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Sexo

Sexo, as mulheres escolhem

“Quando o amor se intensifica, entram em jogo as pressões ou arranhões no corpo com as unhas. As pressões com as unhas, entretanto, não são comuns senão entre aqueles que estejam intensamente apaixonados, ou seja, cheios de paixão. São empregadas, juntamente com a mordida, por aqueles para quem tal prática é agradável”.

Trecho do livro Kama Sutra – antigo texto indiano sobre o comportamento sexual humano.

Uma grande amiga me telefonou ontem pela manhã e me pediu para que comentasse, do ponto de vista masculino, sobre matéria relacionada a sexo, cujo texto me disponibilizaria por e-mail; não era texto, e sim fotos. A princípio fiquei perplexo pela ligação porque o relógio marcava 06h30min e acabara de fazer sexo, e quando isso acontece, prefiro relaxar um pouco, tomar um café de hotel, ler os jornais. Ainda bem que o telefone não estava no dispositivo ‘viva voz’. Não fosse a forte amizade que guardamos um pelo outro, a teria dispensado, sem dúvida alguma, e tentaria uma segunda relação. Segundo ela, uma revista francesa de nome Cosmopolitan realizou uma pesquisa junto a um grupo de mais de 2.500 mulheres sobre as posições sexuais do livro Kama Sutra e elas escolheram as 10 posições de sua preferência, ou seja, aquelas que “elas disseram mais gostar”. Mentiram? Quem vai saber? Só quem conhece da arte de fazer sexo, e que tenha aplicado um pouquinho de psicologia no trato com o público feminino nos seus mais intensos momentos de intimidade, poderá endossar as escolhas feitas, por elas. Por via de regra literária (porque “via de regra” é o próprio órgão sexual feminino), e valendo-me do direito adquirido pela prática sexual faz meio século, comentarei, uma a uma, as 10 posições escolhidas pelas mulheres pesquisadas, sem sentimentalismos baratos. Griselda não me disse quando a pesquisa foi feita, todavia, as pessoas modernas não querem saber disso, elas só se preocupam com os resultados práticos apontados e com o que podem extrair deles para proveito próprio. Não quis me aprofundar na pesquisa – tinha outros compromissos de agenda –, muito embora considere um assunto bastante interessante e de grande apelo de mídia. Arte Alpino. Vamos lá.

1ª. A mesa é um lugar sagrado, por isso, devemos tomar alguns cuidados antes de praticarmos sexo sobre elas, principalmente se nelas fazemos as nossas refeições diárias. “Isso é bom!” a gente sabe que é, ninguém precisa falar com tanta ênfase e a toda hora. Recomendo outros tipos de mesa como a maca hospitalar, a mesa do chefe, a mesa da cozinha da sogra onde ela desossa frango, mesa de sinuca, mesa do necrotério, etc. Conheço um psicopata sexual que já fez sexo numa mesa de autópsia. Há controvérsias com relação ao que os irmãos franceses chamam de C’est si bon. A última vez que eu pratiquei a posição mostrada na foto acima, digamos meio “frango assado”, e olha que não tem tanto tempo assim, bati com os testículos na quina da mesa; se tivesse tampo de vidro certamente estaria procurando as bolas até hoje. No momento da penetração há risco iminente do pênis enveredar por caminhos errados, desde que proibidos. A posição, primeira da série, proporciona relativo conforto para o cara, mesmo que de pé. Como os rostos estão afastados, ter hálito ruim passa despercebido, desde que o sexo por sexo seja a única coisa a fazer naquele momento. Na probabilidade de vir a ter um AVC decorrente das fortes emoções sentidas, basta segurar nas pernas da moça que não cairá no chão. Seja gentil com ela, coloque um cobertor dobrado debaixo das suas costas. Se pintar a chance de sexo oral nessa hora recomendo que o cara faça uso de um banquinho. Nota 8,5.

2ª. Posição boa para os homens que não sofrem com dores de coluna. Outras duas exigências: (a) O cara não pode ser barrigudo; (b) Antes ele deve dar uma passadinha no cardiologista para exames de rotina, sobretudo testes de esforço, caminhada na esteira, entre outros. Aulas numa academia de ginástica também são necessárias. Como os movimentos são feitos com o corpo na vertical, devidamente em pé, a força física conta muito. Imagine um cara fraco que não aguente o peso da companheira; suas pernas começarão a tremer, os braços ficarão dormentes pela dupla carga de esforço, enfim, taquicardia, suor, câimbras; esses problemas são suscetíveis de acontecerem. A posição escolhida “União Suspensa” passará a se chamar “Separação arriada”, numa eventual queda da dupla. E tem mais, esta posição não dá muitas margens para manobras; se o pinto sair de onde está, quem o colocará no lugar? Se o cara soltar uma das mãos deixa a mulher cair, se, por sua vez, ela largar uma das mãos para recolocar o pinto de volta no buraco tem a probabilidade de cair pra trás. Seria fatal. Portanto, cerque-se de todas as garantias antes de praticar esta posição, principalmente se ela tiver com dor de barriga. No caso de a mulher insistir nessa sua escolha, “União Suspensa”, objeto de pesquisa democrática, leve-a imediatamente para uma mesa que não seja de refeições. Nota 5,5.

