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Consultoria & Marketing

Best Seller – 4ª parte. Histórias pitorescas

Best Seller – 4ª parte

Histórias pitorescas

Artigos técnicos realmente enchem o saco – e ponha saco nisso. Vamos deixá-los para os administradores e pros Consultores de Empresas que ainda estão na ativa. A Gamalfa e a ABRH-RJ já têm material de sobra nas duas últimas partes, caso pretendam editar um livro. Mesclar assuntos sérios com temas recreativos e imaginosos, vividos no ambiente empresarial, não será tarefa fácil. Aqueles que participarem do processo terão dificuldade em fazer uma retrospectiva de todas as empresas nas quais trabalharam. Da minha parte eu assumo isto sozinho, sei que selecionar histórias pitorescas vividas nos últimos quarenta anos de trabalho é complicado, porque a vontade própria manda considerar todas, tendo graça ou não, sendo verdadeiras ou quase. Entretanto, como existe limitação de espaço literário – neste exato momento centenas de outros contadores de histórias estão apertando o comando “Enviar” –, e também não assinei nenhum contrato de exclusividade, eu vou me prender tão somente às dez primeiras lembranças, ou talvez, com um pouco de boa memória, ultrapasse esse número e chegue a 13, número de sorte do Zagalo, como sabemos, outro grande gogó de ouro.

Quem conta um conto, jura que é a mais pura expressão da verdade, e não se dá conta que tudo não passa de mera narração ficcional. Neste caso, não há juramento a fazer. Ainda bem! Tem gente que se incomoda com os palavrões que digo, sem procurar entender que sou descendente de portugueses, outrora plantadores de batatas no norte de Portugal, além de ex-escritor de peças teatrais nas quais tudo é permitido, dentro e fora dos palcos. Palavrões no Brasil fazem parte da cultura popular; se bem colocados fazem menos mal do que os políticos devassos que os omissos puritanos elegem. Deixo a cargo da ABRH-RJ e da Gamalfa Consultoria a supressão de palavras indecentes ou julgadas grosseiras que estejam inseridas nos meus textos, lembrando que, sem ser palavroso, o palavrório ou o palavreado por mim empregado corre sérios riscos caso os cortes aconteçam – daí teremos o conjunto de palavras meio desconexas e sem importância. Quem não gostar que não leia ou tape os ouvidos.

1ª lembrança: História da caserna

Não tinha passado ainda um ano da morte do Presidente Costa e Silva. Governo militar; pressão; repressão; revolução; eis a questão. Segurei um pepino danado como militar, e não militante, da FAB – Força Aérea Brasileira. Força Armada também é empresa aqui no glorioso Brasil – decreta falência como outra qualquer. Assim que os anjos permitirem, eu concluo o livro “Nos porões da ideologia”. Entrementes, não estou aqui pra falar disso. Meu Esquadrão tinha saído de uma prontidão que durou cerca de sessenta dias. Tinha colega que só não manteve relação sexual com cachorro porque demonstrava medo de farpa de osso, quando este comia osso. Há cachorro que come filé com faca e garfo.

Todo militar, recém-chegado ao quartel, é a verdadeira imagem do cão chupando manga – sem farpa – e, como tal, aceitei uma aposta do soldado 045 (S2 QIG PM 69 6001): a primeira mulher que avistasse na rua logo após ser dispensado da porra daquela prontidão eu faria de tudo pra comê-la, tivesse ela farpa ou não. Se o fizesse, comeria também a irmã dele. Mãe de amigo a gente respeita como se fosse a nossa. Minha mão esquerda estava calejada de tanto me masturbar. A mão direita ferida de tanto bater continência. Eu precisava comer alguém; ainda mais agora com a possibilidade de comer a segunda mulher, sem continência. Era 1969.

Puta que a pariu; três vezes. A desgraçada da primeira mulher que pintou na minha frente, segundos após ter colocado os pés na calçada da frente do Esquadrão de Polícia, foi justamente uma magricela que mais parecia um pau de virar tripa. O filho de uma grande puta, o 045, estava atrás de mim pra conferir tudo; nem de longe podia pensar em escapar. Melhor encarar do que ir pro pau-de-arara – quem já torturou alguém ou foi torturado sabe que esse tal de pau-de-arara é foda. Mas, aposta é aposta. Dificuldade nenhuma eu tive pra arrastar “aquela coisa” até um terreno baldio perto dali. Cento e cinco quilos de músculos; guapo. Qual mulher não queria transar comigo? A filhinha do coronel Amâncio queria e já estava me tornando amigo dele – dela, eu já era íntimo fazia tempo.

Sem carro, sem dinheiro; não havia outro jeito: hotel três bilhões de estrelas, com lua cheia, de quebra. Encostei aquele protótipo de caveira numa árvore com tronco curvo – a natureza me ajudou – e comecei a trabalhar. Enfim, minutos depois, a infeliz ria sem parar (tem mulher que ri quando goza) e simplesmente saiu debaixo de mim com facilidade. Foi aí que notei que algo de estranho aconteceu, porque não sentia o meu cacete dependurado e pingando.

Só então pude perceber que eu estava comendo um buraco existente no tronco da árvore, sim, um buraco, literalmente, que me custou escoriações generalizadas por todo o caralho. Ainda bem que árvore não engravida. Sem exigir sexo oral, dei um safanão na mulher e a mandei embora. O “FDP” do 045 apareceu pra confirmar o pagamento da aposta (que não receberia jamais porque sua irmã morrera um mês antes) e, constatando o meu drama, me levou ao hospital. Resumo da história: minha prontidão só acabou quatro dias depois, tempo que fiquei com o pinto mole e enfaixado. Antes tivesse comido o cachorro, com farpas de osso e tudo o mais que tinha direito. Comer o soldado 045 seria demais pra mim naquela altura do campeonato. Nem falo na chupadinha.

