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Política

Polítitica – 43ª Crônica

Lulali, Lulacolá (faltavam estas duas aglutinações na crônica anterior) não deve se deixar alcunhar de “Joãozinho”. O “Joãozinho” pode perfeitamente ser comparado ao papagaio de pirata. O papagaio de pirata só repete o que ouve, tentando imitar a voz humana; trepa nas costas do seu condutor e observa o seu “enriquecimento lícito” às custas de extorsões autorizadas pelo rei. O papagaio é também conhecido como louro e por outros nomes de origem indígena; é uma das muitas aves pertencentes à ordem dos Psitaciformes, família Psittacidae, principalmente do gênero Amazona. Vive cerca de 100 anos e mantém fidelidade por toda a vida. Já o “Joãozinho” não vive tanto, é infiel e só tem outro nome pelo qual é constantemente chamado: Filho da Puta.

O papagaio, por origem, não é uma ave de rapina, porém, é potencial testemunha dos atos do pirata e perigoso dedo-duro – não se compromete com nada, por isso tem vida longa. O segundo escalão da política brasileira está cheio de Psitaciformes. O “Joãozinho” procura dar outras interpretações a tudo aquilo que os seus ouvidos caninos possam captar. Ele não costuma trepar, no sentido literal e por educação, nas costas de ninguém, para não ser facilmente localizado. O “Joãozinho”, com a astúcia de uma raposa, infiltra-se no meio de pessoas dos mais variados credos e hábitos, ouve e “grava” o que lhe interessa e, em seguida, intromete-se numa roda de leigos e “vomita”, com desmedida eloquência, o que ouviu e é considerado, por eles, os alheios ignorantes, o rei da cocada preta. Geralmente o “Joãozinho” morre duro – não rijo, mas sem dinheiro – porque não é chegado à famosa contribuição forçada. Ele se contenta com falsos elogios. É uma questão de ego. Estes são os principais pontos, as mais importantes qualificações que o diferenciam daquela ave trepadora de penas vistosas.

Vem muito chumbo grosso por aí. Desta feita, para que Lula não fique na linha de fogo e receba uma chumbada de críticas pelas costas, precisa tomar uma radical atitude. É hora de dar um basta, de colocar um ponto final nos desencontros e tropeços habituais verificados nos discursos do seu ministério, de rever todo o processo de comunicação para que o povo não dê uma de “Joãozinho” e interprete tudo o que ouve como sendo uma “conspiração tramada”. Continuo perguntando onde estão o Luiz Gushiken, da Secretaria de Comunicação, e o Ricardo Kotscho, da Imprensa e Divulgação, ambos os ministros, do PT? Naturalmente, eles devem estar saboreando algum prato japonês. Eles me confessaram, depois da posse, que também gostam de fígado de brasileiro, perdão, à moda brasileira. O presidente Lula (já falei pro meu computador que não é “a presidente Lula”, porque o nosso Lula não é nenhum tipo de molusco comestível, mas ele insiste em me corrigir) tem muitas respostas a dar. Lógico, esta não é uma inquirição policial ou judicial do tipo mais usual: Quem? Fez o quê? A quem? Quando? Como? Onde? Por que? Não sou delegado, nem juiz – nem tampouco molusco.

