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Fatos em Foco

“Comissão da verdade”.

Confesso que tive certo receio de escrever sobre o tema “Comissão da Verdade” porque não queria ferir suscetibilidades; ficar exposto em demasia; exumar lembranças. Não seria bom para nenhum dos lados. Comecei a colocar as primeiras palavras no papel, ou melhor, na tela do meu Notebook, mas a tecla ‘Del’, demonstrando ter piedade de mim, me fez apagar tudo, motivo pelo qual fui acometido por uma frustração danada. Desliguei o Note e resolvi caminhar na praia de Itaparica, chutei alguns objetos de pequeno porte jogados ao longo do calçadão, meu cérebro fervilhava. Recordar é viver, todavia, há casos em que determinadas recordações podem decretar a pena de morte do meu intelecto. A história é escrita pelos vencedores – os derrotados ao seu modo. Não se constrói o futuro somente olhando pra trás, sem consolidar o presente. Estamos perdendo uma das coisas mais preciosas do ser humano: a capacidade de reação. Talvez seja melhor assim, não estamos preparados, de modo que uma ação oposta à outra, em resposta, é coisa do passado. Deixemo-lo quieto. Cada qual que faça a sua própria história, segundo as suas verdades.

Millôr Fernandes

Millôr Fernandes

Pedi licença ao Millôr Fernandes * para inserir nesta matéria um texto de sua autoria, e como a concessão foi-me dada, aí mesmo que deixo de falar besteira aos pés da Santa Cruz.

Um minuto de silêncio…

As nossas Instituições estão à beira do colapso; as leis, os princípios ou regras pelas quais se rege uma sociedade não estão atendendo ao clamor dos brasileiros. A nossa Constituição está sendo carcomida por legisladores de quinta categoria; segundo o Anuário da Justiça, em 2011, 83% (Oitenta e três por cento) das Leis Federais e Estaduais julgadas pelo Supremo Tribunal Federal foram consideradas inconstitucionais. A Suprema Corte é discricionária; o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, rechaçou as críticas e ataques dirigidos a ele pelo ex-presidente do tribunal, Cezar Peluso, que causaram péssimo clima no Supremo: ele disse que Joaquim tem um temperamento difícil, que é uma pessoa insegura, e que tem receio de ser qualificado como alguém que foi para o STF não pelos méritos que possui, mas sim pela sua cor. O decrépito do Lula vem pressionando a Suprema Corte para que atrase o julgamento do Mensalão – segundo reportagem da revista VEJA, houve um encontro entre o ex-presidente Lula e o ministro do STF Gilmar Mendes no escritório de advocacia do ex-ministro Nelson Jobim, em Brasília, no último dia 26 de abril. Disse Lula ao ministro Gilmar Mendes, a propósito do processo do Mensalão, que aponta 36 réus: “É inconveniente julgar esse processo agora, […] José Dirceu está desesperado”. Com sua metralhadora giratória, nesse mesmo encontro, Lula comentou que tinha total controle político da CPI do Cachoeira, oferecendo “proteção” ao ministro Gilmar Mendes, garantindo, ainda, que ele não teria motivo algum para preocupação – a proteção oferecida por Lula seria uma espécie de blindagem do ministro, uma vez que rumores que correm nos bastidores da CPI dão conta que ele, Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres teriam viajado juntos a Berlim com as despesas pagas por Carlinhos Cachoeira. Os nossos jovens, órfãos de pais vivos, estão mergulhados nas drogas e na criminalidade, comprometendo a sobrevivência desta geração. O programa “Fome Zero”, instituído por Lula no seu primeiro mandato, deixou o povo com dor de barriga. O famigerado “Bolsa Família” é o maior programa de compra oficial de votos que a política brasileira jamais viu. A propalada liberdade de imprensa é um embuste. A carga tributária no Brasil é imoral, desonesta, e a contraparte do governo federal iníqua. O Impostômetro não pára de correr…

“Joga pedra na Geni!
Joga bosta na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!”