 2ª lembrança: Batismo de fogo

Não, batismo de chope (eu prefiro Chopp). Já tinha passado pela Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, onde trabalhei por um período relativamente curto; acho que não completei dois anos, isto foi entre 71 e 72. Naquele tempo, estudava Pintura e Escultura na Escola Nacional de Belas Artes (UFRJ), mas garanto que não era veado – e continuo não sendo –, nem viciado em ácidos. Nada contra quem queira assumir a primeira opção. Os “Coronéis da Bolsa”, como eram chamados alguns dos seus diretores, com ou sem farda, mandavam e desmandavam. Provocar altas e baixas era com eles mesmos; inclusive da pressão arterial dos investidores.

Deixei de ganhar muito dinheiro porque era pobre – e continuo sendo. Meu pai não queria vender alguns bens para investir na Bolsa, mesmo sabendo das “dicas quentes” que eu passava sobre quais ações poderiam enriquecer ou foder de vez o desavisado investidor. Era bem informado porque continuava batendo continência e pelo fato de conhecer os trâmites nas corretoras de valores. Até que poderia contar um conto engraçado vivido na BVRJ, porém, vou pular esta página porquanto há muito devolvi a farda e pode ser que alguém estrelado o qualifique como “dica fria”. Poucos meses depois, estava fora daquele ambiente capitalista e bebendo chopp estupidamente gelado num ambiente mais descontraído.

Meus avós trabalharam na Brahma, ou melhor, foram empregados de confiança na casa do primeiro dono da Brahma, entre 1910 e 1930 (família Künning, salvo engano). A mansão dos Künning, localizada no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, proporcionava uma visão panorâmica da cidade. Motivado pela história profissional dos meus avós, resolvi trabalhar na Brahma. Lembro-me perfeitamente que a primeira pergunta que o meu chefe me fez foi a seguinte: “Você bebe cerveja?” Respondi-lhe ingenuamente: “Claro, no Natal ou na data do meu aniversário”. Às vezes, a honestidade em demasia nas respostas pode complicar a nossa vida. Não fazia a mínima ideia que a partir dali o meu batismo estava selado – e o destino.

Euclides Martins, mais conhecido como Professor Pardal, era o nome do meu superior imediato, responsável pelo setor de Estatística da Filial Rio, e, como tal, fez questão de me acompanhar no primeiro almoço na cervejaria. Toda a cervejaria é romântica, ainda mais aquela que se aproximava do centenário de fundação. O consumo de chopp era totalmente liberado, servido em tulipas de cristal. As tulipas vazias permaneciam nas mesas. Hoje, se calhar, nem mesa tem. O funcionário não podia jamais ficar bêbado. Cada qual sabia do seu limite. O do Euclides batia nas vinte tulipas por almoço; cinco antes, dez durante e cinco depois. Só que, como meu chefe, me obrigou a acompanhá-lo. Manda quem pode e obedece quem tem juízo. Quem acreditar nessa máxima, hoje, é babaca – mesmo que seja abstêmio.

Para quem tomava – perdão, homem não toma, bebe –, para quem bebia uma média de seis copos por ano, beber vinte tulipas num almoço é mole. Não é? Na décima tulipa já não via mais o garçom, apenas um vulto carregando uma bandeja com algo amarelo em cima. Resumo da ópera: não almocei e tive que ser carregado pelo Euclides e por mais uns três funcionários, que dias mais tarde os aceitei como padrinhos de batismo. Naquela altura, já estava considerando o Euclides como irmão, pai, avô. Padrinho ele não era; com certeza. Chamá-lo de “Filho da Puta” era motivo suficiente para demissão sumária. Naquele tempo havia respeito e ética entre os canalhas. Na nossa cartilha tinha frases maravilhosas como: “Diga-me com quem andas que quero andar junto”.

De volta ao trabalho, puseram-me sentado, perdão, deitado na minha mesa (afastaram o supedâneo) e ali permaneci em completo estado de torpor por umas seis horas. Acho até que foi mais. Queria descobrir quem me levou pra mijar. Segundo testemunhas, babei, vomitei, chamei urubu de meu louro, enfim, Jesus de Genésio e coisas do gênero. Ninguém até hoje falou quem segurou o meu pinto para dar aquela balançadinha de praxe. O Gerente Comercial pagou o táxi que me levou pra casa. Cobrei o retorno no dia seguinte porque a ressaca era tanta que mal podia subir para o ônibus. Começar a trabalhar de fato só consegui mesmo na segunda semana. Dois anos depois, o consumo do Euclides caiu para quinze tulipas por almoço, enquanto o meu subira pra vinte e duas, com pequenos intervalos para a degustação de salaminho e batatas fritas, além de românticos arrotos bem sonoros, aplaudidos pelos alemães.

3ª lembrança: Máquina de calcular Facit

Tem horas que a gente se vê obrigado a fazer uma sacanagem com alguém. É aquela coisa de veterano querendo ir à forra com os calouros. A ordem do dia é pegar alguém pra Cristo. Foi assim que aconteceu naquela mesma cervejaria. Usava uma máquina Facit manual nos cálculos estatísticos. Para quem não a conhece, dou algumas características: de metal; pesada como os nossos pecados; com uma manivela do lado direito para acionar as operações (lembro-me que nas contas de dividir a manivela era acionada no sentido contrário); no lado esquerdo tinha duas borboletas para “limpar” os números e restos das operações; a máquina tinha teclas como a máquina de escrever do Nelson Rodrigues, enfim, um verdadeiro aparelho de fazer ginástica olímpica. Acho que nem museu a quer por ser tão feia. Só o da Facit. Depois de uma chopada deixei uma porra dessas cair no meu pé.

