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Política

Polítitica – 41ª Crônica

Como eu não pretendo mais falar de ou em política, tampouco escrever sobre políticos, estou me alongando (sei que além da conta), sobretudo porque o instinto o quis assim – obedecendo à fluidez da minha mente irracional e à agilidade dos dedos; sem arroubos.

Um dia desses, conversando com um amigo de nacionalidade portuguesa – também jornalista e com uma tremenda vantagem sobre o meu currículo porque conhecia mais “português” do que eu – no calçadão da praia de Coqueiral de Itaparica (eu também tenho uma Itaparica) na cidade de Vila Velha, Espírito Santo, disse-me literalmente:

Inspiração e vontade de defecar, você aproveita na hora.

Com agilidade irreparável nas mãos (as duas) eu conheço, mas vou negar pra sempre, algumas ilustres personalidades que se destacaram no mundo político, e na vida pública, por qualidades merecedoras de apupos, banho de ovos de avestruz e tomates podres, tortas na cara (está na moda), cadeia, porrada, etc. Pinheiro Landin, por exemplo, aquele Deputado Federal que fugiu da cassação duas vezes para não perder os seus direitos políticos (que direitos?), renunciando ao cargo antes da sentença final, apontado como envolvido até o pescoço no caso escabroso da venda de Hábeas Corpus para traficantes. Na cidade de Manaus, capital do Amazonas, tem uma imobiliária de mesmo nome, Pinheiro Landin, e fontes silvícolas dão conta que os seus proprietários, além de pertencerem ao crime organizado das “tribos locais”, também são useiros e vezeiros na prática da apropriação indébita de terras dos outros; em suma, são grileiros. Esses escumungados vendem até terreno na lua. De ingênuos, de uma inocência franca e pura, os PL (Pilantras Ladrões) não têm absolutamente nada. Em terras de ninguém não há caminhos definidos ou retos.

A outra personalidade é Antônio Carlos Magalhães, o rei do cinismo, principal suspeito de ser o mandante dos grampos telefônicos na Bahia. O “grampo ilegal” é apenas mais um crime formal descrito na longa agenda – ou na folha corrida policial, como queiram – de prevaricações dos parlamentares brasileiros. Faltar ao dever de seu cargo, por interesse pessoal ou má fé está se tornando um expediente corriqueiro. Onde há fumaça, há fogo. Diz o dito popular. Onde há fogo, não há água – só denúncias de corrupção.

Caso contrário, ACM não teria aberto mão da sua indicação para presidir a Comissão de Constituição e Justiça do Senado, cargo mais importante do Congresso Nacional, uma espécie de vestibular ao qual submeter-se-ão todos os projetos do Executivo. É muita força e poder para uma só pessoa, mas, era tudo que Antônio Carlos Magalhães queria: ficar por cima da carne seca e ter todo mundo aos seus pés. O “coronel” ACM, no final do mandato passado, renunciou motivado pelo seu envolvimento direto na quebra do sigilo do painel eletrônico de votações do Senado. O “falastrão baiano” volta novamente a casa nesta legislatura pelos votos dos seus conterrâneos, com vigor total, só que para continuidade das práticas ilícitas. A gente sabe que a CPI do Grampo vai ser grampeada. CPI é mesmo Coisa Pra Idiota, já dizia o mais ilustre dos idiotas – os baianos que o reconduziram ao cargo não se julgam assim. ACM está mais morto do que vivo; física como politicamente. Não sei se durará muito – enquanto isso…

Outros tantos nomes poderiam ser citados aqui como o do nada menos poderoso Jader Barbalho, inimigo-amigo de ACM, que renunciou Senador e volta Deputado Federal; o lendário Maluf (ou seria com dois éfes?); o nome do Pita (faz tanto tempo que não sei mesmo como se escreve, talvez com dois tês), famoso pelas suas falcatruas enquanto Prefeito de São Paulo; os “anões-gigantes do orçamento”, lembram? Enfim, uma verdadeira quadrilha, elogiavelmente fiel, porque não revela – nem com tortura chinesa – o nome verdadeiro do Ali Babá. Serve o outro pseudônimo. Quem tem “furingo” tem medo (furingo é sinônimo de anel de couro, que é o mesmo que tobas, que é o mesmo que cu).

O Planalto Central, com seus lagos e muita grana, perdão, grama, serve de abrigo para vários espécimes predatórios. De vez em quando, alguns são enxotados pelos seus similares, entretanto, o povo consegue fazê-los retornar ao covil pela força suprema do sufrágio, mesmo correndo o risco de sucumbir (ele, o povo). Se ao varrermos o lixo da nossa porta e não o pegarmos, certamente o vento o trará de volta para perto de nós.

Se ficarmos o tempo todo espantando as moscas, vivas e mortas, e não removermos o monte de bosta vamos sentir o seu desagradável cheiro por mais tempo ainda. FHC x 2 deve ter se inspirado nestes pensamentos filosóficos para, ao sair sem apagar as luzes, dizer uma coisa absolutamente certa: “Não vai mudar nada. No mínimo, tudo vai permanecer como está”. Tudo como antes, no quartel de Abrantes. Acho que todo mundo entendeu o que ele quis dizer com “no mínimo”.

O nosso povo, devidamente anestesiado, está absorvendo muito bem – num processo silencioso e indolor – os constantes aumentos nas tarifas dos combustíveis, da energia elétrica, da água, dos telefones, dos aluguéis, dos alimentos, dos remédios, enfim, de todos os produtos e serviços essenciais à sua sobrevivência, com um mínimo de dignidade. Ele, o povo, é “enrabado”, pela frente e pelas costas, e ainda pede desculpas porque deu a parte de trás. A sua sorte (do povo) é que os agressores sexuais não fizeram a dita cuja circuncisão. Para eles, os agressores de sempre continuarão para sempre e, “tanto faz como tanto fezes”. Pelo andar da carruagem, se tivesse feito, não faria diferença alguma, porque o calejado povo já levou tantas “grossas” ao longo da vida, que uma a mais ou uma a menos, não vai mudar, absolutamente, o seu estado de eterno amante latino, desculpa, passivo.

Cada dia que passa eu me convenço mais que o ópio do povo não é o futebol, não é o samba, nem a praia, não é a cachaça, nem a mulher brasileira. Simplesmente, concluí que “o ópio do povo é a ilusão”.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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