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Política

Polítitica – 26ª Crônica

O problema não é o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva, é quem está por trás dele. Lula é inofensivo, talvez pela sua inexperiência administrativa que o rotula desta maneira. O novo Presidente da República Federativa do Brasil não se revela um estadista por natureza, um homem de Estado. Muito pelo contrário, ultimamente se tem deixado qualificar como “uma pessoa que só fala bem quando está calada”. Revela-se um homem sem estudo, sem o devido preparo para representar o país, sobretudo internacionalmente. Entretanto, consegue se comunicar com a massa que lhe dá sustentabilidade no poder, talvez porque, de certo modo, falam a mesma língua.

Os discursos formais são protocolares e é evidente que os políticos sabem disto. Lula insistirá em abrir a boca atemporal e informalmente, segundo a sua personalidade, externando de improviso o que pensa sobre assuntos que não domina ou para os quais não foi preparado. Essas inspirações momentâneas podem deixá-lo em maus lençóis. Quem fala o que quer, leva porrada. A arte de falar de improviso só para quem tem raciocínio lógico. Lula já provou, por a+b, que não tem, por isso, amargará muitos reveses com as besteiras que falará. Será que ele tem algum laço de consanguinidade com a Ofélia? Aquela que só abre a boca quando tem certeza. Alguém precisa “colar” no presidente (talvez o próprio Fernandinho) para dar-lhe cotoveladas nessas horas, mas, uma combinação prévia deve haver. Uma cotovelada fala; duas cotoveladas pára de falar ou não abre a boca; três cotoveladas sai de fininho porque não está agradando. Pontapés na canela ficam por conta do Bush. Os papagaios de pirata e os bajuladores com certeza baterão palmas independentemente dos impropérios pronunciados pelo Rei dos excluídos e dos alagados sem sal.

De um todo, isto não é tão ruim assim, porque ficar calado tem um lado positivo, sobretudo quando fica caracterizada a falta de domínio de determinados temas, principalmente matérias que envolvem relações internacionais. Permanecendo calado, Lula não se compromete e pode perfeitamente pôr a culpa no seu porta-voz, André Singer, ou em qualquer Ministro desavisado que permaneça na linha de fogo. Na realidade, espera-se que Luiz Kudikem, perdão, Gushiken, da Secretaria de Comunicação, e Ricardo Kuticomo, perdão novamente, Ricardo Kotscho, Secretário de Imprensa e Divulgação, tenham trabalho redobrado, principalmente na questão da afinação do discurso que, ultimamente, anda machucando os nossos ouvidos.

Afinal de contas, quando é que Lula nasceu de fato? No dia 06 ou no dia 27 de outubro? Se foi no dia 06, é Libra. Caso tenha nascido no dia 27, é Escorpião. Consultei um astrólogo e ele me confirmou – olhando para as estrelas brancas – que pessoas nascidas sob a regência destes dois signos têm personalidades completamente distintas, diferentes, díspares. Pode ter sido outra jogada de Marketing. Onde está o Duda Mendonça para confirmar ou desmentir esta teoria? Esta será mais uma questão de erro de registro?  Coincidentemente, nestas mesmas datas, realizaram-se o 1º e o 2º turnos das eleições 2002, respectivamente. Lula falava nos palanques que o melhor presente que poderia receber no dia 06, dia do seu aniversário, seria a vitória nas urnas. Lula falava nos palanques que o melhor presente que poderia receber no dia 27, dia do seu aniversário, seria a vitória nas urnas. Se houve, de fato, erro na data de registro ou na data de nascimento, agora não importa. O fato é que tem gente que acredita plenamente que Lula nasceu duas vezes. Um novo Messias, um santo apoteótico. Quem sabe a reencarnação do Padre Cícero (Padim Ciço), com diploma, faixa de Presidente e todo o aparato oficial. A sua veste talar já está comprada. É vermelha, como a cor do sangue dos brasileiros.