Certa ocasião o Gerente Comercial me colocou nas mãos um estagiário para que eu lhe treinasse. O sacana do Euclides deu força. O infeliz era totalmente cru – não tinha culpa. Não obstante, eu fui legal com ele. Menos num ponto. Era fim de ano, e precisávamos fechar o orçamento de vendas para o ano seguinte. Toda a ajuda era bem vinda, sobretudo para efetuar milhões de operações naquelas máquinas manuais Facit. Que merda! O desavisado do estagiário me perguntou como funcionava a dita máquina e fui logo passando instruções: “Olha, você está vendo esta manivela aqui na direita? Vá dando corda até a máquina esquentar. Quando ela estiver bem quente, você me avisa”.

Duas horas mais tarde lá vem o estagiário todo suado, pingando a cântaros, com o punho inchado, e a máquina totalmente fria, como defunto em necrotério. Ele, coitado, não sabia aonde encontrar argumentos pra justificar a sua tamanha incompetência.

Dei nova ordem com firmeza: “É claro que a máquina ainda não está no ponto para começar as operações; pode continuar dando corda nela por mais trinta minutos”.

Terminado o expediente, sem que pudesse utilizar a máquina Facit, por estar totalmente fria, autorizei o estagiário a fazer duas horas extras para concluir o seu trabalho de “esquentador de máquinas”. O sacana não foi trabalhar no dia seguinte por motivos óbvios. Descobri mais tarde que ele era sobrinho do Presidente. Mandei importar da Alemanha uma máquina de calcular eletrônica especialmente pra ele e paguei do meu bolso, antes que ele contasse a dita cuja história para o seu tio.

4ª lembrança: O fusca do fantasma

Vou ser mais objetivo, sem a obrigatoriedade de apresentar currículo toda vez que conto um conto. Na Skol, fui nomeado para nomear distribuidores por esse Brasil inteiro. Sim, nomeado para nomear. O Diretor Comercial levou em consideração duas qualidades minhas: experiência profissional e exímio motorista. Esse diretor tinha manias estranhas; malucas por natureza. A escolha das trinta cidades, futuras sedes dos novos distribuidores, não se deu por acaso, mas sim às escuras. Ele, sobre um mapa do Brasil, com os olhos fechados, fazia passear uma caneta e no exato local aonde resolvesse pará-la, identificava o nome de uma cidade – foram trinta movimentos repetitivos. Por respeito à hierarquia não podia julgá-lo, até porque, meses depois, ele foi contratado pela concorrência – a mesma que me contratou também. Imaginem vocês se eu tivesse me rebelado contra ele. Não quero nem pensar.

Deram-me um fusquinha 1300; o ano dele eu não me lembro mais. Garanto que não passava de 75. Tinha cor padrão da companhia, um amarelo caganeira, nem claro e nem escuro. Ainda bem que não tinha adesivos nas portas com a logomarca do produto. Percorri cerca de quinze mil Kms, a uma velocidade média de 130 km/hora (jogava umas bolas de nafta dentro do tanque sempre que abastecia). Com sol, com poeira, com vento, com chuva, com lamaçal, enfim, com puta dentro, em qualquer situação ou condição, lá estava eu na estrada. Quando pegava uma boa banguela o fusquinha alcançava uns 150 km/hora – a sua aerodinâmica favorecia a loucura. Se fosse à noite, de tão rápido que andava, os seus faróis iluminavam o carro que vinha atrás e eu tinha que me guiar pelas lanternas traseiras do carro da frente. O atrito com o ar, com o vento, com o sopro, era tão grande, que o carro foi perdendo a sua cor original a cada dia, e aquele amarelo “cocô de criança recém-nascida” ficou esbranquiçado.

Dois meses depois, terminada a via sacra e percorridos os quinze mil, perdão, os 18.429 Kms, entrava triunfante na cervejaria. Meu fusquinha perdera totalmente a sua cor – agora vestia um branco indecifrável, misturado com a cor da chapa da carroceria. Um filho da puta de um Supervisor de Vendas, como eu, estava tentando convencer os demais colegas que tinha visto e, o que é pior, mantido contato no trânsito com um fantasma na sua última viagem ao interior de Minas Gerais – só podia ser Minas Gerais, Estado preferido das almas penadas. O ex-presidente topetudo, Itamar Franco, é de lá. Como a turma não estava acreditando muito naquela história, ele foi logo apontando para o meu carro gritando: “Olha o carro do fantasma ali; eu não falei a vocês que ele tinha um fusca?” Esse “FDP” ainda fez de tudo pra eu devolver o fusca ao fantasma mineiro. Se fosse ao Itamar eu até que concordaria, em troca de benesses federais. Como não entramos num acordo, o Itamar relançou o fusca no Brasil. Que babaca… As outras montadoras lançaram no mercado carros de similar potência com mais espaço interno e conforto. Como aqui não se fala só de sacanagens, há também espaço para cultura: Em 1993, por sugestão do presidente Itamar Franco, o Fusca é relançado, cuja produção foi encerrada em 1996. Naquele período, foram produzidos no Brasil cerca de 47.000 exemplares. Se alguém possuir um Fusca da série especial denominada “Série Ouro” é só me avisar que eu compro, desde que não seja amarelo ou tenha tido o fantasma como seu último dono.

