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Política

Polítitica – 11ª Crônica. Acabou

Ufa! Graças a Deus; dizem alguns. O horário eleitoral gratuito na TV acabou nesta madrugada, pelo menos no que tange às campanhas do primeiro turno. Espera aí! O horário eleitoral era gratuito? Por que as propagandas político-partidárias eram obrigatórias dentro deste horário gratuito? Meio estranho, não? Por que, então, não acabar com a obrigatoriedade das propagandas políticas e passar a cobrar o horário eleitoral? Neste caso, as emissoras de televisão aplicariam aos partidos políticos as mesmas tabelas de preços vigentes para os anunciantes privados. As emissoras são obrigadas a ceder os horários, por isso chamam de propaganda eleitoral obrigatória. Este já foi papo de botequim (o único estabelecimento de utilidade pública) que deixou muito pinguço alvoroçado. Vamos parar por aqui – não é hora de beber, muito embora dê vontade.

Desculpem pela brincadeira séria, porque sou cidadão brasileiro, com muito orgulho, eleitor, com endereço definido, com muito senso de humor e com uma bola vermelha presa ao meu nariz – igual àquela usada pelos palhaços –, pelo menos até o próximo dia 06. Comprei a bola vermelha com meu dinheiro e, de alguma forma, também sustento os partidos políticos nas suas orgias de comunicação (os bancos tiram de mim e dão parte aos políticos, candidatos ou não, em troca de…). Aqui, neste país tropical, tudo aquilo que é pago pelo usuário-contribuinte tem, ou deveria ter, a contrapartida da seriedade.

Nesta quarta-feira, dia 02, aconteceu o último debate nacional dos candidatos pleiteantes ao governo dos Estados. No dia seguinte, foi a vez, também em rede nacional, do derradeiro debate dos quatro presidenciáveis. Como estamos no tempo da famosa sopa das siglas partidárias, então lá vai: os quatros eram o JS (José Salvador), CG (Ciro Garganta), GCC (Garotinho Calça Curta, ou Coitado Cagão, ou Cara de Cu) e LPA (Lulinha Paz e Amor ou Pequeno Analfabeto). Excelentes opções de compra no mercado eleitoral.

Eu também “acabei”, ou melhor, prometo que não vou mais falar em política – não, porque posso ajudar ou arruinar a vida de algum importante candidato a pouco mais de 24 horas do dia “D”. Na verdade, estou cansado de repetir as mesmas coisas sempre que escrevo. Neste momento, estou recebendo uma influência cósmica e daqui a pouco transcrevo com fidelidade – se os espíritos assim me permitirem – quatro profecias. Isso mesmo, quatro. Uma para cada um dos candidatos a Presidente da República. O futuro político de cada um deles ficará registrado. O “Além” manda um recado para não me preocupar com o segundo escalão, por enquanto.

Os Marqueteiros, ou melhor, os “Profissionais da Comunicação Subliminar” apostaram na visão do caos e construíram a partir daí as campanhas dos candidatos. Uma vez estruturado este carro-chefe, foi só um detalhe trabalhar a imagem dos interlocutores. Na verdade, o povo gosta de ouvir alguém dizendo que tudo está ruim e de acreditar que tem gente preparada e disposta a consertar o que está errado. Esse mesmo povo alimentou os planejamentos estratégicos dos “PCS”. Ficou mais uma vez comprovado que os candidatos, independentemente das siglas partidárias, continuam orientados a usar o lado negativo do governo da situação como bandeira de campanha e, se eleitos, prometem acabar com tudo aquilo. Até o candidato da situação esboçou algumas mordidas na administração que termina. Com a mesma facilidade e despudor que se omite o lado positivo do governo que finda, não se assume publicamente o compromisso de promover a continuidade dos programas que estão dando certo. Até mesmo os pactos sociais não ficaram muito claros em nenhuma das plataformas políticas. O que fazer com o déficit da Previdência e sua propalada reforma (acho que alguém está guardando uma surpresa); o que fazer com a Reforma Tributária anunciada; o que fazer com o déficit habitacional; o que fazer com a retomada do crescimento prometida; como lidar com o crime organizado que já está organizado para receber o novo presidente do Brasil? A unidade nacional fica tremendamente ameaçada, ou simplesmente deixa de existir, na medida em que o jogo de interesses será evidente logo após a definição nas urnas. O negócio é planejar o roubo.

O expediente do “toma lá, dá cá” terá as suas horas ampliadas se houver segundo turno, principalmente para presidente. A despeito do comportamento civilizado dos candidatos – verificado na reta final da corrida eleitoral, quando se previa uma disputa mais acirrada com golpes baixos – o que se notou foi a troca de alfinetadas de alto nível acompanhadas de sorrisos amarelos; bicos de sapato esbarrando em algumas canelas por debaixo das mesas; discretos levantamentos de suspeitas e cumplicidades; ataques comportados com direito de resposta igualmente equilibrada; contradições escamoteadas no “finjo que não entendi”. A ordem do dia determina: foda-se você.

