereço paz – ainda que não eterna. Jornais, só os internacionais e em hebraico. Coqueiral de Itaparica e a Ilha das Garças (o IBAMA proibiu o desembarque nela, autorizado somente para as garças) me esperam mui ansiosamente.

Se alguém me perguntar onde estou, eu respondo: algures. Se alguém me indagar em que parte, eu respondo: nenhures. Se alguém me questionar se eu tenho vontade de me esconder, eu digo: alhures. Vocês já viram que estou pra pouca conversa. O trem das onze já vai sair. Até março; se me deixarem voltar. Pensando de modo bom, acho que “me darei um tempo maior” e retorne somente em setembro, junto com a primavera. Infelizmente, as garças não poderão me acompanhar. A minha patroa quer ficar em casa – deixa ela.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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