Sinto-me torturado psicologicamente. Acima, naquele parágrafo único, num bolo só, temos 10 (dez) casos escabrosos que merecem toda a nossa atenção e, sobretudo, providências emergenciais. Basta escolher um e começar a trabalhar, para o bem do povo. Fazer algo de útil, de utilidade pública. Deixemos a história ser contada por historiadores, e não por políticos. A imprensa descobriu o ‘Wally’ e o PC Farias, por que não contratar os melhores jornalistas “possuidores de diploma de curso superior” para auxiliarem nessa tarefa; a ABI – Associação Brasileira de Imprensa pode fazer recomendações a respeito. Que tal a revista VEJA? As informações estão disponíveis, basta coletá-las no lugar certo, por gente certa, com gente certa e na hora certa.

“Ao instalar a Comissão da Verdade, não nos move o revanchismo, o ódio ou o desejo de reescrever a história de uma forma diferente do que aconteceu”. “Nos move a necessidade imperiosa de conhecê-la [a verdade] em sua plenitude, sem ocultamento”

Dilma Rousseff

Os homens fazem a história e nós jornalistas a registramos. Os acontecimentos nem sempre têm como pano de fundo o azul celestial e os personagens atuantes, ainda que queiram retocar a maquiagem, não conseguem modificar as expressões de origem. A realidade deixa-se fotografar, cruel. Nossa sociedade está doente; capitalizando mazelas; caminhando em direção a encruzilhadas, cujos caminhos não levam a lugar nenhum. Às vezes os papéis de estopim, fogo e substância explosiva confundem-se. Imaginemos um menino estourando uma bombinha de São João dentro de um lotado galinheiro; pois é, nessa hora comparo o comportamento sociológico às alvoroçadas galinhas. Vivemos numa era em que as informações nos chegam na velocidade da luz e em quantidade além da nossa capacidade de digeri-las, dissecá-las, porém, sem a qualidade necessária para estabelecermos juízos de valores com isenção e fundamentação. O processo educacional, sem dúvida alguma, é a porta de entrada para o resgate da cidadania, e a porta de saída do estado de ignorância assistida e indigência mental. Recomendo a leitura da matéria “Uma questão de educação” presente neste meu Blog, na Categoria EDUCAÇÃO. Os episódios que hoje presenciamos, estupefatos, objeto da CPI do Cachoeira (Isso dá pano pra manga), coloca em xeque a nossa capacidade de discernimento: Será que estamos subjugados a uma forma de governo em que o poder Legislativo e, até certo ponto, o Judiciário se concentram no poder Executivo? As “interferências externas” apontam nesse sentido.

Dilma Rousseff com ex-presidentes ao chegar para cerimônia de instalação da Comissão da Verdade.  (Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência).

Dilma Rousseff com ex-presidentes ao chegar para cerimônia de instalação da Comissão da Verdade.
(Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência).

Dilma Rousseff com os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Collor, José Sarney e Fernando Henrique Cardoso,  no Palácio da Alvorada, após instalação da Comissão da Verdade. (Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula).

Dilma Rousseff com os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Collor, José Sarney e Fernando Henrique Cardoso,
no Palácio da Alvorada, após instalação da Comissão da Verdade. (Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula).

“O Brasil merece a verdade, as novas gerações merecem a verdade e, sobretudo, merecem a verdade factual aqueles que perderam amigos e parentes e que continuam sofrendo como se eles morressem de novo e sempre a cada dia. É como se disséssemos que, se existem filhos sem pais, se existem pais sem túmulo, se existem túmulos sem corpos, nunca, nunca mesmo, pode existir uma história sem voz. E quem dá voz à história são os homens e mulheres livres que não têm medo de escrevê-la”.