Entrementes, hoje, ficamos nos questionando para que foi criado o CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social –, com um total de 82 conselheiros, indicados um a um pelo presidente Lula, que representa a sociedade e que sabemos que corre o risco, real, de ser desfeito tão logo o Poder Executivo consiga a “maioria negociada” no Congresso Nacional. Não, o CDES não foi criado apenas pelo governo federal para buscar um pacto ou uma coalizão, em torno das reformas anunciadas, entre os diversos setores da sociedade. É oportuno que se diga que este Conselho nasceu com a única missão de “pressionar”, nos bons e maus sentidos, os congressistas a favor das reformas; seria uma espécie de “clamor popular” dentro daquela Casa de Leis. É, de fato, uma catapulta para o governo lançar os seus projetos, sobretudo os programas sociais, dentro do Congresso de uma forma mais azeitada, amanteigada e vaselinada. Haja lubrificante, ou melhor, fluxo de caixa. Mas, nem tudo são flores e nem em todo mundo se pode confiar. Será? Temas polêmicos, como as Reformas da Previdência e Tributária, entraram em discussão e votação (suas linhas mestras) no CDES e alguns dos seus integrantes não quiseram responder, outros ficaram indefinidos – votos em branco e nulos surgiram. Vai ter gente com vergonha de mostrar a cara. Outras pessoas vão preferir ficar no banheiro.

Entretanto, ficamos também nos questionando sobre quem manipula os índices do “Risco Brasil”, que já chegou a 2.400 pontos há bem pouco tempo. E daí? O que, de fato, isto interessa para o povo? Este índice exerce importante influência sobre os investidores estrangeiros. Então, vamos perguntar pra eles por quanto estão subornando, perdão, pagando – contra a apresentação de recibo falso – aos manipuladores desses índices. O destino econômico-financeiro do Brasil não pode ficar nas mãos de ½ dúzia de pilhadores internacionais, assim como do Ali Babá Tupiniquim e dos seus 40 ladrões que agem a céu aberto aqui dentro do país e que não dão a mínima para esse tal de “Risco Brasil”. O próprio Lula já falou por várias vezes, de maneira categórica, referindo-se ao Poder Legislativo da União como um covil que abriga 300 picaretas. No entanto, o meu anjo-da-guarda (prefiro com hífens para juntar as forças) – ente espiritual, intermediário entre Deus e a minha pessoa – trouxe-me uma mensagem divina: “Não ouses mencionar nenhum dos 513 inocentes que compõem a Câmara dos Deputados e nenhum dos 81 Senadores do Senado Federal”. Na verdade, o verdadeiro “Risco Brasil” começa aí e termina no Planalto Central. Os papagaios estão procurando outros ninhos.

Mas, toda essa situação me faz recordar, e muito, do ciclo dos boatos mercadológicos (mais tarde eu conto um pouco da minha experiência adquirida ao longo de 30 anos como executivo de Marketing): “Olha, o preço do açúcar vai aumentar! E corre todo mundo aos supermercados para comprá-lo, visando tirar proveito da oportunidade. O açúcar some das prateleiras e o seu preço sobe de fato”. Qualquer semelhança que esta tese venha a ter com a manipulação dos índices (pontos) do “Risco Brasil” é, pura e simplesmente, coincidência.   Quem entende da lei da “Oferta e Procura” sabe justamente o que estou dizendo. Prometo explicar o fenômeno da “Demanda Reprimida” mais adiante. Quando o assunto for “Gases Presos”, os políticos de Brasília, certamente, convidarão os pobres para proferirem palestra – na decisão unânime em convidá-los, eles levaram em conta a experiência daqueles coitados em ventosidade estomacal, intestinal e Know-how em flatulência. Ficam valendo os arrotos como amostra gratis.

Nesse meio-tempo, o rombo da Previdência do setor público foi calculado em R$ 41 bilhões para este ano. Os matemáticos do governo (o Palocci é o maior deles), formados em doutorado pela Academia Brasiliense “QTM” (Que é Teu é Meu), estão prestes a concluir que o setor privado não pode arcar com esse ânus, perdão, ônus. Foi só uma questão de letra, todavia, não muda o tamanho do buraco. Esses mestres das calculadoras, antes tarde do que mais tarde, também concluíram que o setor privado não é o culpado pelo problema, mas pode contribuir para a sua solução, em parte. Aí, fica cedo demais para achar isso. O sistema nasceu bom – como toda criança favelada nasce –, foi diversas vezes aperfeiçoado, serviu de caixa-financiador de projetos pessoais e malversações outras e agora está a ponto de decretar falência. Porém, dinheiro não falta; ele só está mal distribuído – poucos com muito e muitos com pouco. A causa, só existe uma: má administração. Os motivos, se procurarmos bem, passam dos mil. Em tempo: o setor privado pode ser substituído por “setor latrina”.