5ª lembrança: Cabeças vão rolar

Aquela famosa marchinha de carnaval faz sucesso até hoje. Qual? “As águas vão rolar…”. Pois é; ela também fez um tremendo sucesso na Skol, bem no começo dos anos 80 quando a Brahma assumiu o controle acionário daquela cervejaria. Com medo de serem demitidos, fato comum quando há fusão de empresas, os Supervisores de Venda inventaram uma nova letra para a dita marchinha carnavalesca:

Cabeças vão rolar.

Atarefado o DP já vai ficar.

Eu só espero que o meu nome não esteja,

E nesta lista,

Não apareça.

Salve a minha cabeça!

E por aí vai. Batidas nas mesas faziam a marcação da cantiga. Todos os canalhas cantavam, inclusive eu. O Gerente Comercial, atraído pela algazarra, pelo salseiro, entrou na sala, e não se conteve; mandou todo mundo pro DP. Calma, não foi para a Delegacia Policial, foi para o Departamento do Pessoal. A verdade era uma só: estávamos todos demitidos; fodidos. Que merda! Taí uma ideia da boa. Caso levássemos um pontapé na bunda, essa putada toda bem que poderia pedir emprego na concorrência, mestre em orgias explícitas.

O Daniel, Gerente do DP, liga para o Gerente Geral, Carlos Monteiro, e pergunta se era pra incluir nas nossas contas o 14º salário e a gratificação do ano. O Gerente Geral responde: “Admite essa cambada de novo, rapaz. Caso contrário, a cabeça que vai rolar é a minha por estourar o orçamento; porra!”. Vamos cantar a marchinha…

6ª lembrança: Mecânico, só no apelido

Certa vez tive o prazer de acompanhar uma entrevista de admissão onde um Gerente de Vendas “espremia” um pobre candidato ao cargo de Vendedor:

– Vamos supor que você, dirigindo o carro da companhia, devidamente padronizado, depare em um ponto de ônibus qualquer, com uma mulher daquelas de parar o trânsito. Ela lhe dá bola, se insinua toda e só falta se jogar dentro do carro pedindo-lhe para que a coma. O que você faria naquela hora? Lembre-se que você está no horário de expediente e usando o carro da empresa.

O infeliz do candidato responde:

– Chefe, eu faço de conta que não a vejo, sigo em frente, e cumpro com o meu dever de bom funcionário.

Puta que o pariu um milhão de vezes. Conhecendo bem o sacana do Gerente de Vendas, jamais admitiria mais um mentiroso na empresa. Foi justamente isso que aconteceu – o candidato se lascou todo e deve estar ainda desempregado, dando uma de bom moço.

A gente nunca pode dizer “desta água não beberei” e “deste pão não comerei”. Ficar com sede não dá; com fome a gente engana o estômago. Foi num desses finais de tarde de primavera que o destino me envolveu num drama parecido. Como réu confesso, não fiz de conta que não a vi; não segui em frente porque parei, e deixei de cumprir com o meu dever de funcionário, pelo menos nas últimas três horas do expediente normal, mas feliz da vida porque cumpri com o meu papel de homem. Belas trepadas… Também, a companhia não me pagava horas extras.

Tudo aconteceu dentro do carro, ou melhor, começou dentro do carro e acabou em cima do capô do Fusca (Já era outro, mais novo. Aquele descorado eu devolvi ao fantasma de Minas). Noivinha há pouco mais de seis meses, a beldade da garota era realmente apertadinha. O que fazer? O que fazer? O poder da criatividade entrou em ação: disfarça, pega um pouco de graxa e passa no pinto. Prometo que não vou entrar em detalhes, ainda mais que a beldade estava com o casamento marcado, sobretudo divulgar a parte saboreada eu não podia, em público. Pensando bem, acho melhor divulgá-la porque a revelação só vem enriquecer o meu currículo. Que bundinha! Degustei-a maravilhosamente. O cabacinho foi reservado para o noivinho, bem, o que restou dele, sem graxa.

Já era noite, escura, e tudo acontecia naturalmente a meu favor, de forma muito especial; após três tentativas e dois acertos, nos arrumamos e fomos embora. Paramos numa birosca e comemos dois pastéis com dois copos de caldo de cana. Não tinha dinheiro suficiente pra bancar melhor recarga de energia. Metade do meu pastel, sem a carne, eu dei pra ela – reparei que apresentava elevado grau de desnutrição.

O sacana do Gerente não tinha o hábito de reconhecer o valor dos outros colaboradores, por isso, eu não ganhava aumento espontâneo de salário desde que entrei na empresa. Ia me esquecendo; trocamos os números dos nossos telefones. Eu e a garota; é claro. Mandei um abraço para o seu noivo, manifestando a vontade de conhecê-lo.

Na manhã seguinte, não deu outra. Lá vem bomba. Ela liga para a empresa e pede pra falar com o mecânico fulano de tal. Acertou no nome, mas errou longe a profissão. Pra meu azar, quem a atendeu foi logo o Gerente de Vendas, e ele sabia, de antemão, que o assunto era comigo, e, prontamente, me passou o aparelho, com um sorriso maroto. Quase o mandei tomar naquele lugar – aquele que a garota tomou no dia anterior.

Mal disse alô, a noivinha saiu atirando:

– Tudo bem, pô! Foi legal abessa, mas só que você deveria limpar a ferramenta antes de fazer o serviço, seu mecânico de merda. Você me sujou toda de graxa e eu não precisava de lubrificação, seu filho da puta. Estou tirando graxa do cu até agora! E tem mais, você quer que eu diga ao meu noivo que o meu cu foi rebocado?

