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Política

Polítitica – 40ª Crônica

O Dr. Antônio Palocci, médico plantonista e também Ministro da Fazenda, quer auscultar a tão sofrida Economia (com “E” maiúsculo porque deve ser tratada como uma pessoa, na visão do governo federal) com o seu, dele, inseparável estetoscópio médico – por isso é merecedor do “Dr”.

O primeiro exame de sangue, solicitado às pressas pelo Hospital Central de Brasília, revelou a necessidade de se ministrar a elevação das taxas de juros para que a paciente, Economia, não morra de inflação alta. A receita foi passada, conscientemente, mesmo Dr. Palocci sabendo dos efeitos colaterais causados ao corpo, como restrição acentuada do consumo – inclusive de alimentos –, inchaço ou engorda de um órgão independente chamado “bancos”, o que fatalmente provocará a concentração e a retenção de “gorduras” nele, desnutrindo os demais órgãos, já em processo de falência.

A elevação das taxas de juros está sendo alcançada através de doses homeopáticas, para que não provoquem dores inesperadas. Os parentes da vítima pediram um processo indolor e foram atendidos. A paciente, Economia, esquenta o termômetro e a taxa de juros saiu de 25,5 para 26,5% e pode chegar aos 33 pontos (eu falei “pode chegar”). A partir daí, o termômetro já terá estourado, mas, o inseparável estetoscópio do Dr. Palocci conseguirá pegar o grito terminal: trinta e três. Porém, um grupo de empresários finórios já providenciou um caminhão de gelo para colocar na cabeça da paciente, evitando, assim, que isto de fato aconteça.

Caso a dose exagerada de medicamentos coloque em risco a vida da paciente, entra em ação o plano dois, que recomenda um tratamento à base de profunda imersão, ou seja, mergulhar o corpo – dos pés à cabeça – no tanque da recessão e todos permanecerão rezando como até agora. Contudo, o Dr. Palocci faz questão de frisar que o plano dois só será empregado se a inflação der sinais de resistência, mas, sem arredar pé do plano original.

O plano três está em estudos, todavia, conseguimos um furo de reportagem no CTI do Hospital Central de Brasília: José Sarney, atual Presidente do Senado, será convidado para tratar da paciente já que ele, mesmo sem diploma de médico, entende pra caramba de inflação alta, além de ser dono de funerária no Maranhão e de outros bens vivos mais valiosos espalhados pelo Nordeste.

O plano quatro é segredo de Estado, porém, no Hospital Central de Brasília tem um enfermeiro (só?) – bicha e fofoqueiro, perdão, homossexual e bem informado – e, segundo ele, o HCB tem pronta uma fórmula mágica, à base de tratamento de choque, para salvar a paciente Economia. O tópico um da receita sugere o aumento do poder de intervenção do médico-adjunto Banco Central, que entende que “controlar” um agente bacteriano externo identificado como “preço do dólar”, sem o uso de microscópio, certamente pode restringir o seu poder de contágio na inflação. Por outro lado, o tópico dois, da mesma prescrição, aponta para uma outra medida, qual seja, atacar de frente a causa da doença conhecida como FMI (Fomento da Miséria Internacional) com grandes e sucessivas doses de caipirinha “Made in Brazil”.

Se o FMI entrar em coma alcoólica a gente manda desligar urgentemente os aparelhos – sem pena e sem dó. Miguel Pereira tinha razão quando disse: “O Brasil é um vasto hospital”.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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