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Política

Polítitica – 16ª Crônica

Mudança, transformação, alteração. Na verdade, estas três palavras querem dizer a mesma coisa, no seu significado, na sua essência. Os tempos mudam, assim como as suas estações, a cada ano que passa. Junto com eles, os tempos – pedaços momentâneos de histórias vividas –, atitudes, procedimentos, comportamentos, posturas, circunstâncias e reações em relação às pessoas também mudam. A certeza da mudança nos torna iguais ou diferentes, sob o ponto de vista do objeto modificado. As opiniões, decorrentes deste processo, seguem a mesma tendência, conforme podemos verificar a seguir.

Nos anos 50, quando o filho não estudava, os pais diziam: “Esse menino é um ignorante, vai virar burro de carga e puxar carroça”.

Nos anos 60: “Se não estudar, esse menino vai ficar igualzinho ao seu tio: sem objetivo, sem futuro e vivendo às custas da pensão da mãe”.

Nos anos 70: “Não adianta falar mais. Ele não estuda porque decidiu ser roqueiro, rebelde e contestador – tá na onda, bicho, tá legal”.

Nos anos 80: “Esse aí não quer porra nenhuma com a hora do Brasil, só vai à escola pra comer merenda e as colegas da sala”.

Nos anos 90: “Esse menino quer virar garoto de rua, por isso não estuda. Na rua, ele acha que ganhará dinheiro fácil”.

No ano de 2002, pra princípio de conversa, o filho nem deixa os pais abrirem a boca e sai logo atirando:

“O papai tá aí, fodido, se aposentou e ganha um salário mínimo. Pra quê estudar e pra quê esquentar a cabeça se daqui a oito anos vou me candidatar a Presidente da República e vou ganhar as eleições, como o Lula em outubro último? Garanto a todos vocês que vou continuar não fazendo absolutamente nada, viverei na mordomia às custas do dinheiro público, viajarei o tempo todo, vai ter gente puxando o meu saco e, dependendo das doações que fizer, serei reeleito pela vontade do povo brasileiro – que também continuará não estudando por conveniência do poder. Ah, já ia me esquecendo, vou dar uma de analfabeto para comover as pessoas e penalizar as universidades”.

Depois dessa, fico pensando no que mudará em 2006, em 2010, em 2014… Enfim, o que será do Brasil? Como serão as novas gerações? É bom não pensar. Não sou peru de festa.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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