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Política

Polítitica – 12ª Crônica

Eleições 2002. Senhoras e senhores, vai começar hoje o grande espetáculo brasileiro de ilusionismo. Hipnose coletiva; multidão cega em busca de esperança na mudança. Todos devidamente preparados pelo Marketing político, produzido pelos feiticeiros da comunicação subliminar. A massa se move em direção ao cumprimento do dever – opta por querer se enganar mais uma vez. E daí, se tudo é festa?! E que festança; muito animada, ruidosa, de arromba, um festão, um festival de chopp – a “lei seca” também não é respeitada. Um brinde à saúde, ou melhor, às incertezas.

O que tinha que ser feito já foi. Não há mais como retroceder. Tempo também não há, pra nada. Quem se preparou, OK. Quem não se preparou, se ferrou. Quem soube vender o seu peixe talvez afira algum lucro. Os políticos em campanha têm plena consciência disso. O seu destino e a sua sorte estão nas mãos dos eleitores, ou melhor, no dedo indicador.

Como escolher os candidatos? No sorteio ou na porrinha? Eis a questão. Ou será que a opinião dos outros vai prevalecer no momento da decisão do voto e não a do próprio eleitor, como sempre foi? São muitos os partidos políticos – “partidos” – e uma infinidade de candidatos que navegam num mar de siglas. Quem não ficaria confuso com tudo isso e um pouco enlouquecido com tantos carros de som cruzando as ruas das cidades ou parados nas esquinas dos bairros infernizando os nossos ouvidos? Sem contar com as inúmeras equipes de apoio fixando material gráfico nas paredes e postes, sujando os espaços públicos, com desmedido frenesi.

Ninguém, absolutamente, sabe precisar quem prometeu o quê, pra quem, quando e pra quê. As eleições de 2002 começam hoje. O número de eleitores indecisos aumentou nos últimos dias de forma geométrica; fato que é desmentido a cada noticiário pela contrainformação. Senhoras e senhores, os palhaços estão nos camarins, perdão, nas casas, nas ruas, nas Seções Eleitorais de todo o país.

A mediocridade das campanhas – associada ao total despreparo dos candidatos – é a grande responsável por este quadro de incertezas. Em outras palavras, podemos chamar isto de “mesmice repetida”. O sobe e desce nas pesquisas eleitorais, ou seja, a gangorra eleitoral, pode ser qualificada como normal, na visão dos especialistas em arre-burrinho. Descarta-se a possibilidade de manipulação grosseira – o jurássico Leonel Brizola não concorda muito, sobretudo quando se trata de urna eletrônica. Os Institutos de Pesquisas, contratados pela mídia para monitorarem as eleições, errarão por pouquíssima margem percentual; podem crer.

O que está em discussão, neste momento, não é a tabulação dos resultados estatísticos que produzem índices de preferência, mas, sim, a qualidade dos produtos (chamados candidatos) que estão sendo colocados à venda no mercado político pelos Marqueteiros, perdão, pelos Profissionais da Comunicação Subliminar.

O povo, na fila do estabelecimento comercial, aguarda ansiosamente para fazer a sua primeira grande compra neste 06 de outubro, sabendo, de antemão, que todas as mercadorias compradas não serão aceitas de volta, como objeto de devolução – as regras são claras. O consumidor-eleitor, não tem escolha, ou consome o produto estragado (se passar mal, nem adianta procurar o centro de saúde do município) ou, simplesmente, joga no lixo.

O Tio Sam diria: “Great Day”. Breve ele também estará por aqui com mais presentes podres entregues pelo FMI. Ninguém ficará sem sentir o mau cheiro. Preparemos as bocas e os bolsos.

O que mais o povo precisaria saber, agora, é da grande importância que o seu “imperador dedo” tem; além de instrumento de higiene, de coceira ou de abrir embalagens: é a mais poderosa das armas que pode acionar, em fração de segundo, um simples botão Confirma e provocar a derradeira revolução tão esperada. Isso sim é mudança!

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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  1. Pingback: Livro Polítitica « Opinião sem Fronteiras - 29/07/2012

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