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Polícia e Segurança Pública

Violência

Violência

Violência é o tema da atualidade – nunca deixou de ser –, mas agora com alguns ingredientes que a tornam mais encorpada dificultando a sua ingestão, como drogas pesadas, por exemplo, potencialmente destrutivas. A violência tem sido ‘bengala de cego’ tanto para a política, quanto para a polícia, quanto para a imprensa. Certamente eu poderia escrever um verdadeiro tratado sobre ela, abordando suas origens e causas. Entendo que bastavam poucas palavras para a compreensão da problemática. Cinco posições; cinco sentenças capitais: 1ª) A Igreja diz que não aceita, não permite o controle da natalidade; 2ª) O pai de família afirma que não dá amor e carinho; 3ª) O Estado alega não dar educação; 4ª) O país não dá emprego; 5ª) A Polícia brada: “E vocês querem que eu resolva tudo sozinha!”.

Relendo um pensamento do Herbert de Souza, o Betinho, concluo que tem tudo a ver: “O Brasil é o país de maior concentração de riqueza do mundo. Um país capaz de ter o máximo possível para uma minoria e um mínimo absoluto para sua grande maioria”.

Ultimamente, na esfera governamental, muito se tem falado, e pouca conclusão. A explicação perpassa pela simplicidade, mas as autoridades admitem um quadro complexo. Num país com índices econômicos e sociais alarmantes, e sem perspectivas de melhoria em longo prazo – quem dirá em curto prazo –, o poder público deveria priorizar o ‘planejamento familiar’, sobretudo junto às camadas populacionais mais carentes e desinformadas. Há quem me considere defensor ferrenho do Malthusianismo – teoria do economista inglês Malthus (1766-1834), que preconizava a limitação da natalidade em defesa dos interesses econômicos. Vou mais longe, digamos, sociais, estruturais e fundamentais.

É claro que alguns vão me condenar. Mas a coisa não é bem assim, vejo o ‘controle da natalidade’, aqui no Brasil, uma necessidade premente, pelo fato do “nosso” capitalismo (auriverde) ser perverso, selvagem e covarde – possui alto poder de concentração da renda e coloca a base da pirâmide social na mais absoluta submissão à miséria. Fato decorrente: a produção de delinquentes está a todo vapor e o Estado brasileiro não tem aonde estocá-la com segurança. Isso é preocupante. As penitenciárias, como sempre superlotadas, transformam-se em campos de concentração, enquanto a Justiça e a Polícia se desentendem contextualmente – uma Instituição querendo fazer o papel da outra.

No eterno combate à violência, os Governos têm adotado modelos de gestão paliativos, contraditórios, descomprometidos com as necessidades primárias da população, ineficientes e eleitoreiros. Mesmo que os Governos priorizassem os sistemas educacionais – que dependem de vontade política, que dependem de investimentos maciços, que dependem de dotações orçamentárias aprovadas – a colheita dos seus frutos só aconteceria na segunda safra de cidadãos, porque esta geração pode ser considerada perdida.

Animais devoram animais, compelidos pelo puro instinto de sobrevivência. Homens matam homens, empurrados pela manifestação da irracionalidade. Esta qualidade, ou ação de violento, o indivíduo traz consigo desde o seu primórdio. Os milhares de anos que separam o homem do século XXI, do homem primitivo – relativo ao estágio inicial do desenvolvimento social –, não foram suficientes para o alcance do nível de evolução esperado. Isto não é tese.

Qualquer ser humano, em relação à espécie a que pertence, continua e continuará exercendo constrangimento físico ou moral sobre o seu semelhante, totalmente contrário ao direito ou à justiça. A impetuosidade e a intensidade da força ou da energia desencadeada na ação tornam os homens diferentes entre si na prática da violência, mais ou menos irascíveis, mais ou menos brutais, selvagens, sem perderem a sua primária condição de irracionais.

Quais são, portanto, as circunstâncias influenciadoras da violência? Devemos buscar na Antropologia, na Psicanálise, na Psicologia, enfim, na Sociologia, as necessárias explicações? Talvez estas ciências não tenham todas as respostas de que precisamos ou esperamos. A verdade, nua e crua, é que o indivíduo se forma a partir de três fatores preponderantes: primeiro, a genética (características e os fenômenos da hereditariedade formados na geração); segundo, a educação (o indivíduo só dá o que recebe); terceiro, o meio ambiente (o homem é o produto do meio). Começamos a desvendar o mistério. Fatores de ordem interna e externa norteiam os condicionamentos humanos – isto também é um fato.

Especialistas nessa matéria afirmam que a aproximação da violência e da criminalidade permite que saibamos estimular a demência, o medo e a insegurança dentro de uma atmosfera de autocoação. Isto é plenamente factível na medida em que o indivíduo se sente objeto de práticas opressoras, levando-o, por vezes, a um processo inconsciente de repressão, ou seja, fogo sendo combatido com fogo – olho por olho, dente por dente; bateu, levou.

