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Sexo

Sexo oral – A vez dela

Sexo oral – A vez dela

A velocidade com que as informações chegam até nós é estonteante. Pela imensa quantidade, muitas passam despercebidas, mesmo porque não teríamos tempo suficiente para lê-las na totalidade. Porém, uma delas me chamou a atenção no momento em que acessava o Yahoo, numa segunda-feira, dia 16 de abril de 2012: “Preliminares responde – Sexo oral e religião”. Por Carol Patrocínio. Levei 21 dias para degustar o assunto. Carol Patrocínio, na rede social, responde dúvidas dos leitores sobre sexo. A pergunta da vez foi essa:

Sou evangélica e queria saber se é errado fazer sexo oral com ‘seu’ namorado antes do casamento.

Questão de ordem: Não é fazer sexo oral com o namorado da Carol Patrocínio, e sim com o namorado dela, ou seja, da própria evangélica. Vamos em frente.

Carol Patrocínio conduziu o assunto com destacado equilíbrio, colorindo as palavras num tom rosado, próprio da fêmea. Senti, na leitura pausada, que ela não queria ferir suscetibilidades. Importante salientar que pessoas evangélicas – indivíduos carolas também – costumam se ofender ou melindrar facilmente, daí o cuidado empregado. Todavia, a pergunta foi feita e mereceu resposta. Do texto da Carol, destaco 11 pontos:

1º) Sexo e religião têm uma dificuldade imensa em conviver pacificamente, mas isso não é culpa da religião, mas sim das pessoas.

2º) Uma das proibições religiosas é o sexo antes do casamento.

3º) O sexo é tratado como um pecado, um problema.

4º) Algumas religiões dizem que o sexo deve ser feito apenas para reprodução e depois de casados, então você não vai poder se divertir.

5º) Só vai poder transar se quiser ter filhos. E sexo oral é proibido, assim como anal, afinal você não vai engravidar, vai?

6º) O que você deve pensar é se você tem vontade de fazer sexo oral no seu namorado, e isso vale para antes ou depois do casamento.

7º) De que adianta você não fazer nada, mas pensar nisso o dia inteiro?

8º) Não adianta interpretar a ingênua no dia-a-dia e ter a cabeça cheia de “assuntos adultos”.

9º) É importante lembrar que qualquer tipo de sexo é sexo – e isso inclui masturbação.

10º) E se você escolher não fazer, seu gato deve respeitar sua decisão.

11º) A decisão e a consciência são suas. O momento certo é você quem decide; não sou eu, nem a religião.

Com respeito à Carol Patrocínio, ela poderia resumir a resposta dizendo: “Vá fundo, e não permita que o seu namorado tenha orgasmo sozinho; isso é um direito do casal”. Concluindo: “Peça a ele para fazer sexo oral contigo, em retribuição ou conjuntamente, porque sexo é uma via de duas mãos”. Quando formos falar sobre sexo precisamos adotar um regra básica: Não usar de rodeios ou subterfúgios; a linguagem tem que ser direta, clara, entendível. Momentos engraçados, de descontração, acontecerão, contudo, o importante é manter a seriedade e manter aberto o canal de discussão, onde a troca de experiências deva ser a tônica.

Já ouvi de algumas pessoas que “Sexo é bestial, próprio da besta, estúpido, brutal, grosseiro”. Quem afirma isso é um bestunto, com cabeça de pouco alcance. Já dizia vovô: “Sexo oral é legal”. Corroborado por quem gosta. Antes de ser uma necessidade orgânica, sexo é puro instinto – O instinto como força vital. Não nos esqueçamos disso, de modo que todos os seres que pertencem à cadeia biológica, humanos e animais, agem por instintividade quando o assunto é sexo, consoante o conjunto de traços orgânicos diferenciados que nos seres vivos distinguem o macho da fêmea.

Em primeiro lugar, nunca, nunca mesmo, tente misturar sexo com religião. Ninguém mantém relações amorosas rezando, pelo menos nunca ouvi algo parecido. São coisas absolutamente distintas, muito embora as questões religiosas interfiram diretamente no comportamento das pessoas. Na prática, sexo e religião não têm interdependência. As religiões são dogmáticas com forte poder de influenciar, mas deixemos isso para o plano espiritual, não carnal.

Aproveitando o espaço, lá vão três conselhos gratuitos:

1º) Sexo é uma parte importante da vida. Se você tem problema de ereção ou de ejaculação precoce, não procure uma clínica especializada no tratamento dessas disfunções, troque de parceira, lembrando que ela também tem esse direito. Quem sabe uma nova “perseguida” não resolverá o problema; quem sabe acordará o guerreiro adormecido.

2º) Você deve começar a duvidar da sua masculinidade a partir do momento em que você, ao fazer exame da próstata, pede ao médico para repetir o toque retal, alegando que o primeiro não funcionou. Não se sinta diminuído ao assumir a sua condição de “viado”, mesmo negando sob tortura. É uma questão de tempo a explicitação de tendências reprimidas.

3º) Uma coisa é ter vontade de ter relações sexuais, outra coisa é ser rejeitado. O que menos importa são as razões. A ‘porra’ muito tempo parada nos testículos afeta o desempenho do cérebro. Na cama, ao lado da “velha-guarda”, muitas das vezes sinto-me como se estivesse num banho romano: saindo do Caldarium para o Frigidarium. Bater uma punheta pode não representar humilhação solitária; pois não. Tudo depende do ponto de vista, e em quem se pensa na hora de “matar o bem-te-vi a soco”.

Caldarium das termas de Cluny (Wikipédia)

Caldarium das termas de Bath (Wikipédia)

Caldário, escrito em Latim ‘Caldarium’, ‘Calidarium’, ‘Cella Caldaria’ ou ‘Cella Coctilium’, era o nome pelo qual os romanos chamavam um dos cômodos das termas local onde aconteciam os banhos públicos. Os Caldários, como o próprio nome indica, eram quartos muito quentes com intenso vapor; a água era aquecida num porão conhecido pelo nome de ‘Hipocausto’.

Frigidário da Villa del Casale, Sicília - Itália

Frigidário da Villa del Casale, Sicília – Itália

O Frigidário, escrito em Latim ‘Frigidarium’, era outro cômodo existente nas termas romanas onde se tomava banho frio.

Tive o prazer de conhecer as ruinas das termas romanas quando estive na Itália, sobretudo na cidade de Pompéia – Scavi di Pompei. Simplesmente magníficas, únicas. Fico imaginando o que acontecia lá dentro quando funcionavam. De certo, não havia consultores sexuais, Internet, religiões castradoras, traumas de infância, tabus, falta de liberdade, opiniões contrárias.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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