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Fatos em Foco

CPI – Coisa Pra Idiota.

CPI – Coisa Pra Idiota

Poupem-me, pelo amor de Deus. Hoje, 28 de maio de 2012 (07h00min), ao acordar, deparei-me com a seguinte manchete: “Oposição quer convocar Lula a dar explicações na CPI do Cachoeira”. Eu não aguento mais isso! Babaca, por que você sabe ler? Por que não foi classificado como analfabeto funcional, a exemplo dos seus 20 milhões de irmãos brasileiros? As coisas seriam bem diferentes, sem contestações idiotas como a própria CPI. O Brasil funcionaria melhor com mais idiotice. Burro que sou, dei continuidade à leitura da matéria: “Reportagem publicada nesta segunda-feira pelo jornal Folha de São Paulo revela que a oposição quer pedir explicações, na CPI do Cachoeira, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes sobre a reunião entre os dois em que Lula teria tentado conseguir um adiamento no julgamento do Mensalão. No encontro, que ocorreu em abril, o ex-presidente teria insinuado uma blindagem ao ministro nas investigações sobre o bicheiro em troca do adiamento, de acordo com Mendes. A assessoria de Lula confirmou o encontro, mas negou o conteúdo da conversa”. Kakakakakaka… Minha patroa, assustada com a minha gargalhada – até porque já estava atraindo as hienas palacianas –, veio ao meu escritório ver o que estava acontecendo. Sorte minha, já estava sem fôlego, roxo, fato que levou a patroa a me dar um tremendo murro nas costas seguido de um copo d’água. Ao ensejo, me deu um pedaço de papel que esquecera sobre a mesa do jantar de ontem, domingo, 27 de maio de 2012. Eu gosto de registrar datas para a posteridade, facilitando o trabalho das futuras “Comissões da Verdade”. Mal sabia a minha mulher que o que estava escrito naquele pedaço de papel amassado, e manchado com molho da macarronada, quase me matou de rir – de novo! Kakakakakaka… O texto, de minha autoria (infelizmente), segue abaixo. Caso não tenham motivos para rir, então chorem – os meus amigos e irmãos lusitanos já o fizeram.

O poder da síntese

Uma nau portuguesa há vários meses navegando pelo oceano Atlântico, sem que os marujos tomassem banho ou trocassem de roupas – o que não era novidade naquela altura –, o navio fedia tanto que ninguém aguentava.

O Capitão, portanto, chama o seu Imediato e ordena:

Senhor Antônio, o navio está a feder; como está bastante frio e não há água suficiente cá, mande urgentemente os homens trocarem de roupa, e que seja já! Entendeu, pá?

Sim, senhor comandante; às vossas ordens. Serão transmitidas incontinenti.

O Imediato, senhor Antônio, reúne seus homens e diz:

Homens, o Capitão está a se queixar do fedor a bordo e ordenou que todos troquem de roupa urgentemente, caso contrário serão atirados ao mar, oh! Pá…

Então, Manoel trocou a sua roupa com Joaquim. Pereira trocou a sua roupa com Gomes. Esteves trocou a sua roupa com Francisco. Augusto trocou a sua roupa com José. E assim prosseguiu a permuta das vestimentas entre os fedidos. Quando todos tinham feito as devidas trocas, o Imediato, senhor Antônio, retorna prontamente ao Capitão e diz:

Senhor Capitão, todos já trocaram de roupa segundo a vossa ordem, sem objeções. Só uma coisinha, senhor Capitão: A barriga do senhor Esteves não o permitiu fechar o jaleco recebido do senhor Francisco, mas, dou por concluída a missão.

O Capitão, visivelmente aliviado, ordenou em seguida ao seu Imediato:

Senhor Antônio, troque a sua roupa comigo, e, a propósito, deixe o marujo Esteves três dias sem comer e prossigamos viagem!

Nota: O texto original é de autor desconhecido (recluso como eu); pelo menos ninguém reclamou patente. A escrita foi-me passada, via e-mail, por um amigo desocupado, que prefere manter a identidade sob sigilo absoluto, da mesma forma a sua nacionalidade. Adaptei-o à linguagem lusitana, sem segundas intenções, apenas respeitei a vocação náutica dos patrícios, donde minhas origens vieram. Exorbitei no uso de adendos.

A bordo daquela nau portuguesa, o trocar de roupas (sujas) entre os marujos faria diminuir o mau cheiro (efeito psicológico), na medida em que todos, indistintamente, sentiriam na própria pele, e no próprio nariz, o romântico fedor do seu companheiro mais próximo, de modo que até os normais comentários seriam de tal ordem atenuados, e, como todos estavam dentro do mesmo barco, era só seguir, ou melhor, navegar em frente – ninguém iria se importar mesmo.

Você acaba de entender, exatamente, o que é o Brasil no governo atual – também por efeito psicológico, ninguém se incomoda com os odores dos excrementos políticos. Na nau Brasil, mantém-se as roupas sujas e trocam-se os corpos que as preenchem – vestimentas sujas que não se lavam em casa. Como missão, o governo federal convoca os partidos aliados para espantar as moscas, não perde tempo em remover o monte de bosta e espera que alguma empreiteira traga uma muda de roupa limpa para vestir a corrupção. Terra à vista! Kakakakakaka…

Augusto Avlis.

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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