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Política

Polítitica – 25ª Crônica

Ficou mais uma vez comprovado que o povo brasileiro “comprou a ideia da mudança” sem ter a plena consciência disso; sem ter a percepção do que se passa na política; sem a lucidez necessária; sem fazer o julgamento íntimo das próprias ações (e as dos outros também) que permita medir consequências; sem demonstrar sentimento de responsabilidade; sem saber realmente o que representava “mudança” no seu pleno conceito; sem compreender o “verdadeiro significado da mensagem política”, imposta pelos magos incorporados, que em tempos de eleições, só sabem conjugar o verbo “mudar”. É muito provável que a agência de propaganda que o mago Duda Mendonça preside “ganhe” a conta de publicidade do governo federal como “gratificação” pelos serviços prestados aos interesses pessoais do candidato petista.

Se imitar o procedimento do funcionário público nº 1, Lula, que convidou o Ciro Gomes para assumir o Ministério da Integração Nacional, é provável que Duda Mendonça também convide o Nizan Guanaes como sócio participativo de sua agência. Vai ter dinheiro de sobra para os dois (aqui no Brasil e lá fora). Nesta altura do campeonato, a disputa pessoal entre esses dois marqueteiros, perdão, Profissionais da Comunicação Subliminar, ocorrida durante as campanhas – Duda Mendonça como publicitário de Lula e Nizan Guanaes como publicitário de José Serra –, foi sepultada neste primeiro de janeiro. Ambos, a seu modo, conseguiram unir nas campanhas o “desejo de mudança sem utensílios” e praticaram um Marketing acertado para uma proposta de política errada e incompetente. Duda Mendonça acertou o público alvo bem na bunda, enquanto Nizan Guanaes levou nela.

Então, ao contrário do que se pressupõe, os eleitores não fizeram desta última uma eleição equilibrada pelo fato de terem elegido Lula Presidente e ao mesmo tempo em que o estavam enfraquecendo no Congresso Nacional e nos principais governos estaduais. O PT perdeu em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e, com destaque, sua derrota histórica no Rio Grande do Sul, vitrine do partido. Este equilíbrio foi acidental, fortuito, casual. O povo não votou no partido, mas sim na pessoa de Luiz Inácio Lula da Silva, a reencarnação do santo salvador. Esta tendência mostrou ramificações nos votos para Senadores, Deputados e Governadores. O povo, por cultura, não soube e ainda não sabe discernir esta questão, devido à sua complexidade, e nem irá entender tão cedo, porque as elites do poder não têm interesse que isto aconteça, sob qualquer pretexto. Portanto, o resultado final obtido nas urnas provou, mais uma vez, que a imagem dos candidatos é extraordinariamente mais forte do que a ideologia pregada pelos partidos políticos, ou por qualquer instituição que esteja por trás das colunas do palácio.

De ideologia, o povo também não entende absolutamente nada, como nunca entendeu. Tanto Duda Mendonça, quanto o Nizan Guanaes, enriqueceram os seus currículos com essas experiências vividas, e, com certeza, para as próximas eleições saberão usá-las na formulação das estratégias, caso sejam contratados. Eles também sabem – como poucas pessoas mais chegadas – que se o José Serra tivesse o dedo mindinho cortado por um facão (não importa se da mão direita ou esquerda) nos tempos em que ajudava seu pai no mercado de frutas em São Paulo, se ostentasse uma bela barba e se fosse dotado de um pouco mais de simpatia, a disputa no segundo turno teria um final diferente: um empate técnico com a vinda do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, com sua particular política intervencionista, para desempatar esta contenda tropical.

A massa que elegeu Lula, base da pirâmide social, exigirá respostas rápidas para os seus anseios, para os seus desejos ardentes, para as suas necessidades básicas e aspirações. Se, ao final de vinte e quatro meses de governo, não acontecer absolutamente nada para o bem de todos e felicidade geral da nação, de quase 180 milhões de formigas, espera-se o desencadeamento de uma “forte onda de pressão” vinda da própria massa trabalhadora (empregados e desempregados) que o levou inconscientemente ao poder – imaginário. Enquanto isso, o MST aquecerá a fornalha do inferno com as suas reivindicações.

O PSDB, partido do ex-presidente FHC x 2, que elegeu sete importantes governadores, inclusive na maior capital do país, São Paulo, mais cedo ou mais tarde irá se posicionar na oposição da mesma maneira como o PT o fez com relação ao governo de Fernando Henrique nos dois mandatos, mas, só com pitadas de sutilezas. Este, talvez, tenha que retornar de algum país amigo para prestar socorro a algum político desorientado. Não faltarão cobranças mais imperativas. Que as nossas torres constitucionais não caiam – estão balançando.

Risco de ser afastado logo no primeiro ano de governo, Lula não corre. Risco de renunciar nos doze meses seguintes, também não. O perigo começará no 25º mês de governo, quando alguns dos seus ministros – que começaram com ele – já não estarão mais lá para ampará-lo como antes e os que permanecerem no cargo ficarão do lado do Brutus. Na verdade, nem mesmo George W. Bush estará lá. Vai ter gente achando que o ex-presidente Collor é um anjo de candura se comparado aos corruptos que farão parte do governo Lula, alguns dos quais servirão como boi-de-piranha; outros gozarão da proteção do rei, escondidos sob o “manto sagrado” da imunidade, da mãe proteção, da intocabilidade. Essa é outra forma de “Guerra de ideologias”.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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