Bateu o telefone na minha cara e ela nunca mais me ligou. Queria ser convidado para o seu casamento. Juro. De certo, foi consertar o carro em outra oficina. No meu trabalho fiquei conhecido pelo apelido de “mecânico de silenciosos”. Devo isto ao “FDP” do Gerente de Vendas. Ele esquece que tem carro e é louco por pastel. Deixa-o…

7ª lembrança: Chuva de granito

Cervejaria Kaiser Rio de Janeiro. Anos 80. Como Coordenador Sênior, era responsável direto pelas atividades de Marketing. Contratamos um conjunto de pagode, Brasil Samba Som, para atender a uma vasta programação de shows musicais em casas exclusivas e preferenciais na comercialização da cerveja Kaiser, sobretudo no tamanho 600 ml – embalagem âncora.

O conjunto Brasil Samba Som era composto por seis músicos: Gilberto (reco-reco e vocal); Montanha (cavaquinho); Maurição (pandeiro); Geléia (surdo); Zeca (tamborim) e Armando (violão de sete cordas). Mais tarde outros dois componentes reforçaram o grupo. Eles fizeram muito sucesso e, infelizmente, o grupo se dissolveu. Por problemas de ordem “cagalofística”.

Juiz de Fora, Minas Gerais. Tarde de sexta-feira, ensaio geral dentro do hotel, porque o tempo fechou abruptamente e parecia que um temporal desabaria sem piedade sobre a cidade. Começamos, então, a ouvir um barulho infernal, como se algo estivesse quebrando lá fora. O Maurição, crioulo de um metro e noventa de altura, abriu a janela e, entusiasmado – ele sempre ficava assim toda vez que via algo dantesco, ou quando enchia a cara –, começou a gritar:

– Puta que o pariu, eu nunca vi uma chuva de granito!

Perplexo, me dirigi ao negão e retruquei:

– É Maurição, eu te confesso que também nunca vi uma chuva de granito. Por acaso não seria uma chuva de granizo? Essa que você está vendo com certeza não é uma chuva de rochas granulares compostas de quartzo e feldspato.

O Maurição se fez de desentendido:

– É, seja o que for tá gelada pra porra!

Pelo visto, o Maurição, do pandeiro, não entendeu absolutamente nada. Os outros cinco crioulos permaneceram calados. Foi melhor para os meus ouvidos. O ‘granito’, por si só, já fazia muito barulho.

Sangue bom. Valeu?

8ª lembrança: Garrafa de cerveja com “CE”

O cara que demonstra certa habilidade no trato de questões difíceis de resolver se fode de verde e amarelo. Deixa-me explicar: “CE” quer dizer Corpo Estranho, ou seja, o inimigo número um de qualquer Gerente Industrial (impurezas, objetos, materiais diversos), enfim, coisas encontradas dentro das garrafas de cervejas, colocadas propositalmente, ou não, por funcionários do setor de produção, ou de engarrafamento, que estejam putos com a empresa e com seu chefe imediato (a má manipulação no mercado também é responsável por isso). Na maioria das vezes, esses corpos estranhos as máquinas lavadoras não conseguem tirá-los do interior das garrafas vazias. Citamos como exemplos: resíduos de cimento, cola, tinta, terra, pedras, grãos diversos, pedaços de pau, botões, agulhas, pregos, parafusos, ossos de aves e de pequenos roedores, insetos, dedo de cadáver ou de pessoa viva, camisa-de-vênus aberta ou fechada, plástico flexível, plástico duro, orelha de porco, de gente, unha pintada, unha sem pintar, etc. Já vi de tudo. Pois bem, só que o tudo ainda estava por vir – e foi dificílimo me livrar dele; não fosse papai do céu me ajudar, com o auxílio das almas penadas.

O Diretor Comercial me deu uma missão, e junto com ela, carta branca pra resolver o problema a meu modo: tirar das mãos de um chantagista uma garrafa de cerveja com esse maldito “CE” dentro. Quem consegue ser agraciado com uma dessas garrafas a primeira coisa que pensa é tentar arrancar algum dinheiro do produtor, ameaçando-o com denúncia na imprensa, nos órgãos de saúde pública, enfim, até no Vaticano. Essa gente não tem medo de ser denunciada por extorsão. Aliás, segue os exemplos dos nossos políticos – verdadeiros “Corpos Estranhos”.

Tomei coragem e rumei pra casa do cidadão. O infeliz morava no bairro de Olaria, zona norte do Rio de Janeiro. Quando vi a cara do tal sujeito, e a grossura dos seus braços, senti vontade de gritar mamãe. Aí é que entra, de verdade, a tal história da habilidade no trato de questões difíceis. Bota difícil nisso. Meu olhar correu rapidamente pelas paredes da sala e notei alguns quadros exibindo fotos ampliadas do referido levantando troféus em ringues de boxe. Papai do céu me inspirou naquele momento. Identifiquei-me como jornalista e queria, portanto, fazer uma rápida entrevista com ele para o caderno de esportes de um jornal especializado. Todo cara que levanta troféus (no plural) é extremamente vaidoso. Foi pego por aí – consegui nocauteá-lo, sem entrar no ringue. Também se quisesse, e se essa fosse a última alternativa, seria obrigado a fazer seguro de vida, colocando, além da mulher legítima e os filhos também legítimos, o meu Diretor Comercial como beneficiário.