Enquanto isso, sucedem-se os rombos fiscais, que hoje totalizam R$ 186 bilhões de impostos devidos e não pagos. Não há quem possa frear esta bola de neve. A sonegação fiscal nesse país já enriqueceu dezenas de gerações e seus descendentes posam para a sociedade como homens honestamente prósperos. Não há indícios de acabar tão cedo, até porque, enquanto houver paraísos fiscais espalhados pelo mundo todo e cúmplices nos poderes públicos encobertando as fraudes em troco de um percentual nos roubos e afins, os rombos fiscais serão, reconhecidamente, vitalícios. Corruptos e corruptores num completo banquete tributário. Na mesa, o dinheiro surrupiado do IPI, do ICMS e de outros impostos, sejam federais, estaduais ou municipais, alimenta a sordidez daqueles não menos sujos, imundos, nojentos, vis, torpes, avarentos e canalhas que não dão a mínima importância para a produção da desgraça alheia, da miséria e do sofrimento que deixam atrás de si e para o povo. Este crime, premeditado, deveria ser punido com, no mínimo, prisão perpétua. Muitos dos que julgam estes crimes – convidados de honra para o banquete – não têm interesse em outro veredicto, que não seja a absolvição. Querem só um pedaço do pão.

Na calada da noite – e no clarão do dia –, os bancos, sobretudo os privados, estão acumulando imensas fortunas e agem indiferentemente aos problemas macro-sociais por que passa a grande maioria do povo brasileiro; correntista por imposição do sistema. Estas instituições, exclusivamente financeiras, podemos assegurar que são todas, “babam” prazerosamente quando os juros atingem patamares estratosféricos. Na verdade, os bancos são considerados “vampiros econômicos de plantão” e sempre apostam na busca de alternativas de lucros fáceis. Os banqueiros, exceto os que tratam do grupo de 25 bichos da nossa fauna, são considerados como uma espécie de “câncer intratável”, que corrói as vísceras dos excluídos do capital e vitimados pelo capitalismo – selvagem como alguns daqueles 25 bichos. Tomei conhecimento que “a Lula ficou furiosa” (perdão novamente: o Lula ficou furioso) ao saber do calote promovido pelo setor financeiro, mesmo ele, Lula, sabendo que o Comitê Financeiro do PT recebeu um total de R$ 3.723.000,00 dos bancos  para a sua campanha presidencial. Esta conivência causa perplexidade, nojo, asco, na medida em que Lula, o favorecido, criticava, sempre que podia, a ação dos bancos por ocasião das suas entrevistas concedidas à imprensa. Lula, hoje, faz questão de omitir esta matéria dos seus discursos, mesmo aqueles feitos no calor do improviso. Será que os banqueiros passaram a ser considerados pelo “Lulalá” mais do que “velhos companheiros” e ganharam a condição de “cumpinchas”, ou pra quem preferir, “cupinchas”, no seu mais amplo conceito? Agora, é Lula! Lula, e agora? Agora é foda-se, diria ele, extremamente convencido.

