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Política

Polítitica – 27ª Crônica

O exercício da demagogice, geralmente, para quem o pratica, traz consigo o medo do isolamento, ou imenso pavor de perder o apoio do povo. Lula, nos primeiros meses de governo, sentirá este gostinho amargo. Frio na barriga e sensação de desmaio virão mais adiante. O mais renomado dos Silva exibe um perfil agregador, no direto sentido da tomada de atitudes políticas caracterizadas pela exploração das paixões e boa-fé do povo, num processo continuado de dominação das facções populares. Parece complicado? Essa foi a sua escolha. Como de costume, talvez o Lula que conhecemos não saiba bem o que isto quer dizer, entretanto, foi sumariamente preparado para agir como tal, caso contrário, não ganharia a eleição. O outro perdeu. Também parece difícil entender isto, mas, de fato, não é. Aos opositores, Lula diria: “Companheiros, vocês vão ter que me engolir, porque eu pretendo estudar na mesma escola de ilusionismo que formou o Duda Mendonça”. Capacidade para enganar ele tem de sobra.

Ser popular é diferente de ser populista. Popular é um homem do povo. Ser populista é “jogar para a plateia”, o tempo todo, todo o tempo – isto o Lula sabe fazer com muita propriedade. Um governante com perfil populista governa pelas aparências; é como dar doces para as crianças somente para chamar a atenção dos pais. Isso me faz lembrar de um dito português: “Quem muito aos seus filhos beija, o cu da mãe fareja”.

É fácil pressupor que Luiz Inácio Lula da Silva não irá se preocupar com os tradicionais esquemas de segurança para a salvaguarda da sua integridade patrimonial, perdão, pessoal. De certo, quebrará algumas regras de conduta inerentes ao mais elevado cargo do país. Falta-lhe postura presidencial; o que o FHC x 2 tinha de sobra. Postura, neste contexto, não é a ação ou efeito de pôr ovos. Trata-se do porte, da atitude de Chefe de Estado. Lula fará questão, absoluta, que o povo o veja como igual e jamais cortará o cordão umbilical que o une à massa, por necessidade de autoconfiança ou proteção. Entretanto, vale lembrar que a quebra de protocolo pelo presidente Lula pode colocá-lo em maus lençóis e, se persistir nessa prática, sofrerá constrangimentos públicos sem precedentes. Respeito aos atos públicos, formalidades sociais e etiqueta presidencial devem ser ensinados logo ao presidente Lula. Todo o povo precisa de uma lenda. Mas, que esta tradição popular e que esta história fabulosa sejam construídas em bases positivas.

Promover a construção política sobre um alicerce mal estruturado pode fazer ruir as paredes da democracia. Enquanto Lula estiver fazendo contato físico e sensorial com a população numa relação direta com as pessoas (isto não é corpo-a-corpo); enquanto o Lu-la-lá estiver brincando com o seu brinquedo predileto (o eleitor); enquanto isso, nos bastidores do poder, os seus asseclas construirão labirintos e colocarão a insensatez como guardiã.

Veremos Ministros desdizendo o que antes afirmaram em público; ouviremos muitos comentários que gerarão polêmicas; discursos não sintonizados com a ideia central do partido – agora partidão PT – serão colocados dentro dos nossos ouvidos por políticos não habilitados; a imagem do governo brasileiro sendo comprometida a cada espaço de 24 horas, tanto dentro como fora do país. Faltará equilíbrio geral. Todo mundo vai querer aparecer como o chefe, mesmo que nessas “aparições” Lula tenha que ignorar denúncias sobre os seus próprios Ministros. Para ele, Lula, tudo não passará de quimera.

Estou convencido disso. Diria ele.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

7 comentários sobre “Polítitica – 27ª Crônica

  1. Querido augusto boa noite!
    Um país de loucos,ou um povo sem vergonha?

    Segue alguns dos motivos pelos quais te faço essa pergunta…

    Um motorista do Senado ganha mais para dirigir um automóvel do que um oficial da Marinha para pilotar uma fragata !