Já não estava aguentando mais ouvir vantagem. O babaca do cara, campeão carioca de boxe, segundo ele, entrava tanto em detalhes que dava até pra sentir a dor dos seus oponentes. Esmurrava o ar sem parar. Exaurido das lutas virtuais, puxou-me pelo braço pra tomarmos um copo de Q-suco na cozinha. Porra, Q-suco é sacanagem. Foi então que percebi que a filha da puta da garrafa de cerveja com “CE” dentro (um osso de perna de galinha, ou de galo, ou de frango, ou de pato, ou de qualquer outra ave, conhecida ou não por quem não tem pena; chega porra!) estava sobre a prateleira do armário.

E agora, José, o quê fazer? Vou colocar o copo vazio (depois de ter bebido o ralo Q-suco de uva) naquela prateleira, esbarro na garrafa, acidentalmente, é claro, e a deixo cair no chão – pensei. Qualquer mortal teria coragem de fazer isso; não é verdade? Não? Mas foi o que fiz. Só não fui nocauteado porque prometi uma manchete, digna de um campeão, e destaque da matéria nas páginas centrais do jornal para o qual eu trabalhava.

Continuamos o papo por umas duas horas mais, sem direito ao repeteco de Q-suco. Ao me despedir, prometi-lhe presenteá-lo com uma caixa de cerveja, até porque, descobrira ao longo do papo, que o protagonista da história aniversaria naquela semana – sem direito a troféu.

O final do episódio só não foi coroado de total êxito porque a minha secretária – com ódio de mim porque até aquele momento não a tinha comido – despachou a caixa de cerveja prometida com um cartão de visitas revelando o meu nome completo, cargo e telefones pra contatos comerciais e pessoais.

Resumo da peça: fui ameaçado de morte, ao bom estilo de um pugilista campeão. Naquela altura, o Diretor Comercial providenciara o meu caixão e carta de pêsames à família. Antes de pensar em morrer, comi a minha secretária, e, de quebra, a do Diretor Comercial fez um boquete. A vingança só não foi maior porque deixei de providenciar um seguro de vida falso só para não prejudicar os meus herdeiros diretos.

9ª lembrança: A greve dos aeronautas

Executivo da Coca-Cola eu estava – a gente nunca é. Amazônia, meados dos anos 90. Todo mundo tem o direito de fazer greve e lutar por melhores salários e condições de trabalho. Todavia, quando os seus efeitos e consequências nos afetam diretamente a coisa recebe outra interpretação. É assim que funciona do lado de cá. Saca só; aeroporto de Boa Vista, capital de Roraima, numa sexta-feira, vinte e uma horas, um calor filho da puta e uma fila interminável no balcão da VARIG, de dar inveja a corno. Não faltavam informações desencontradas e ninguém tinha certeza se haveria ou não um vôo extraordinário com destino a Manaus – só o corno do presidente da VARIG e o homossexual da ANAC.

Parabéns ao pessoal do norte, educado, ordeiro e compreensivo. As mil cento e trinta e sete pessoas que estavam na fila, nela permaneceram o tempo todo. Penso que se fosse no Rio de Janeiro, no mínimo, seriam formados alguns grupos de amotinados e produzidas meia dúzia de caras quebradas. Esses grupos fazem falta em Brasília para quebrar a cara de políticos.

Praticamente quatro horas depois, isso lá por volta de uma hora do sábado, uma chamada pelo autofalante:

– Vôo extra para Manaus; saída prevista pras duas horas. Preferência no check-in pessoas idosas, mulheres grávidas ou acompanhadas de crianças e portadores de deficiência física.

Jamais teria chance de embarcar naquele vôo. Salvo engano, era o número quatrocentos e onze da fila. De certo, não gozava de preferência alguma, mesmo porque não era idoso, nem mulher grávida ou com criança fora da barriga, tampouco deficiente físico. Espera aí; deficiente físico, esta é a grande sacada. Saí da fila de fininho e me infiltrei lá na frente, todo torto puxando da perna esquerda e me escorando num pedaço de pau que encontrei na lixeira do aeroporto. Pedia licença a todos com a cara voltada pro chão para que ninguém sentisse o cheiro da cana. Aleluia, consegui fazer o check-in. Não é tão ruim assim passar por aleijado. As pessoas te respeitam mais, talvez por medo da punição divina.

Embarque liberado, a aeromoça me ajudou a sentar. Os assentos estavam liberados. Quem conseguisse entrar naquele avião sentava em qualquer lugar. O difícil foi entrar nele com o pedaço de pau. O chefe dos comissários achou que colocaria em risco a segurança dos passageiros. Dane-se ele porque carreguei o pau comigo.

Uma hora depois, desembarcávamos em Manaus. O cansaço e o sono, misturados com as dez latas de cerveja que bebera na viagem, fizeram-me esquecer que embarquei aleijado e deveria permanecer como tal até pegar o táxi. Desci normalmente a escada da aeronave e lá embaixo a aeromoça me questionou:

– O senhor não é aleijado? O que foi que aconteceu?

Pra não perder a compostura, comecei a gritar no meio da pista:

– Milagre, milagre, eu fiquei curado; obrigado senhor!

Já tinha gente acendendo vela no saguão do aeroporto, e uma comitiva de repórteres da TV Globo acabara de chegar para me entrevistar com exclusividade.

