>
Você está lendo...
Política

Polítitica – 30ª Crônica

A ignorância continuará sendo o grande mal deste século, como foi nos outros. Para os brasileiros, vale o conceito, a qualidade, ou o estado de ignorante, que ignora, desconhece, pessoa iletrada. Para os americanos, o que prevalece é a condição de pessoa estúpida, insipiente. Todo o Iraque concorda comigo, e o Afeganistão por tabela. Por ignorantes americanos também se fazem passar os nossos políticos – alguns por conveniência declarada. Da mesma forma, uma pessoa brasileira, comum, quando dá uma de maluca de vez em quando, por total desconhecimento da realidade aparente. Por falar em doideira, não são apenas obras monumentais que perpetuam o nome do político e sua imagem perante a sociedade. Ele não precisa construir uma estação espacial em Brasília para receber naves de ETs, como as que o FMI tem enviado ultimamente. Basta ter coragem para promover as mudanças certas para o benefício de todos, antes de pensar nos seus. Na cabeça de político, pensar primeiro nos outros é pura maluquice – os eleitores, culpados por elegê-lo, não estão na sua lista de prioridades.

Aqueles espertalhões, como, por exemplo, alguns Fiscais da Receita, que têm por hábito pilhar, desviar, roubar, saquear, devastar, assaltar, assolar, e furtar o nosso rico dinheirinho como produto dos impostos municipais, estaduais e federais pagos, podem ser rotulados de “aves de rapina”. Na paralela, vemos corruptos e sonegadores habituais, lado a lado, nesta orgia dantesca e ninguém revela, nem mesmo sob tortura, o verdadeiro nome do “homem da mala”. Códigos de ética à parte – falo da ética na patifaria –, esses elementos precisam saber que “Ninguém é dono de nada, assume, transitoriamente, a posse do bem”. Então, pra que roubar? Filosofando um pouco mais, a ganância pelo dinheiro torna os homens escravos, principalmente quando se trata do alheio. Nenhum pacto social sobrevive enquanto persistir este estado de coisas. O desonesto que entra na política deve ter a mesma sensação daquele indivíduo que dorme pobre miserável e acorda milionário, por ter acertado, sozinho, o prêmio acumulado da Mega Sena; não se deixa revelar, e depois que pega o dinheiro tenta disfarçar de todas as formas.

Na vida pública não se deve desperdiçar talentos; eu acho que em qualquer ramo da atividade humana. Talentos são raros. Valorizar em demasia Ministros que falam besteira, cometem asneiras e insistem nas tolices, muitas das vezes não leva à demissão do encarregado do departamento de suprimentos, pelo fato de não ter renovado o “estoque de inteligências humanas”. Na política, a competência cede lugar à esperteza, que fica de um lado e a ignorância do outro. Um manipula e o outro é manipulado. Prova disso, é que o poder do capital tem levado os eleitores a elegerem os políticos sujos, aumentando, assim, a “bancada dos processados”, desde as menos representativas Câmaras de Vereadores até o mais alto escalão do governo. Neste país, onde tudo é permitido, questiona-se a prática da liberdade como se fosse o único fiel da balança dos direitos e obrigações. Pelo andar da carruagem, chegamos à conclusão que tudo passa pela Reforma Política, e já tem gente nas galerias opinando sobre o que deve mudar de imediato. O mais renomado dos idiotas, o Eremildo, sugeriu oito exigências – meras formalidades – para quem quiser se aventurar na carreira política, ou melhor, na profissão de político, com direito a pensão, assegurando-lhe renda vitalícia. São elas: 1ª) Atestado de Sanidade Mental. 2ª) Prova Escrita e Oral de Conhecimentos Gerais, com ênfase na Língua Portuguesa. Chega de estúpidas agressões ao Aurélio. Concordâncias verbal e nominal são uma piada; não é mesmo Lula? 3ª) Curso de Doutorado na Galáxia mais próxima. 4ª) Atestado de Bons Antecedentes de todos os membros da família, até daqueles que não têm todos os membros. 5ª) Folha Corrida emitida por todas as Delegacias Policiais do planeta Terra. 6ª) Currículo com o aval do Anjo da Guarda. 7ª) Referências Pessoais assinadas por Deus (Santo não serve). 8ª) Declaração de próprio punho autorizando o povo a enforcá-lo à moda portuguesa, ou seja, pendurado pelo saco, na constatação de roubo, malversação do dinheiro público, rombo do erário, enfim, ou por qualquer delito ou crime descrito no início do segundo parágrafo. Mentir pode, porque político já é uma mentira, e quem lhe dá crédito naquelas circunstâncias faz por merecer o mesmo tratamento de choque.

Não vamos creditar a culpa na conta do povo; não seria justo. Vivemos num país democrático, numa República Federativa. Num Estado Democrático se estabelece o governo do povo. A constituição do poder governamental ocorre através do voto popular. Democracia significa governar através do povo e para o povo. Tomara que o Presidente da República Federativa do Brasil saiba rezar nesta cartilha. Como Chefe de Estado, espero que também saiba que está inserido numa forma de governo em que vários indivíduos foram eleitos pelo voto direto do povo e exercem o poder por tempo delimitado (podem também se condenar ao ostracismo) e que a Federação pressupõe união política de Estados ou Nações. Diante de tudo isso, pedimos mais respeito ao pendão auriverde da nossa terra, sobretudo quando presenciamos tentativas de juntar a cor vermelha ao símbolo que imortalizou gerações.

No último domingo de dezembro de 2002, o Veríssimo, “Sem Fantasias”, deu até quinta, achando que agora vai ter mais tempo para prestar atenção nos sabiás que frequentam um pátio visto de suas duas grandes janelas. No meu caso específico, vou me aproximar mais dos bem-te-vis que decretaram poder pátrio em um pedaço do meu quintal. Resolvi dar um tempo mais longo do que as 96 horas solicitadas pelo Veríssimo. Não consigo falar noutra coisa a não ser em política. Jurar, talvez não jure, mas, corro o risco de pecar mais umas quinze vezes (talvez dezesseis) – também pudera, o governo da Lula (Porra! Não é da Lula), perdão, do Lula, mal começou e nos tem oferecido um banquete de assuntos plagiados. Motivos não faltam para nós, jornalistas de cabeceira, metermos o pau. A safra é boa. Como foi a minha de jabuticabas. Falar em política novamente, eu penso, só no próximo livro ou, quem sabe, no 25º mês de mandato de Lulinha que precisará, mais do que nunca, de paz e amor. João Ubaldo Ribeiro lembra que é preciso tomar cuidado quando se vai fazer lembrete, por isso, só farei um; promessa de cidadão: “O Brasil é uma casa de muitos cômodos”.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

Trackbacks/Pingbacks

  1. Pingback: Livro Polítitica « Opinião sem Fronteiras - 29/07/2012

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se a 154 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: