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Educação

“O entendimento das cotas étnicas como termômetro”

“O entendimento das cotas étnicas como termômetro”

Postei meu comentário a respeito do que disse o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr. no “Blog do Filósofo”, em 09/05/2012, sobre cotas étnicas. Para chamar a atenção, mantive a mesma manchete por ele empregada, mesmo porque usarei palavras nela contidas como ‘Tags’. Sou leitor do Ghiraldelli, não com a assiduidade que gostaria – também tenho meus afazeres como escritor. Já tinha lido este artigo, quando um amigo naturista me encaminhou, por e-mail, o dito cujo. Veja abaixo:

O entendimento das cotas étnicas como termômetro

Posted: 08 May 2012 11:20 PM PDT

A Internet mostra a existência da burrice no Brasil de um modo que nunca pudemos ver antes. Ela é um grande termômetro de como a população brasileira não sabe “aprender a aprender”.

Caraca! Isso é muito forte! Como Paulo Ghiraldelli Jr. não me concedeu a graça da publicação do meu comentário, ou parte dele, aproveito o meu próprio espaço para divulgá-lo aos meus 17 leitores. Gostaria de não fazê-lo porque essa questão de “Cotas Raciais” já está deixando de ser cotada; o faço agora porque Ghiraldelli precisa enriquecer o seu acervo. De uma forma ou de outra isso chegará aos seus ouvidos – espero que não sejam de mercador ou de burro, já que, para ele, muita gente orneja. Tranquilizo o Paulo Ghiraldelli Jr. porque os seus leitores não migrarão para o meu Blog, por razões que só ele conhece. Leiam, por favor.

Qualquer matéria sobre o propalado “Sistema de Cotas” – também entendo como “Estrutura de porções determinadas segundo raças” –, quando lida, dá a impressão de jornal velho, revista velha, enfim, independe de veículo divulgador. Manchetes sugestivas costumam capitanear conteúdos de notícia como magneto para leitura. A partir do momento que a Suprema Corte ajuizou a sua constitucionalidade (sem júri, juizes de fato, mesmo não sendo julgamento de um crime), tudo o que se diga doravante a respeito não irá trazer resultados práticos, sobretudo quando se pretenda firmar doutrina. Em que pese a retórica na defesa do Ministro do STF, Marco Aurélio Mendes de Faria Mello, sobre o tema, ficamos, como ele, pendurados no mastro da embarcação, sendo picados por vorazes gaivotas.

Cabe tão somente ao autor da obra o direito da legítima interpretação, consoante seu dom criativo – aos leitores a oportunidade de fazer suposições. Contrariando uma filosofia de Carlyle, “O silêncio é o elemento no qual se formam as maiores coisas”, presumo que estamos, irremediavelmente, reféns da mediocridade imposta. Vivemos uma crise de identidade sem precedentes. O indivíduo está cada vez mais descaracterizado, não por sua culpa. Nosso amigo filósofo Paulo Ghiraldelli Jr, disse: “… de como a população brasileira não sabe aprender a aprender”. Eu diria: “… de como as instituições de ensino não sabem ensinar”.

Judas, o nome de Apóstolo de Jesus Cristo que mais vezes aparece nos Evangelhos, ou seja, 20 vezes. O nome “burro” surge 8 vezes (sem contar as 3 vezes do termo ‘burrice’) no texto “O entendimento das cotas étnicas como termômetro”. Imaginemos se tivesse o mesmo número de páginas dos Evangelhos. Para não ficar repetitivo, outras terminologias poderiam ter sido empregadas como ‘jumento’, ‘asno’, ‘burrico’. A ‘burrice’ poderia ter sido substituída por ‘falta de inteligência’, ‘parvoíce’, ‘estupidez’, ‘teimosia’. Reverencio a entidade suprema, Deus, porque dotou os humanos de relativa burrice sem causar-lhes dor física, de modo que a prática continuada da parvoíce é totalmente indolor. Nesse sentido, poderemos criar uma nova ordem de cotas: Os “burros” e os “não burros”, e deixemos que cada qual se enquadre na classificação que melhor lhe aprouver, a exemplo. Quando se afirma a existência de uma classe de “burros”, admite-se que outro grupo, outra categoria, convive pacificamente ao seu lado. Até um mamífero quadrúpede solípede abaixa as orelhas (pelo menos uma) quando fala – vide foto incorporada à matéria; “A favor de cota social”. Que, a propósito, já existe faz tempo, determinada pelo capitalismo. Espero que este jumento abaixe as duas orelhas quando outro falar.

Burro

Foto: Paulo Ghiraldelli – Blog do Filósofo

A democratização da informação concedeu o direito a todos de externar opiniões dentro de uma ambiência individualizada. Os processos comunicacionais sofreram, e ainda sofrem, radicais transformações, e a adaptabilidade a novos sistemas é condicionante na sociedade moderna. Não estamos falando na Teoria Matemática da Comunicação, onde o nível técnico é o mais importante. A carga excessiva de informações mecânicas, com poder de influenciar juízos de valores – exigência deste terceiro milênio –, tem contribuído para que os ouvidos dos nossos filhos fiquem cada vez mais seletivos, criando condicionamentos robotizados. A família, portanto, continua sendo o fórum adequado para a discussão de determinadas matérias, sem a interferência das ondas externas de comunicação, num processo interativo, numa mesa redonda. Há quanto tempo toda uma família não se senta para jantar, sem ausências? A dinâmica de grupo deve ser exercitada entre os seus membros e o diálogo entre todos estimulado. Não raras são as crises de ansiedade movidas pela “solidão da multidão” e o “gelo do concreto”. Que o absolutismo da ausência das palavras fraternas não vire epidemia, sob pena da educação se tornar um processo fragilíssimo e perecer aos pés da mediocridade cultural que vem cercando a atual geração. Vide o exemplo na música. Comentei este assunto com mais propriedade em minha crônica de título “Uma questão de educação”, postada em meu Blog opiniaosemfronteiras.wordpress.com, na categoria Educação. Leiam. Nesta mesma categoria abordei o problema das ‘Cotas raciais’ em matéria intitulada “Sistema de Cotas”, postada em 27/04/2012 – oportuna a sua leitura.

Por fim, acho melhor trocar oficialmente a expressão ‘burrice’ por ‘distorção no aprendizado’, salvo falsas interpretações dela decorrentes. Considero resgatada a dívida com os internautas. O computador é a sua nova família, supre a ausência fraterna, a falta dos pais. Três dicas importantes para os amigos que gostam de navegar: 1ª) Dosem a adrenalina; 2ª) Se não têm nada a dizer, não digam; se não pensam em nada, então pensem; se não têm nada a fazer, procurem; 3ª) Não entrem em discussões acaloradas com pessoas sem rosto.

Somos reflexo de uma sociedade doente. Analfabetos funcionais existem aos borbotões nesse país – vide Brasília. Segundo o Anuário da Justiça, em 2011, 83% das Leis Federais e Estaduais julgadas pelo Supremo Tribunal Federal foram consideradas inconstitucionais. O que podemos esperar? Deixa pra lá. Isso não tem tanta importância assim. Paulo Ghiraldelli Jr, o problema do Brasil não é a metáfora empregada aleatoriamente pelos políticos devassos, é a falta de semântica constatada no seu povo. Viva o Rei!

A propósito, o Vasco segue na Libertadores. Isso sim tem significativa relatividade.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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