Os bancos privados garantiram a sua “estabilidade” com os mais de R$ 20 bilhões tomados do dinheiro público via PROER (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional). A propósito, é também público e notório o tratamento privilegiado que sempre receberam do governo constituído. O atual governo não é diferente e também não é à prova de bala. Em 1995 Lulalá já falava da relação promíscua entre banqueiros e políticos em troca de “favores”. Provas cabais, são as informações confidenciais e preciosas que recebem todo dia, antecipadamente, quanto à saúde econômica do país e os seus rumos, no que diz respeito aos mercados de capitais e com relação à evolução da taxa cambial. Esta máfia trabalha em surdina para proveito próprio. As informações vazam das salas de reuniões e os lobistas sabem como obtê-las. Com inteligência, os bancos “investem pesadamente” em campanhas políticas – só nas eleições de 2002 foram cerca de R$ 25 milhões, mas, segundo fontes ligadas à política, estas doações em espécie ultrapassam àquele valor anunciado –, ao  tempo em que registram os maiores lucros líquidos da história financeira do país. Algum grupo político poderoso e oculto os ajudou, com certeza. Favor gera favor. Interesse desperta interesse. É o toma lá, dá cá.

Pensando nisso, podemos concluir que a Reforma Política, tão esperada, poderia acabar com o problema. Todavia, como o ópio do povo é a ilusão, as “inocentes doações” continuarão à sombra de interesses declarados. E o povo que pague a conta.  Diz a máxima que “dinheiro chama dinheiro” e dinheiro sujo mais ainda. Os bancos são mestres na criação e na cobrança de taxas.  Os bancos dispõem de mecanismos legais para promoverem a desvalorização do dinheiro depositado pelos correntistas e supervalorizam o seu na hora de fazerem empréstimos. Os bancos devem R$ 15 bilhões ao erário. O tesouro público desfalca-se. Fim de papo. Deixo o resto dos comentários para quem quiser fazê-los.

Estou me sentindo mal, como da última vez que fui ao Bradesco (Agência Largo do Bicão, Vila da Penha, aqui no Rio). Procurei um bebedouro de água e o segurança me disse que não tinha e só os funcionários do banco tinham acesso à geladeira interna. Então, pedi-lhe que me indicasse o banheiro e, prontamente, puxou-me pelo braço e me indicou o botequim do lado. Desisti de perguntar se a agência tinha cadeiras porque vi muitos idosos sentados no meio-fio, em plena rua. Quinhentas e trinta e sete pessoas nas filas e somente dois caixas atendendo. Gerentes, alheios, sentados e ao telefone, contei pelo menos cinco. A culpa é do governo? Não, é minha; é nossa; enfim, é de todos nós. O Bradesco está certo.

Enquanto a vaca tosse, nunca se pagou tanto imposto neste país como nos últimos tempos. O poder de compra do consumidor brasileiro perde mais de um terço do seu valor só em forma de tributos embutidos nos preços dos produtos e serviços. Além disso, tem que arcar com uma taxa média anual de juros da ordem de 116% (que só tende a aumentar), restringindo o seu crédito no comércio. Duas curvas, inversamente proporcionais, aparecem na comparação dos fatores pagamento de impostos versus serviços públicos prestados pelo Estado. Os serviços públicos perdem qualidade na mesma ou maior proporção dos aumentos dos impostos. O que deveria ser justamente o contrário, ou seja, paga-se mais impostos e, na contrapartida, o governo disponibiliza serviços de ponta e excelência para a população. Neste caso, as curvas andariam na paralela. A desumana carga de impostos, contra a falência dos serviços públicos, está obrigando e empurrando (quem pode pagar por isso) parte da população para os serviços privados, como saúde privada, educação privada, pecúlio privado, enfim, assistência privada de um modo geral, enquanto que os pobres – a maior parte desprovida de recursos – são jogados, literalmente, na latrina, ou esquecidos nos leitos dos hospitais públicos (valem os corredores), como estorvos, sujeitos a erros médicos e à mercê da própria sorte.

Esta, também, pode ser uma forma velada de “conspiração tramada” contra os infelizes pobres deste país. O Brasil, inexoravelmente, é uma vitrine para o mundo – apenas não sabemos se expõe poucos bons e muitos maus exemplos; se expõe só maus exemplos, ou, se atrás da vidraça embaçada, o único produto colocado à venda é o sangue dos brasileiros.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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