    Um ascensorista da Câmara Federal ganha mais para servir os elevadores da casa do que um oficial da Força Aérea que pilota um Mirage.

    Um diretor que é responsável pela garagem do Senado ganha mais que um oficial-general do Exército que comanda uma Região Militar ou uma grande fração do Exército.

    Um diretor sem diretoria do Senado, cujo título é só para justificar o salário, ganha o dobro do que ganha um professor universitário federal concursado, com mestrado, doutorado e prestígio internacional.

    Um assessor de 3º nível de um deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos, mas que não passa de um “aspone” ou um mero estafeta de correspondências, ganha mais que um cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo buscando curas e vacinas para salvar vidas.

    O SUS paga a um médico, por uma cirurgia cardíaca com abertura de peito, a importância de R$ 70,00, equivalente ao que uma diarista cobra para fazer a
    faxina num apartamento de dois quartos.

    PRECISAMOS URGENTEMENTE DE UM CHOQUE DE MORALIDADE NOS TRÊS PODERES DA UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS, ACABANDO COM OS
    OPORTUNISMOS E CABIDES DE EMPREGO.

    OS RESULTADOS NÃO JUSTIFICAM O ATUAL NÚMERO DE SENADORES, DEPUTADOS FEDERAIS, ESTADUAIS
    E VEREADORES.

    TEMOS QUE DAR FIM A ESSES “CURRAIS” ELEITORAIS, QUE TRANSFORMARAM O BRASIL NUMA
    OLIGARQUIA SEM ESCRÚPULOS, ONDE OS NEGÓCIOS PÚBLICOS SÃO GERIDOS PELA “BRASILIENSE COSA NOSTRA”

    O PAÍS DO FUTURO JAMAIS CHEGARÁ A ELE SEM QUE HAJA RESPONSABILIDADE SOCIAL E COM OS
    GASTOS PÚBLICOS.

    JÁ PERDEMOS A CAPACIDADE DE NOS INDIGNAR.
    PORÉM, O PIOR É ACEITARMOS ESSAS COISAS, COMO SE TIVESSE QUE SER ASSIM MESMO, OU QUE NADA TEM MAIS JEITO.

    ABRAÇOS.

    Publicado por GISLAINNE | 26/06/2012, 21:07
  2. Gisa,

    Um país de loucos, ou um povo sem vergonha?

    Estamos vivendo momentos cruciais. O exercício da política no Brasil jamais esteve tão desacreditado. As nossas instituições entraram num processo de deterioração; as suas bases estão corrompidas. A corrupção generalizada tomou conta do tecido social, sobretudo dos homens públicos que, teoricamente, deveriam representar o povo e criar mecanismos que lhe garanta serviços básicos, qualidade de vida, distribuiçao de renda, trabalho, saúde, educação, habitação, transporte, oportunidades – estes não fazem absolutamente nada em prol da nação. O que se vê no Congresso Nacional são expedientes rocambolescos, festivais macabros, fisiologismos, políticos picaretas defendendo o seu feudo e o seu bolso, numa completa jactância e fanfarronice. O efeito cascata se verifica em todos os níveis da política brasileira. O Senado Federal e a Câmara de Deputados se transformaram em verdadeiras Delegaciais de Polícias; só se fala em CPIs e ninguém legisla, ninguém trabalha. Enquanto isso, o Executivo comemora recordes de arrecadação de impostos. Não vejo solução em curto prazo, tampouco em médio prazo. Somente resgatando a Educação inclusiva, com qualidade de ponta, podemos depositar alguma esperança na geração futura. Infelizmente, hoje, podemos nos considerar órfãos do patriotismo. O Hino Nacional não mais nos emociona como no passado; o arrepio na pele fica por conta de uma rajada de vento frio. Eu trocaria a expressão “loucos” por “palhaços” e “sem-vergonha” por “desinformados”.

    Grato pelo seu comentário e receba um forte abraço,

    Augusto Avlis.