3ª. Lótus (Loto) é certa planta aquática ou a sua flor. Flor de lótus vai virar o seu saco se você sentar em cima dele, o que é muito provável se optar por esta posição. Mesmo que você não sente em cima dele, ele não ficará totalmente a salvo porque, dependendo do peso da jovem, você poderá ter os ovos esmagados logo nos primeiros movimentos de sobe e desce; o mínimo que poderá acontecer com os ovos é se transformarem numa bela “panqueca roxa”. O pênis também pode sofrer contusões generalizadas, ou seja, dobrar, torcer, no momento em que a parceira descer rapidamente e o cacete não encontrar o caminho de casa, enfim. Lembre-se de que você ficará como um “2 de paus”; só ela fará os deslocamentos. O cara, se sentir vontade de peidar, naquela posição, está frito. Peido espremido costuma feder muito e geralmente é um prenúncio de merda a caminho. Nem hiena aguenta. O foda é se a flatulência partir dela, coitada. Eu já vi muitos relacionamentos acabarem por causa das consequências desta escolha feminina, a dita “Posição de lótus”. E depois, tem mais, se bem terminado o ato, sem traumatismos, o cara só se levantará com a ajuda de vizinhos ou de parentes mais próximos. Depois dessa, esqueça, o sexo pára por aí. Nota 4,5.

4ª. “A bomba”, assim batizada a posição acima, apesar do aparente conforto para o casal, tem os seus probleminhas. Um deles é quanto à seleção da cadeira. O tesão quando se manifesta deixa algumas pessoas cegas (meu avô dizia que pau direito não tem respeito); foi o caso de um amigo, executivo de uma multinacional, que comeu a secretária na sua cadeira de trabalho, exatamente na posição “A bomba”. A cadeira de executivo costuma ter braços e a dele não era diferente. Uma das pernas da moça ficou enganchada num dos braços da cadeira que só foi liberada com o auxílio do corpo de bombeiros, chamado às pressas para socorrer o casal antes que a polícia chegasse. Outro inconveniente é o fato de a posição estimular a vontade de beijar os seios da parceira; desvantagem essa se ela for bem mais baixa do que você, razão pela qual os seus peitos ficarão fora do alcance da sua boca, assim como os peitos moles de uma mulher mais velha. Inevitável o cara ficar lambuzado depois do orgasmo. Nota 7.

5ª. Depende. A imagem lembra muito a posição “Papai e Mamãe”. A princípio parece-me falta de criatividade por parte do casal. Sei lá! Sem críticas. Cada qual faz amor como quer, ou como pode. Por outro lado, a posição escolhida pelas mulheres em pesquisa, “Abertura ampla”, faz-me recordar de um episódio que houve com um amigo caminhoneiro. Numa dessas longas viagens pelas estradas da vida; ele pegou uma profissional do sexo na beira da estrada, convencendo-a a dar uma rapidinha ali mesmo no chão, debaixo da carreta. Como ele tem saco grande, moral da história, encheu o C@#$%@U dela de terra. Não é o caso de milhares de casais espalhados por esse mundo afora, que preferem a cama macia ao chão da estrada, até porque nem todos os homens são dotados de saco grande, e outros milhares não têm a dita criatividade que lhes permita variar nas posições. Nome nada sugestivo, “Abertura ampla”, dá a entender que a mulher é muito larga e o pênis nadando de braçada como aquele nadador sozinho numa piscina olímpica. É claro que a “Abertura ampla” sugere pernas bem abertas. Mulheres pernetas, que usam pernas de pau móveis, não podem, como não devem, fazer esta posição.  Nota 6.

6ª. “O Barco bêbado”. Quem não pode estar bêbado é o cara. Ela até pode. Essa posição lembra “A bomba”. Há uma diferença visível na comparação das cadeiras. Na posição “A bomba”, as cadeiras, em geral, são fixas ou se movem muito pouco; já na posição “O Barco bêbado” as cadeiras têm que ter muito movimento, ou seja, girar num eixo, virar de frente pra trás, de trás pra frente, de lado pra lado – é um verdadeiro barco à deriva. O “Barco bêbado” proporciona orgasmos rápidos, e, para prazeres demorados é necessária muita concentração de ambas as partes. Cuidados: Evite girar rapidamente a cadeira para evitar enjôos, sensação de tontura; não vá na onda da parceira para não cair da cadeira; nunca tente fazer sexo oral na posição “Barco bêbado”, desembarque primeiro, a jovem pode permanecer embarcada. Confira se a mulher não tomou laxante antes do sexo. Nota 9.

