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Política

Polítitica – 13ª Crônica

A febre do consumismo é induzida pela propaganda. As pessoas querem comprar tudo que encontram pela frente não importando a qualidade de ponta dos produtos, assim como a que preços são dispostos à venda. Se baixos ou aviltantes forem esses preços um tanto melhor para a rotatividade da mercadoria em estoque. É um verdadeiro sucesso a venda de produtos piratas neste grande mercado chamado Brasil, sob os olhos omissos da fiscalização fazendária. Vai precisar muita articulação por parte dos prejudicados para que o governo tome vergonha na cara e promova, a rigor, uma legislação específica com leis contundentes.

Ora, se existe mercadoria pirata é porque existe mercado comprador para essas cópias autênticas dos originais, verdadeiras obras de arte da clonagem industrial. Só faltam copiar clitóris e cloacas com perfeição. Os partidos políticos entraram nessa “onda comercial”, de olho no mercado comprador, e se acharam no direito de também lançar produtos falsificados sem a autenticação obrigatória – cópias grosseiras sem o devido registro de autenticidade e, com a mesma audácia, alegam que o mais importante é “fugir dos impostos”, sem essa de contabilizar os atos e fatos das campanhas eleitorais. Assim podemos rotular os candidatos, aos milhares no Brasil, que disputaram no último dia 06 o primeiro turno das eleições 2002. Os quatros presidenciáveis – agora só dois – não fogem deste conceito. Nenhum deles traz no peito o selo de garantia. “Esseis, eu também não agarantio”, como diria o “Seu Creysson”, do Casseta & Planeta.

O fator experimentação pode gerar rejeição popular. Por isso, essa condição é negada aos eleitores, os reais compradores dos produtos com a marca “candidatos políticos”. Os eleitores não podem prová-los, previamente, como em qualquer trabalho de degustação que se preze. Mesmo aqueles consumidores compulsivos também não têm como exigir o certificado de garantia dos produtos que lhes são ofertados. A “escolha ética” dos produtos, colocados na prateleira da mídia, fica por conta dos mercadores da desgraça alheia.

Cada partido político defende seu feudo, busca o monopólio no mercado indiscretamente. Na paralela, corre atrás de parceria e faz cartel com seus iguais. Neste caso, de nada adianta o cliente-eleitor, quando se sentir ludibriado, procurar defesa no Código do Consumidor porque os fabricantes dispõem de uma rede de intrigas, perdão, de advogados com vênia federal. Segundo esses bacharéis em Direito – com seu peculiar perfil idiossincrásico –, tem produto que assume a sua condição de ruim mesmo e o eleitor compra se quiser, às vezes o faz para servir as suas visitas inesperadas. O longo prazo para pagamento, de quatro anos, em nada prejudica o seu orçamento doméstico; afirmaram aqueles bacharéis.

Mas, não é bem assim que a coisa funciona e, o que é pior, esses defensores de porta de cadeia, não se dão conta que, na totalidade dos casos, os eleitores estão comprando produtos com a data de validade vencida; alguns exalam mau cheiro; vêm com defeito de fabricação; não oferecem condições para prováveis consertos e nem ao menos servem para reciclagem, como exemplo, tal boneco barbudo e orelhudo, com a corda quebrada, fala sem parar, com a língua enrolada, coisas que a gente não entende nada de nada – nem ele próprio.

Talvez, com um novo modelo de economia de mercado, que estimule a livre concorrência e a quebra de barreiras protecionistas, possamos importar “produtos” com tecnologia mais avançada. Quem sabe Brasília desonere a importação de candidatos dos Estados Unidos – exemplo de democracia planetária –, de Israel ou de qualquer outro país do Oriente Médio, porque esses governos estão diariamente nos noticiários, o que facilitaria bastante o trabalho dos Marqueteiros. Os homens-bomba podem ser os assessores diretos.

Boa parte do empresariado nacional que habita o Planalto Central, uma vez ameaçada por essas “invasões de privacidade”, provavelmente se preocupe um pouco mais com o controle de qualidade dos seus produtos manipulados, perdão, manufaturados.

Os Profissionais da Comunicação Subliminar são vendedores de ilusões e, por natureza, exímios produtores de merda. Agora sei porque a política brasileira fede tanto. Em que pese a sua permanência nas prateleiras da política brasileira, alguns produtos vagabundos etiquetados com preço alto, já tiveram decretada a sua baixa de estoque pelo fato de não atenderem às necessidades de consumo e porque estão fora das especificações. Babau! Porém, tem marqueteiro que insiste em fazer uma promoção relâmpago do tipo “Leve 3 e pague 1” (Compre Maluf, Celso Pitta e Quércia e pague só o Maluf, ou, Compre ACM, Barbalho e Luiz Estevão e pague só o ACM). Mesmo assim, eu ainda acho que eles vão apodrecer nas prateleiras por falta de compradores, mesmo acompanhados de livro de receita. José Sarney, Collor e Lula aguardam a sua vez. Tem mais gente entrando na fila.

Outubro está se revelando um mês bastante profícuo para o mundo político. Candidatos piratas e velhos políticos corsários se revezam nas comemorações das conquistas. O dia 27 se aproxima. A segunda, e maior, venda de produtos ordinários pode ser decisiva para a saúde dos eleitores. Caso os consumidores comprem e consumam produtos errados, adquiridos nesta grande liquidação de saldos, não terão direito a contravenenos – a crise diarreica, que é muito provável que aconteça, eles mesmos curam. Lá de fora, o nosso Brasil é visto como um “país pirata”, por isso, eu estou convencido (Porra! Isso pega…) de que nem mesmo o remédio genérico, que está na moda, estancará a dor de barriga do povo.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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