    Publicado por augustoavlis | 26/06/2012, 23:36
  3. Na minha opinião, o Brasil foi constituído a partir de uma fraca noção de identidade pública e sob a batuta de interesses privados muito fortes. O nosso estado é um estado forte demais para conceder favores e fraco demais para estabelecer com clareza os limites entre o público e o privado, especialmente para os poderosos. Fenômenos como o que assistimos na semana passada, de um ministro da Casa Civil afirmar que fez aquilo que todos fazem, isso é, negociou informações e acesso privilegiado ao estado com grandes grupos econômicos, são parte do dia a dia da política brasileira. É verdade que a opinião pública se indigna com razão a cada um destes episódios, mas a verdade é que a sua raiz reside em aspectos quase estruturais da cultura brasileira. Uma incapacidade de construir uma noção forte daquilo que é público na política.
    Vale a pena comentar alguns destes resultados. De fato, a população brasileira aumentou a sua atenção e a sua rejeição à questão da corrupção nos últimos anos. No entanto, têm faltado à população os meios para melhorar a qualidade do sistema político brasileiro. Estes podem vir ou através de iniciativas da sociedade civil ou através de mudanças na legislação e aprimoramentos institucionais que impliquem em melhorias no controle da corrupção. Dentre as diferentes iniciativas que são possíveis, uma se destaca devido à sua origem na sociedade civil: a proposta da lei da ficha limpa. É sabido que o Brasil tem uma das concepções mais estapafúrdias do mundo acerca da presunção da inocência pela via do assim chamado “transitado e julgado”. Até recentemente, a condenação de um político em três instâncias do Poder Judiciário não tinha absolutamente nenhuma conseqüência em relação às suas ações, ou seja, ele continuava livre e podia ser candidato. A Justiça não produzia praticamente nenhum efeito em relação às ações dos políticos, especialmente em relação àqueles que se habilitam ao foro especial. A ficha limpa veio com a intenção de modificar este estado de coisas. Ela propôs a impossibilidade de concorrer a um mandato depois de uma primeira condenação em segunda instância.
    Palavras-chave: Educação, Política Educacional, Gestão Democrática
    Abraços.

    Publicado por GISLAINNE | 27/06/2012, 12:20
  4. Gisa,

    Concordo plenamente com as ponderações colocadas. Isso só corrobora a nossa argumentação objeto dessa série de crônicas políticas (54) inseridas no meu livro “Polítitica”, reeditadas sequencialmente no meu Blog. É com pesar, com certo desgosto, que chego à conclusão que a capacidade de refletir maduramente sobre as mazelas que atormentam a nossa sociedade e que a verdadeira compreensão dos cenários políticos e econômicos do Brasil limitam-se a um pequeno grupo de pessoas ao qual denomino de “elite cultural”, se comparado com a imensa parcela da população brasileira transformada em “massa de manobra” por aqueles que sustentam o poder a todo o custo. Por outro lado, tenho dito que a produção da comunicação de massa se fundamenta numa estratégia de linguagem que permite mecanismos de manipulação, doutrinação e alienação, seja individual como coletivamente. Somente através da boa informação alicerçada com igual interpretação poderemos vislumbrar novos e bons tempos. Até agora reeditei 29 crônicas, de modo que não deixe de ler as demais e opine. Essas crônicas têm um valor histórico, foram concebidas há 10 anos, porém, os textos continuam bem atuais.

    Grato pelo comentário. Um forte abraço,

    Augusto Avlis.

    Publicado por augustoavlis | 27/06/2012, 13:05
  5. Milhões de palavras passam em minha cabeça em velocidade impossível de juntá-las para expressar o que penso e sinto hoje, muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos.
    A política é uma delicada teia de aranha em que lutam inúmeras moscas mutiladas,e com grande freqüência, a mesma consiste na arte de trair interesses reais e legítimos e de criar outros, imaginários e injustos.
    Abraços e boa noite.

    Publicado por GISLAINNE | 27/06/2012, 19:32
  6. PS:ALGUNS COMENTÁRIOS ACIMA FORAM BASEADOS NA OPINIÃO DE Dr. Auro Éder Pereira .

    Publicado por GISLAINNE | 27/06/2012, 21:22

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  1. Pingback: Livro Polítitica « Opinião sem Fronteiras - 29/07/2012

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