O novo Presidente, estigmatizado pelo poder, precisa ter o equilíbrio necessário para fazer cumprir, ou pelo menos tentar, todas as suas promessas de palanque. Por sua vontade, tornar-se-á um derradeiro “Pagador de promessas”, com todas as letras e com todo o peso da pesada cruz que terá de carregar às costas, colocada lá por ele mesmo, com a ajuda dos soldados palacianos. O destino dessa grande nação, bem como a sua permanência no cargo de funcionário público nº 1, dependerá disto. É explícito o fato de Lula, outrora líder sindical, não possuir um perfil de pessoa versada nos negócios políticos e que ocupa ou representa o principal cargo administrativo do país. É fato também que o mais famoso metalúrgico pode estar sendo “trabalhado” a favor de interesses nebulosos. O que fica claro, neste processo todo, é outro não menos preocupante evento: Lula assumiu, inconsciente e publicamente, a sua condição de eleitoreiro, que visa tão somente à conquista de votos em eleição futura e não aos interesses efetivos da comunidade geral. O povo será a sua imagem projetada e vice-versa. Um com a cara do outro – provavelmente não por muito tempo. Tem gente querendo quebrar todos os espelhos que encontrar pela frente. O espírito de Nostradamus sinalizou que Lula terá uma vida política ativa por mais uma década apenas. Por um lado isso dá certo conforto à oposição, por outro, é tempo suficiente para Lula formalizar o seu testamento político e preparar sucessores.

A cada eleição, constatamos a reedição de velhos expedientes de palanque por políticos em campanha. Os espectadores se divertem com as cenas de pilhérias e caretas na primeira parte da peça teatral. No segundo ato, o público viaja na maionese e no final do espetáculo já está acreditando em Papai Noel, na eternidade de anão e nas cegonhas como preservadoras e multiplicadoras da espécie humana, enfim, as promessas dos políticos, cada vez mais incisivas e expressas, entram para a “crendice popular”. A massa eleitora permanece em completo estado de entorpecimento da sua inteligência, cenário perfeito para a ação predadora do Marketing Político. Infelizmente. A esta altura, a contrapropaganda talvez não surtisse o efeito desejado. Duda Mendonça soube colocar as palavras certas na boca do Lula que em nenhum momento deixou transparecer intenções dúbias, indecisas, hesitantes, vagas, mal definidas, ambíguas, duvidosas. A adjetivação, um pouco exagerada, vale pela ênfase. Exagero mesmo, só nas metáforas.

Ainda sob o efeito do antídoto, marca DM, Lula sabia que prometer seria o mesmo que “comprometer-se”, “obrigar-se”, algo parecido com “empenhar a sua alma”. Suas promessas, incontestes, em tom de juramento, sinalizaram esperanças de bons resultados na sua gestão, logo de imediato. Aprendi que não se deve prometer aquilo que não se pode cumprir, principalmente quando a materialização dos intentos depende mais dos outros do que de nós próprios. Na verdade, ninguém governa sozinho. Não devemos nos deixar influenciar por simples emocionalidades ou comoções. Promessas de resoluções de todos os problemas que afligem a nação como a fome, inanição, miséria, desabrigo, desemprego, analfabetismo, má distribuição de renda, doenças das mais diversas, violência, narcotráfico, corrupção, etc, etc, etc e etc, não passam de simples retórica. Invariavelmente, esses “disfarces de mentiras” disseminam-se, espalham-se, difundem-se, propagam-se em velocidade geométrica e apresentam-se como verdades, descuidando-se, inevitavelmente, das interpretações que possam advir do processo, por quem possa fazê-lo.

Na visão estratégica, constata-se, também, outra realidade: a falta de foco, um ponto de convergência tão indispensável na elaboração do planejamento, independentemente se de curto ou de longo prazo. Tal situação me dá fobia. Em todo o pensamento conservador existe uma lógica: Lula está fazendo força para deixar de ser sarabulhento, fato que o denuncia como homem meramente comum – nada contra; pelo amor de Deus –, também sou brasileiro. Há quem o queira transformar em um “político híbrido”, ou seja, proveniente do cruzamento de espécies diferentes. O nosso povo, por origem, já o é.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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