Penas mais rigorosas para os criminosos diminuiriam a violência? Eu diria que não. Estabelecer punições para os delinquentes, ainda que com severidade extrema, não inibirá a violência, até porque os seus praticantes já perderam totalmente o respeito pela Justiça; além do mais, os condenados sempre encontram um jeito de fugir da cadeia com a conivência de alguém. Tenho a impressão de que esse procedimento – se levado adiante – será tão hipócrita quanto à campanha de desarmamento dos cidadãos de bem.

Porém, sejamos pragmáticos – tal medida pode sim surtir os efeitos esperados, desde que outras providências sejam tomadas pelo Governo, como a reforma geral do Poder Judiciário; instituir um novo Código de Processo Penal; acabar com a impunidade em todos os níveis; reformular o sistema prisional garantindo cadeia para os condenados e afins; promover uma “limpeza ética” nas Polícias, tentando acabar com a corrupção; extinguir o crime organizado; aniquilar o tráfico de drogas (tempero explosivo para o desencadeamento da violência); anular as desigualdades sociais, uma vez que as classes com “risco social” crescem a cada dia; erradicação da miséria; aplicabilidade das leis no sentido amplo.

Impotentes, assistimos à luta desigual do bem contra o mal – pessoas sofrendo constrangimentos físicos e/ou morais a todo instante e essas ações violentas, contrárias ao direito e à justiça, não são combatidas como deveriam. Sou partidário de um pensamento radical: “Capim no jardim é igual a bandido na sociedade – deve ser arrancado pela raiz”. Em último caso, defendamos a volta da “Pena de Talião” – trata-se de uma lei antiga pela qual se aplicava castigo idêntico à ofensa ou dano igual ao recebido, numa forma direta de retaliação, correspondente às expressões “olho por olho” e “dente por dente”.

A violência tem sido o grande mal dos séculos. A seleção natural por que passa a espécie humana também pode ser fruto de uma força cósmica ainda não identificável, permanecendo na virtualidade do infinito, indiferente aos olhos dos mortais. O homem, com sua desenfreada sede de matança, consciente, não se dá conta que está caminhando para um cenário de trevas e pondo em risco a sua própria existência sobre o planeta. A vida passa a ser volátil.

Se olharmos pra frente encontraremos 100 motivos para a escalada da violência: injustiça, fome, escassez, sofrimento, dor, abandono, drogas, raiva, exclusão, ambição, negligência, poder, rejeição, doença, fatalidade, indigência, ignorância, neurose, submissão, assalto, culpa, desgraça, corrupção, dinheiro, vingança, omissão, aflição, opressão, loucura, infortúnio, jogo, luxúria, desigualdade, desinteresse, envolvimento, escolha, ganho ilícito, desemprego, ódio, descrença, desamor, desabrigo, desesperança, falta de oportunidade, descaso, tortura, flagelo, desamparo, renúncia, desprezo, inanição, incompreensão, insensibilidade, psicose, roubo, rendição, fuga, ferimento, libertinagem, marginalidade, sombra, barbárie, cumplicidade, crime, perturbação, impotência, falta de dinheiro, infelicidade, polêmica, suborno, hostilidade, intolerância, fraqueza, compaixão, maldade, degeneração, medo, agressão, provocação, morte, pobreza, pânico, avidez de bens materiais, execução, desagregação, perversidade, prazer, insegurança, tormento moral, julgamento, carência, maus exemplos, incerteza, desumanidade, ganância, crueldade, violência, perseguição, inveja, miséria.

Se olharmos pros lados, acharemos mais duzentos motivos. Se olharmos pra trás, outras mil causas da violência apresentar-se-ão aos nossos olhos.

A repressão que se pressupõe é paliativa. A impunidade levanta muralhas intransponíveis. Ainda que a punição imposta aos algozes com base em leis mais severas – oportunamente, indispensavelmente e primordialmente segundo modelo humano de justiça – é um remédio que apenas mitiga as dores das vítimas, sem, contudo, curar as verdadeiras causas da violência. O processo da dor é realimentado com mais dor.

Em algum lugar e em algum momento estamos cometendo algum tipo de violência contra alguma espécie viva, independente se a ação seja manifestada espontânea, premeditada ou subliminarmente. O gênero humano vem perpetrando atos condenáveis de agressão ao próprio homem, à natureza, ao meio ambiente e aos animais em progressão matemática, enfim, ao mundo físico e, mais especificamente, vem até insultando o mundo espiritual. A semente do mal germina.

“A não violência só pode alcançar o sucesso quando temos uma fé autêntica e intensa em Deus”.

Gandhi

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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