7ª. Tem mesa na parada? Vide comentários da 1ª posição, “Isso é bom”. São posições que se entrelaçam, elas se completam. Nas prévias, ou nos movimentos conclusivos, elas acontecem cada qual no seu tempo. Um detalhe, “O cadeado”. Como assim? Dá margem a uma série de interpretações, mas, por honesto pudor, fico com um conceito apenas. Juro. “Cadeado” porque a mulher envolve o parceiro com as pernas, prendendo-o ao ato – está preso, não sai daqui! Só depois do orgasmo. Dependendo de como ele usa “a chave”, o “cadeado” abre e fecha de acordo sua vontade. Cuidado com os testículos. Jamais faça sexo oral nesta posição porque ela pode lhe dar uma chave de pernas e você morrerá por falta de ar. Nota 8,5.

8ª. Enfim, o “Frango assado”. Depois de gozar não jogue o seu corpo com muita força sobre o dela, ou seja, não faça pressões desnecessárias, porque você pode causar lesões na coluna da moça. Não tente beijar os seios nessa posição; não conseguirá, por isso, beije antes. Outras recomendações tornam-se fundamentais: Não erre o alvo, salvo se convidado a fazê-lo. Como a penetração, nessa posição “Ascendente” é extremamente facilitada, tenha certa cautela com os ovos, porque o lugar deles é do lado de fora – sempre. Na boca é circunstancial. Há também a possibilidade de gozo precoce. Não se desespere, porque a excitação é continuada e a vez dela chegará se você for um bom parceiro. O sexo oral é obrigatório. O momento pede. Desligue o telefone e não atenda a porta. Olhe fixamente nos movimentos dos olhos dela. Cada movimento dos olhos revela uma sensação, O homem experiente sabe se ela gozou ou não só no olhar. Nota 9,5.

9ª. Sem medo de errar, esta posição, “Tigre e o Dragão”, é a preferida da mulherada que eu conheço. Elas ficam inteiramente submissas ao parceiro, vulneráveis, desprotegidas; pedem pra levar umas palmadas na bunda. É uma entrega total. O instinto animal se manifestando. Só questiono a escolha dos bichos Tigre e Dragão. Eu usaria os quadrúpedes cavalo e égua, então, rebatizemos a posição de “O Cavalo e a Égua”. Fica melhor assim. A mulher sempre demonstrou uma imensa vontade de se sentir dominada pelo macho, um desejo explícito; ter os cabelos puxados com força no ato sexual como se rédeas fossem – algumas até gostam de levar umas boas tapinhas na cara antes de ficarem de quatro, o que facilita tremendamente a penetração. O cara que tiver saco grande, infelizmente, pode deixar a jovem gripada com o forte deslocamento de ar causado pelo balanço do saco. Nesta posição o visual é maravilhoso, deslumbrante; formas perfeitas mostram o quanto é sedutor o corpo da mulher. Os odores exalados fazem dilatar as narinas. Faça sexo oral mantendo a mulher nesta posição; aprenda antes a tragar. Ejacule nas costas dela e esfregue as mãos. Experiência indescritível. Nota 10.

10ª. Está mais pra “Urso Branco” do que para “Tigre Branco”. Dependendo da idade do cara ele não aguentará por muito tempo esta posição. Recomendo que o cara fique de joelhos só na missa ou quando for pagar promessa. No começo é bom, depois começa a dar uma dor danada nos joelhos. Se o cara gosta de bater uma bolinha com os amigos no final de semana, então não priorize esta posição sexual, caso queira, arranque a almofada do sofá e coloque-a debaixo dos joelhos, mas cuidado com a altura, não dê uma de poodle querendo comer uma cadela dálmata. É gostoso segurar nas ancas da mulher, parece que a cintura afina e a bunda cresce. Aperte os peitinhos da moça a cada 30 segundos, se forem durinhos – caso moles, veja se arrastam no chão e diminua a velocidade das penetrações; do entra e sai. Como na posição anterior, faça sexo oral mantendo-a de quatro. Amarrar o saco para trás é prudente. Ai meu Deus! Mata papai! Nota 9,5.

Fazer sexo é como andar de bicicleta, quando se aprende não se esquece jamais, porém, fatores de relacionamento pesam na hora “H”. Tudo é muito relativo. O simples toque pode representar um prazer indescritível, para ambos, em forma de orgasmo continuado. Um rápido “amasso” no banheiro de aeroporto também. A “pegada” mais forte representa sensação de domínio, poder absoluto. Preocupo-me com a escolha antecipada de posições sexuais de melhor grado, antes da prática, antes do acontecimento. Esta “escolha antecipada” tem uma conotação de sexo programado, portanto, descaracteriza o instinto. O momento faz a posição, a intensidade do tesão corrobora, a excitação determinante. Tchau, agora vou tentar a segunda relação, interrompida no telefonema da minha amiga Griselda.

Augusto Avlis.

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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