Os Marqueteiros, perdão mais uma vez, os Profissionais da Comunicação Subliminar, cometeram um pecado capital: esqueceram-se de agendar uma passadinha bem rápida dos candidatos na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro, para que lessem uma esplendorosa frase escrita numa não menos magnífica placa de bronze, parte integrante do principal monumento da praça:

“A sã política é filha da moral e da razão”.

Como eu sei que isto, de fato, não aconteceu, justifica, mas não explica, a má qualidade das campanhas eleitorais. Isso, com certeza, ajudou a aumentar o nível das dúvidas do eleitorado. Neste mesmo dia 4, pesquisei cinquenta eleitores e 40% dos quais (20 eleitores) não tinham ainda se decidido em quem votariam para presidente da República Federativa do Brasil, tampouco queriam ouvir falar em governador ou deputados.

Agora, a corrida contra o relógio diminui o fôlego dos assessores dos Marqueteiros. Diga-se de passagem, onde estão os Marqueteiros de ocasião? Não há tempo para mais nenhuma manobra na gangorra das pesquisas, salvo nas de boca de urna que fatalmente acontecerão no primeiro minuto após o término da votação. Qualquer discurso antecipado nesse sentido é mera especulação. Foi assim no passado.

A velha raposa política, Brizola, torcerá para que aconteçam problemas com as urnas eletrônicas. Para quem não sabe, ele é um radical defensor do processo tradicional: voto escrito com contagem manual. Só assim os votos não evaporariam, segundo ele, mas, os ditos papéis com os votos expressos “poderiam ser substituídos por outros”, ou, “contados e recontados erradamente”. Ele, Brizola, não considerou esta possibilidade. Será? Tem político na contramão da evolução tecnológica e doido para espalhar terror pelos quatro cantos do país. Está em final de carreira.

Faltará mercúrio cromo se futucarmos as feridas eleitorais. A bem da verdade, nada de novo se apresenta sob o sol de primavera. A primeira pedra não foi lançada. Todos são pecadores contumazes. Falo por mim. Nenhum presidenciável, até agora, me convenceu como fará funcionar a máquina chamada Brasil, emperrada no seu eixo principal. Enquanto não chegam as latas de óleo, resta-nos torcer para que o próximo ocupante da cadeira de FHC x 2 consiga romper a enorme pedreira que encontrará pela frente: os Prefeitos Municipais, que são uma espécie de formiguinha carregadeira – no silêncio, conseguem arrastar tudo que encontram pela frente. Estes constituem a base da pirâmide do poder executivo; principais contatos com o povo. Têm força suficiente para impedir a caminhada do novo presidente e permanecerão no cargo por mais dois anos, a maioria saqueando pra não perder a prática.

O sucesso ou insucesso do eleito também dependerá, fundamentalmente, das costuras políticas e das negociações conduzidas pelos seus intermediários: os governadores. Serão vinte e quatro meses de pura tensão. Os mais difíceis são sempre os primeiros. Não quero, neste momento, falar no apoio do Congresso – este também terá que ser comprado em nome da “garantia” de governabilidade. Esta é matéria para mais tarde. Os brasileiros estão diante de um problema muito complexo. A massa de eleitores, que levará democraticamente seu voto às urnas, nem de longe tem a noção da fragilidade que o atual sistema se encontra. São muitas as transformações pelas quais necessitará passar o Brasil para que se vislumbre o resgate do desenvolvimento sustentável. Resta saber se o resto do mundo vai permitir. A soberania das nossas instituições está em jogo. O conjunto de direitos de um Estado autônomo não garante que a “vontade de fazer” prevaleça. Há mingau escondido dentro do caroço.

Estou ouvindo o tocar dos sinos. É um aviso dos céus. Amém. Chegou a hora das quatro “Profecias Anunciadas”:

1ª) Se o primeiro candidato, que estou pensando, ganhar a eleição para Presidente da República, será deposto no terceiro ano de governo, porque fará um transplante de dedo mindinho com dinheiro público, sem saber – exceto o Brutus. Soltará os cavalos na sua horta de alfafa.

2ª) Se o segundo candidato, que estou pensando, ganhar a eleição, também para Presidente da República, jogará a toalha no segundo ano de mandato porque não aguentará responder expediente na base americana de Alcântara. Faltará foguete.

3ª) Caso aconteça a posse do terceiro candidato, na minha ordem mental, será internado por motivo de criancices. Quem o substituirá no cargo será sua mãe, depois de presenteá-lo com uma caixa de pirulitos Made in Brazil.

4ª) Sobrou o quarto candidato. Se eleito, mandará construir 1.532 teatros municipais e tornará estatais todas as emissoras de televisão para garantir emprego vitalício à sua atual esposa. Transformará o Nordeste (menos o Maranhão) em uma grande senzala, só pra disfarçar a ação primeira, caso não consiga fazer brotar água do semiárido.

No acontecimento de qualquer uma dessas profecias anunciadas, assumo o compromisso de revelar o nome do anjo anunciador. Eu não tenho, absolutamente, nada a ver com isso. Juro. Um segundo sino começou a tocar e ouço uma voz grave:

“Casa que não tem pão, todos gritam e ninguém tem razão!”

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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