10ª lembrança: Tarado emergente

Sei que é babaquice brigar no mercado com a concorrência, na maioria das vezes de forma exagerada, defendendo veementemente que o seu produto é melhor do que o dela, que também, na maioria das vezes, sabemos que não é. Tinha um amigo, perdão, colega de trabalho, que usava um expediente incomum – não convencional vamos assim dizer – nos seus contatos com os clientes. Gostava de contar uma piada (ele jura que aconteceu de fato), sempre que encontrava o vendedor da marca concorrente no interior dos pontos de venda onde ele estivesse (bares, lanchonetes, botequins, restaurantes, etc). Contou ele:

– Certa vez, um cara, vindo do trabalho, parava num boteco e pedia uma cerveja Kaiser. O seu Manel dizia que não tinha e oferecia uma Antarctica estupidamente gelada. Ele bebia uma, duas, três e assim por diante. Devidamente calibrado, o cara ia embora trocando as pernas. Em cada dez tropeçadas que dava, caía onze, e ali ficava totalmente imóvel no chão. Lá pelas tantas, passava um negão, também calibrado, que admirava aquela bunda branca virada pra cima e não resistia. Enrabava o pobre coitado. Isso aconteceu por uma semana direto, durante todos os sete dias. Não tinha Kaiser, bebia Antarctica e tomava ferro na bunda. No oitavo dia, pediu uma cerveja Kaiser e o seu Manel novamente lhe ofereceu uma Antarctica, sendo prontamente recusada pelo cara que disse o seguinte: “Pelo amor de Deus, seu Manel, na falta da Kaiser me dá uma Brahma, porque a Antarctica está me dando uma dor no cu danada”.

Um dia desses, em visita ao mercado para supervisionar o trabalho da nossa força de vendas, encontrei o vendedor da marca ofendida. Ofendido ele não se demonstrou, ao que me pareceu. Contudo, fez questão de dizer que usa como defesa uma frase pronta, patenteada pelos seus superiores:

– ANTARCTICA: Antes Não Trepava. Agora me Recuperei. Como Todas. Inclusive Colegas e Amigas.

Só não confessou que também deu o cu por descuido.

Pelo visto, acho que a faculdade da rua o ensinou bem ensinado. É muito melhor assumir a condição de tarado emergente do que ficar o tempo todo sendo sacaneado, mesmo que diga que nunca tenha dado a bunda.

Vou parar por aqui porque, definitivamente, treze não é o meu número de sorte. Pode ser o do Zagalo. Alguém pode achar que isso tudo é mentira. Eu juro que não. Há outra saída? Fui. Até mais, ou, até a edição do livro prometido pela ABRH-RJ e pela Gamalfa. Será verdade? Eu, como simples iniciante a escritor, não posso jurar. Tchau. Até o presente momento não tive retorno algum. Eu acho que tudo não passa de “KO”.

Caí na besteira de mostrar a matéria “Best Seller”, concluída num domingo qualquer, a um ex-colega de trabalho que encontrara caminhando no calçadão da praia de Coqueiral de Itaparica, aqui em Vila Velha – ES, com a finalidade de ouvir a opinião dele antes de encaminhá-la, por e-mail, aos organizadores do projeto “Seja coautor de um livro” (ABRH – RJ e Gamalfa Consultoria). Eu só vivo cometendo asneiras.

Pois bem, antes não tivesse mostrado, porque este amigo, se é que podemos chamá-lo de amigo, tentou me convencer a mudar seis, das dez narrativas, sobre situações pitorescas vividas por mim ao longo do tempo em que trabalhei “para os outros”. Queria a todo custo fazer prevalecer as experiências dele, e não as minhas. Mandei-o, sonoramente, à merda, e o fiz caminhar novamente – no sentido contrário. Olhava pra trás e eu fingia que não via.

Fiquei com pena do filho da puta (a sua mãe, dele, é morta – não se xinga mãe morta, mas, nesse caso, não tive escolha), porque uma das suas histórias, entre as seis, realmente tinha alguma graça, embora com boa pitada de humor negro. O mais interessante disso tudo é que eu também estava ao lado dele nos momentos da aplicabilidade da canalhice. Não sei o porquê que deixei de considerá-la, todavia, vou me redimir com os meus futuros leitores, porque vou contá-la agora, sem que o maçante do meu amigo saiba, caso contrário, ele me contaria mais uma dezena de suas histórias. Convenhamos, o domingo foi feito pra nós, pobres mortais, bebericarmos o dia todo e também olharmos as nádegas das moçoilas, e das mulheres dos outros; é claro. Há quem se arrisque olhar pra bunda das nossas mulheres. E por falar em bunda, um observador de nádegas, com pós-graduação internacional, sempre que ficava diante de curvas exuberantes, murmurava: “Carne. É só carne, e ainda está fora da geladeira”. Verdade. Tudo que está fora do nosso alcance não presta. A raposa e as uvas não têm nada a ver com isso.

­­11ª lembrança: Mãe morta

Todo homem, canalha ou não, cafajeste ou não, calhorda ou não, sério ou não, tem um modo particular de cantar uma mulher. Há quem diga que não existe mulher difícil e sim mulher mal cantada. Claro, independente do seu biótipo, a mulher veio ao mundo pra servir ao homem, em todos os sentidos. Não vamos entrar em detalhes porque as mulheres também lerão esta matéria, e posso me ferrar de azul e branco. Eu tinha um parceiro de trabalho inseparável, sobretudo quando saía para operações de mercado: visitas aos clientes; avaliação do trabalho da equipe de vendas; etc. O Damião – eu era o Cosme –, de cada dez mulheres que cantava, levava nove pra cama. Na empresa onde trabalhávamos, era permitida uma escapadinha no horário de expediente pra uma “rapidinha”. Motivo: o diretor comia na nossa mão – tinha rabo preso. Só nós dois sabíamos que ele era “gay”. Na verdade, eu sempre achei que o Damião também era; a propósito do rabo solto.

