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Política

Polítitica – 44ª Crônica

Estancar a hemorragia sem fazer transfusão com o sangue do povo, passa a ser, de fato, o primeiro grande desafio deste “goverrrno” – isto pega! O segundo, é fazer com que seus membros cheguem a um consenso, quando o Planalto sinalizar, mesmo que para isso tenham que contrariar interesses pessoais em prol da nação.

O funcionário público nº 1, se bem assessorado, não precisa mais do que seguir regras e fórmulas simples e, na sua biblioteca (do Palácio), existem manuais com breves orientações de consulta. Em caso de dúvidas, o espírito de Castelo Branco estará lá, disponível a qualquer hora do dia ou da noite. Se bem que Castelo Branco dava preferência aos expedientes tradicionais e não era muito chegado a horas extras. Coisa de “milico”.

Será o sétimo dia – Deus descansa. Em nada adianta Lula ficar raivoso com determinados fatos, como o das Agências Reguladoras, que foram criadas com a finalidade de fiscalizar o bom funcionamento do mercado e não para fazer planejamentos estratégicos e, muito menos, para determinar preços em toda a cadeia. As Agências Reguladoras ANEEL (energia), ANATEL (telefonia), ANP (petróleo), ANAC (aviação) e ANS (saúde) foram criadas com a missão de proteger os consumidores e policiar as empresas prestadoras de serviço em cada setor de atividade específica, mas, infelizmente, desviaram-se da meta principal. O IDEC – Instituto de Defesa do Consumidor deve ficar de olhos bem abertos e resolver fiscalizar as Agências Reguladoras. Isso é o mínimo que os brasileiros esperam.

Para se ter uma ideia, hoje, quem fixa os preços dos combustíveis é a ANP – Agência Nacional de Petróleo, à revelia do Ministério de Minas e Energia e da própria Petrobrás, por exemplo. As outras agências fazem a mesma coisa. A esta altura do campeonato, querer mudar a legislação vigente sobre as Agências Reguladoras, parece-me, a princípio, uma missão talvez não impossível, mas, de certo, não prioritária, vez que o Congresso Nacional tem coisas mais importantes a fazer neste momento, como agendar os trinta pedidos de abertura de CPIs. A CPI do Grampo Baiano é a última da fila e só com uma forte chuva de “grampeadores” será levada a sério. Lula, se inteligente for – os seus asseclas, quer dizer, assessores, já provaram que não são –, não deve incomodar os parlamentares com mais uma preocupação infundada como o aumento do preço do gás de cozinha, da gasolina, do álcool, derivados, etc. Os congressistas não foram colocados onde estão, pelo povo, ou simplesmente eleitos para isso, pois não. Até porque, para os congressistas, é sempre sétimo dia, por isso, arrancam Deus da cama, sem constrangimentos – é por isso que Deus não dorme.

É sabido que Lula tem um passado de prevaricações, perdão, privações; sua origem vem da pobreza. E, como ele, milhões de brasileiros. Não é o único, portanto. Como tal, Lula deve esfriar a sua cabeça e demais órgãos numa geladeira de pobre: “uma bala de hortelã na boca e um copo d’água, de preferência da torneira, por cima”. Não existe sensação de frescor maior do que essa. Toda vez que os pobres, forçados, têm que engolir um “pacote quente” originário da área econômica, fazem uso desta prática. Já estão acostumados.

E, por falar em pacote quente, a economia passa a ser a grande vilã do governo desde que entre numa linha de instabilidade e sem rumos definidos, sem norte. Por conceito, Economia é a ciência das leis que regulam a produção, a distribuição e o consumo dos bens materiais. Porém, não passa de conceito. E, por conceito também, o Economista não é um mero bacharel em ciências econômicas, é um especialista em questões de economia política e social, ou deveria ser, a rigor. De viés, não se esforça para empregar o dinheiro público de forma moderada e proveitosamente, quando do poder público faz parte. Basta dar uma olhadela além dos jardins do Palácio. Na atual conjuntura econômica de Brasília, e isto não é conjetura, o Economista recebe, por mérito, o seguinte conceito, já homologado na ordem:     

“É um ser esquivo, dotado de relativa vidência transcendental, não ortodoxo, que encontra nas derivadas explicações e soluções para cenários inexistentes, utilizando-se de uma linguagem lôbrega, indecifrável e inservível, quando quer expô-las no limiar do seu livre-arbítrio”.

No meio de tantos tecnocratas, Lula está totalmente perdido, sobretudo porque se meteu num sistema político e social em que predomina a influência dos técnicos, e, como não sabe qual a porca a apertar, só lhe resta balançar a cabeça como uma “Vaca de presépio”. Governar o país não é o mesmo que fazer parte de um partido político como o PT. Ao balançar a cabeça, espero que não embaralhe os seus pensamentos, porque não pode perder as suas faculdades lógicas. Todos queremos Lula com justeza do raciocínio para que entenda que privilegiar a produção, ao invés do capital especulativo, só dependerá da estabilidade econômica e, sobretudo, da garantia dos mercados de consumo, a partir do interno.

Queremos que Lula compreenda que incentivar as exportações, como mola propulsora do crescimento sustentável e melhoria constante da balança comercial, sem a quebra de barreiras protecionistas internacionais, torna esta meta um sonho de fadas. Queremos que Lula pense um pouco mais sobre a ideia de privilegiar os pobres em relação aos ricos – não quer dizer em detrimento destes –, só será possível quando acabarmos com as injustiças sociais, com a perversa distribuição de renda, com a falta de educação e cultura. Simplesmente, seres humanos vivendo com equidade. Só Deus sabe quando – bota quando nisso.

Por fim, Lula deve abrir os olhos e procurar enxergar que sem o estímulo à poupança interna, qualquer meta social fica mais distante e difícil de ser alcançada, ainda mais que tudo caminha para a concentração recrudescente das riquezas. Achar também que os abastados permanecerão a vida toda fazendo dádivas por piedade aos mais necessitados é infantilidade; melhor, é demonstração de inocência – os ricos permanecerão ricos e os pobres tornar-se-ão cada vez mais pobres. Essa é a regra do jogo neste país herdado de Cabral.

Independente das crises ideológicas, o Brasil ainda é um eldorado. Não sei se o atual sistema político ou os modelos de governar tendem a sobreviver em função das muitas transformações porque passa o mundo. Regime absolutista, jamais, com certeza. Porém, não saberia dizer o que seria pior, no andar da carruagem. Até os cavalos estão preocupados.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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