Dilma Rousseff

A “Comissão da verdade” irá apurar e investigar as violações dos Direitos Humanos cometidas pelo Estado entre os anos de 1946 a 1988, incluído, portanto, o período da Ditadura Militar. Será este tempo mentira? Será que o verdadeiro período de “desenterrar ossos” é só o compreendido na “Ditamole Militar” entre 1964 a 1988, portanto 24 anos apenas? O número 24 é bem sugestivo!  É composta por sete pessoas de escolha de Dilma Rousseff, que fez questão de dizer que não foi movida por “critérios pessoais” ou por “avaliações subjetivas”, escolhendo, segundo a presidente, um “grupo plural” de cidadãos de reconhecida competência, sensatos e ponderados. Integram a chamada “Comissão da verdade” 3 advogados (José Carlos Dias, Rosa Maria Cardoso da Cunha e José Paulo Cavalcanti Filho); 1 sociólogo (Paulo Sérgio Pinheiro); 1 psicanalista (Maria Rita Kehl); Gilson Dipp, ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Cláudio Fonteles, ex-procurador-geral da República. O grupo terá dois anos para apresentar um relatório com a narrativa e as conclusões sobre os crimes cometidos. Coincidentemente, este ano será 2014, ano de eleições para Presidente da República, Senador, Deputado Federal, Governador, Deputado Estadual. Só espero que o aludido relatório não seja usado como mote de campanha política. Na visão de Dilma, ao considerar um “grupo plural”, referiu-se ao número que designa mais de um ser, de modo que a pluralidade foi garantida no quantitativo, ou seja, mais de um ser. Eu estava esperando que o grupo composto pelos sete brasileiros tivesse dez ou vinte, com formações diferentes, preferencialmente engajados, comprometidos com a história. Cinco, dos sete membros da “Comissão da verdade”, têm ligação direta com o Direito, com as Leis, são “protetores”, “defensores” e “patronos”, portanto, esperemos o julgamento final.

Eu tenho um amigo idiota chamado Eremildo – muita gente o conhece. Confidenciou-me que não haverá “Caça às Bruxas”, nos moldes da perseguição religiosa e social que começou no século XV e que alcançou o seu ápice nos séculos XVI e XVII, sobretudo na Alemanha, Suíça e na Inglaterra. Temo que o PT consiga cópia do Malleus Maleficarum (Martelo das Feiticeiras), o mais famoso manual de “Caça às Bruxas”, datado de 1486. Caso obtenha o manual, não dispensará tratamento humanitário a todos os “prisioneiros virtuais” identificados pela “Comissão da verdade”. A alma do general (da linha dura) Artur da Costa e Silva, manda dizer que o julgamento por tribunais de exceção só no Inferno. Não cabe nesse momento da história brasileira mais nenhuma ação truculenta, mesmo que provinda da caneta. A água dos oceanos e dos mares continuará salgada.

A história brasileira não precisa ser reinventada, como a roda já o foi várias vezes por quem a considera quadrada. Desviar a atenção da população dos problemas cruciais porque passa a nação; confundir a opinião pública com recontadas estórias; fazer tempestade em copo d’água; afrontar o Estado Democrático de Direito, baseado no “Princípio da Dignidade Humana”; criar mecanismos para subverter pensamentos; espero que não sejam expedientes corriqueiros. Houve tempos que cheguei a pensar que a Inconfidência Mineira foi uma farsa – culpei o tresloucado do Eremildo por isso. Ao olhar demoradamente para o semblante do ex-presidente Fernando Affonso Collor de Mello na foto acima, algo me faz pensar que alguma coisa de importante acontecerá no cenário político brasileiro. A propósito da foto, sugiro que o Instituto Lula financie o Livro-Bomba escrito por Collor após ter sofrido o processo de Impeachment, antes que ele sofra ‘tortura chinesa’ por parte de alguém interessado que a história não venha a público. Esse registro histórico de Collor não pode ficar escondido nos porões da ideologia, a espera que daqui a 50 anos surja um novo presidente dotado de certa visão transcendental e resolva desenterrar a história para o conhecimento das gerações não comprometidas com ela. Se, com a publicação do Livro-Bomba, a República cair, a gente constrói outra. O nosso povo é, e sempre foi, o verdadeiro obreiro da Ordem e do Progresso.

É uma pena que Millôr Fernandes não possa depor na “Comissão da verdade”, da mesma forma que o Carlinhos Cachoeira não queira depor na “CPI da Mentira”. Talvez os militares americanos da Prisão de Guantánamo se ofereçam para convencê-lo.

(*) Milton Viola Fernandes, o Millôr Fernandes, nasceu no Rio de Janeiro em 16 de agosto de 1923 e faleceu no dia 27 de março de 2012. Tinha 88 anos. Millôr Fernandes foi Jornalista, Escritor, Tradutor, Dramaturgo, Humorista e Desenhista.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

4 comentários sobre ““Comissão da verdade”.

  1. Boa tarde caro Augusto!
    olha essa propaganda q a fifa proibiu ,no mínimo trágico né?
    abraços.
    http://www.videosdodia.com/a-propaganda-de-cerveja-mais-sincera-de-todas/

    Publicado por Gislaine Patricia Oliveira | 18/03/2014, 12:46

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