O Damião tinha uma impressionante habilidade no uso do vernáculo. Pobres coitadas das virgens. Ele usava um expediente não muito convencional pra cantar as fêmeas. Confesso que tentei usá-lo algumas vezes e o máximo que consegui foi um sexo oral com uma servente. A escolhida era, logo de cara, bombardeada com a seguinte pergunta:

– Você tem mãe viva?

No princípio eu achava aquilo uma tremenda falta de respeito, mas ele concluiu:

– Sabe, Cosme, se a mulher me responder que tem mãe viva eu a mando dar os parabéns a ela por ter feito uma filha tão maravilhosamente bonita, e, daí pra frente, tudo fica mais fácil.

Este babaca se lascou na décima mulher. Ao fazer a pergunta, a danada começou a chorar copiosamente. Dava muita pena. Depois da resposta que ela lhe deu, “Minha mãe é morta faz uma semana, cara!”, jurou mudar de estratégia. Quem a comeu foi justamente eu, porque minha estratégia era e é fazer cara de padre consolador.

A propósito, meu nome não é Cosme.

Zagalo na linha. Esse meu ex-colega de trabalho, além de pentelho, é fofoqueiro. Imaginem que esse babaca foi contar pro Zagalo que eu mencionei o nome dele na matéria “Best Seller” sem a sua permissão; fato que poderia me render sérios problemas jurídicos. Uma frase, que já se tornou marca registrada do Zagalo, “Vocês vão ter que me engolir”, de certa forma me levou a refletir sobre o assunto e, como não conseguia mais dormir direito, resolvi entrar em contato com ele, antes que qualquer time do Iraque o contratasse.

A Velha Raposa das palavras, perdão, o Velho Lobo dos gramados, jurou não mover nenhuma ação contra mim, com duas condições: primeira, que eu escrevesse as 13 histórias pitorescas conforme havia “quase prometido” no corpo da matéria mencionada; segunda, que eu mandasse uma cópia do trabalho finalizado para constatar que o seu nome não foi citado de forma jocosa em nenhuma das 13 histórias. Enfim, resolvi tocar a bola pra frente. Até agora nada de gol.

12ª lembrança: Rede trifásica

Vocês sabem como é o sexo oral em Portugal? Bem, eu já vi que não, por isso, vou contar pra vocês: O português quando tem relações sexuais, leva um livro pra cama e o fica lendo em voz alta até gozar. Toda vez que o sacana do meu amigo Bernardo (é outro ex-colega de trabalho) me encontrava, vinha com uma piada nova. Esta aí de cima é dele.

Um ditado, também de origem lusitana, diz que “O vento que venta cá é o mesmo que venta lá”. Pois bem, chegou a minha vez de sacanear o Nadinho (este é o apelido do Bernardo) face à descoberta sensacional de um seu segredo, que me foi revelado por uma de suas amantes que, posteriormente, passou a ser minha, por razões óbvias. Num dos últimos encontros que tive com o Nadinho, não me contive:

– Pois é, Nadinho, soube que você está mudando a rede elétrica da sua casa e rejeitou o sistema trifásico. Qual foi o motivo?

O Nadinho:

– Por que, o quê? Como é que você soube dessa história? Agora sou eu quem faz a pergunta.

Então, respondi:

– Como bom jornalista, não posso revelar a minha fonte, por ética profissional, e depois, me fala um pouco mais da sua preferência por fio terra e no máximo uma ligação bifásica. Quando a eletricista foi mudar pra rede trifásica você esperneou todo.

Bem, eu já vi que vocês não estão entendendo nada. Lá vai a explicação: Em uma determinada região do Brasil (não digo qual por ética da profissão) as mulheres quando estão trepando têm o costume de enfiar um dedo no tobas (cu) do seu parceiro – a maioria deixa. Este ato de pura selvageria é conhecido pelo nome de “Fio Terra”, com letra maiúscula, porque o tamanho do dedo é determinante. O Bernardo, perdão, Nadinho, gostou tanto que acabou permitindo que a sua namorada enfiasse dois dedos, o que ele chamou de “ligação bifásica” – com muito prazer.

Um belo dia, devidamente calibrada pela alta voltagem da cana, a dita cuja resolveu enfiar três dedos de uma só vez no cu do Nadinho, e não deu outra:

– Tira logo esses dedos daí, sua filha da puta. No meu cu você não vai fazer nenhuma ligação trifásica.

A própria me contou mais tarde que levou uma porrada na orelha e foi colocada de porta pra fora. Segundo ela, o Nadinho ficou com a energia fraca.

13ª lembrança: Foda diferente

Essa eu vou contar rapidinho, porque o Nadinho já está na linha, e acho que ele vai me ameaçar com um processo. Antes que o faça, adianto pra vocês que essa, abaixo, também é dele. O descuidado do Nadinho foi dizer pra uma de suas putas que aquela seria uma foda diferente, porque já estava cansado da rotina, sempre na posição papai e mamãe.

Colocou a puta nua debruçada na janela e começou a chupar-lhe o corpo, de cima pra baixo. Quando foi sentar no chão pra chupar a perereca da felizarda, a sua nádega esquerda não deslizou como deveria e ele acabou soltando um enorme peido, que fedia mais do que tripa de urubu do avesso ao sol, ou buchada de hiena quinze dias de pronta. A coitada olhou pra baixo e vociferou:

– É Nadinho, bem que você disse que esta seria uma foda diferente.

A puta vestiu a roupa e foi embora, e o urubu não pousou mais na janela. Também não tivemos notícias da hiena. O cheiro de merda molhada permaneceu no ar durante semanas.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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