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Política

Polítitica – 42ª Crônica

Paira sobre as nossas cabeças uma atmosfera de incertezas. O presidente Lula tem pecado por mera inocência. Acredito. Não vamos achar, simplesmente, que é por incompetência própria – até então. A sua quase que nenhuma experiência, ou vivência administrativa, sobretudo quando se trata da coisa pública, tem pesado um pouquinho a seu favor na hora das críticas, não obstante, há um ponto específico de saturação e um tempo determinado para o começo das cobranças efetivas, e de certa forma mais contundentes, por parte daqueles não tão inocentes e menos incompetentes.

O Dr. Palocci – prefiro chamá-lo assim a invocá-lo pelo título de Ministro da Fazenda – ultimamente tem se exposto muito (talvez além da conta) perante a mídia convencional, porque tem tomado, por iniciativa própria, às vezes do chefe Lula. Quem sabe para mantê-lo protegido. Só não se sabe do quê ou contra o quê, sobretudo porque a opinião pública ainda está a seu favor (dele, Lula) mantendo em alta a sua popularidade. Vai chegar a vez do Zé Dirceu entrar em cena; para depois sair dela, segundo previsões macabras.

Até que, pela importância da sua pasta, as aparições do Dr. Palocci podem ser consideradas comuns. Alguns dos seus colegas Ministros vêm a público discutir o óbvio. O segundo escalão ri por detrás das pilastras do palácio. Outros Ministros, não sei se realmente posso considerá-los colegas de Palocci, preferem dizer besteira, com a maior naturalidade, e comprometer o Executivo, como foi o caso recente do Ministro-Secretário, ou será Secretário-Ministro (ainda tenho dúvidas), da abastada pasta de Segurança Alimentar e Combate à Fome, José Graziano (PT) e também coordenador do Projeto “Fome Zero”.

Este desajeitado membro da corte e homem de confiança do rei, quando em público, ao vivo e a cores, associou os índices de criminalidade e o aumento da violência em São Paulo à migração do homem de origem nordestina. Coitado. Ele, Graziano, esqueceu que Lula é nordestino e viveu praticamente toda a sua vida em São Paulo. Diante disso, Graziano deve achar que o problema da fome no Brasil é causado pela falta de câmaras de gás, para onde ele provavelmente mandaria todas as pessoas que nasceram miseráveis e dentro da linha da pobreza. Só assim, ele não teria tanto trabalho para prestar contas, ao rei, da aplicação dos R$ 50,00 por família cadastrada em Guaribas e Acauã, em consonância com o Programa “Fome Zero”, que ele mesmo ajudou a criar e agora se enrola todo para implementá-lo – ao vivo, e na cor cinza, puxando mais para a negra; a sangria vem depois. Em matéria de matizes, o PT não dá bom exemplo quando sugere emporcalhar, perdão, manchar a nossa bandeira com a cor vermelha, símbolo do partido vermelho.

Especialistas e outros técnicos de porta de botequim afirmam que não serão precisos mais do que noventa dias para o “Fome Zero” cair no descrédito, porque outras dores maiores serão sentidas por quem tem fome e por quem não tem. Os apreciadores da boa cana, e da má, não quiseram prestar maiores esclarecimentos sobre o assunto, reservando-se ao direito de tomar mais um trago. Deixaram a bendita conta pendurada no prego.

Enquanto isso, nas alcovas sombrias do palácio, certamente outras (plagiadas) decisões governistas, meramente populistas e demagógicas, já estão sendo articuladas para engodarem os súditos. Previu-se, e aconteceu, a reabertura dos trabalhos no Congresso Nacional no dia 17 de fevereiro, mas todos de olho nos períodos de recesso parlamentar – suspensão temporária das atividades no Legislativo e no Judiciário; uma espécie de férias oficiais prolongadas e uma maneira também oficial de engordar os vencimentos dos parlamentares todas as vezes que são convocados para sessões extras durante aqueles períodos. Aproveitando o “gancho”, que tal mandarmos o Executivo ir junto ou quem sabe programarmos um bom plano de viagens para ele? Será melhor assim. O Brasil caminha sozinho, sem governo.

Sabe-se, de antemão, que os congressistas só vão mesmo “pensar” em fazer alguma coisa, por eles próprios, após o Carnaval de Roma – e, sabe-se, também, que Lula discursará quebrando jejum desde Sarney, não só pedindo calma e paz aos membros superiores e inferiores, como aproveitará a ocasião para mostrar a “tabela de preços vigentes” para cada projeto seu aprovado. Certamente dará as boas-vindas aos novos espécimes de primatas, chimpanzés e orangotangos que vieram habitar a capital Brasília no período de reprodução de quatro anos. A prole será boa. Faltarão árvores e galhos, mas, pocilgas não faltam porque os porcos são cativos.

Na realidade, quem deveria fazer algo por si próprio, antes do Carnaval tupiniquim, é o Lula, em respeito à massa que o elegeu. Justamente. Para isso, bastava, apenas, levantar a bunda da cadeira, não para um simples passeio pela Europa, e ir às emissoras de TV, em rede nacional, para participar à nação os seus programas de governo a médio e longo prazos; quais as estratégias que serão adotadas daqui pra frente, ele mesmo falou que o Brasil deve ser pensado estrategicamente; quais as prioridades do seu governo; como será a política interna adotada, porque a política externa já está desenhada; por onde começar, como e quando; enfim, o presidente Lula precisa, urgentemente, fazer um relato ao povo brasileiro e nele constar suas propostas de tal forma consolidadas, planejadas e acompanhadas de um eficaz cronograma de realizações. As prestações de contas serão o segundo e derradeiro passo.

O mais importante é dizer o que será feito e aprazar as ações. Lula deve abandonar o imediatismo, logo, já. Isto é imperativo para a sua sobrevivência política. Está faltando justamente a palavra empenhada – mas sem aquelas conhecidas retóricas de palanque e, sobretudo, sem as metáforas corriqueiras – do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ratificar as suas promessas de campanha em tom de cumprimento; para confirmar suas opções enquanto líder do Executivo; para mostrar os caminhos que serão seguidos e sem filosofias baratas; para revelar as suas pretensões e o que deseja para o Brasil. Só uma pessoa pode fazer isto: ele. Delegar esta tarefa aos seus Ministros, além de irresponsabilidade, é pura brincadeira. A pré-julgada tolice de quem escuta não pode e não deve ser levada muito ao pé da letra. Guardar na boceta (expressão não chula) os segredos, ele, o funcionário público número 1 do Brasil, pode. Só não pode esconder as verdades, ou revelar todas as mentiras. Só vai depender, única e exclusivamente, do presidente Lulalá, Lulacá, Lulaqui, deixar de sê-la, chula, a expressão.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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