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Crônicas Aforísticas

22ª Crônica

22ª Crônica

O Devasso – 2ª parte

O apaziguador do apartamento 101 manifestou o que pensa:

Olha que coisa interessante; vizinhos que nunca se falaram agora estão se falando. Pelo menos a pobre coitada da fudiona serviu para unir as pessoas.

O aposentado do 202 deu o ar da sua graça:

Cada mulher, ao gozar, tem uma reação diferente. Umas riem, outras choram, outras gritam, outras desmaiam, algumas se fingem de mortas e a maioria simplesmente engana o seu parceiro quando simula o tremor do gozo feminino. Lembro-me que num dia desses peguei uma mulher que desmaiava logo no primeiro orgasmo. Dei-lhe tanto tapa na cara tentando reanimá-la que quase lhe quebrei o pescoço. A danada só voltou a si quando comecei a trepar de novo – não esperei que gozasse pela segunda vez porque poderia me tornar homicida.

O filho do vizinho do 401 foi pego falando pra quatro tarados iguais a ele:

Vou fazer de tudo pra me tornar amigo do marido da indecorosa. Talvez assim eu o convença a seguir a minha filosofia: prefiro dividir um prato de filé com um amigo a ter que comer bucho sozinho. Esta mulher deve ser daquelas que abundam e, por isso, é um banquete pra vários talheres.

Se eu me tornasse amigo dele eu proporia uma suruba à moda brasileira. Falou o primeiro tarado.

Eu não. Com amigo, no máximo, a gente faz uma sacanagem a três, bem ao estilo do tal ménage. Pronunciou-se o segundo apaixonado compulsivo.

Por ser mais velho e, portanto, mais experiente do que vocês, eu faria uma troca de casais com todo o requinte matrimonial. Abriu a boca o terceiro desequilibrado mentalmente.

O quarto tarado, que no passado cometeu crimes sexuais, demonstrando certa timidez, decretou a sua vontade:

Eu só queria ter o prazer de ficar assistindo e quem sabe tocar uma punheta atrás da porta do armário, sem fazer barulho.

A mãe de um deles, para minimizar a besteira dita pelo filho, soltou essa numa roda de anciãs inconformadas:

Olha só em que se transformaram os movimentos feministas. A atual geração de mulheres confundiu tudo, acha que o feminismo é sinônimo de autorização para a prática de putarias generalizadas, de sexo liberal, trepar com quem bem entende e acima de tudo em voz alta. Valha-me Deus!

Esta é a maior prova da falta de religião. Nem falo na questão da vergonha, porque um dia também cometemos pecados sexuais. Comentou uma delas, parecendo estar se condenando pelo passado, do qual sente saudades.

O Clube do Bolinha, muito bem representado pelo morador do 201, puxou a brasa pra sua sardinha:

É por isso que eu sou radicalmente contra o casamento. O casamento pode ser comparado ao cemitério; quem está literalmente dentro dele não pode sair e quem está do lado de fora não quer entrar.

Alguns componentes do clube também quiseram opinar sobre o assunto:

O casamento é uma equação cujo resultado sempre denota mais perdas do que ganhos. É uma adição de afetos; uma subtração de liberdade; uma multiplicação de problemas e uma divisão de bens.

Dependendo da mulher, é claro. Mas, para quem for casado de fato eu dou um conselho como metaleiro veterano e amarrado há vinte anos: sigo à risca duas dicas do OZZY Osbourne. Primeira, faça o que sua mulher lhe diz, se quiser ter um pouco de paz. Segunda, nunca tente estrangular sua esposa.

É bicho, por essas e outras que eu sou misógamo.

Também não precisava xingar a si próprio, ô cara!

Ô idiota, misógamo é aquele que tem horror ao casamento.

Nesse momento, passa outro metaleiro e alguém pergunta:

Ué, cortou o cabelo?

E ele responde:

Não, seu babaca, tirei pra lavar.

Mais ao lado, uma turma de sulistas conversava animadamente:

O cara que fizer amor com essa mulher safada vai ficar todo agatanhado. Tchê!

Estás ficando agauchado?

Sai pra lá paranaense, sou catarinense. Ainda mais que eu soube que comer mulher de gaúcho é muito difícil, quase impossível.

Qual o porquê?

Porque a fila é muito grande!

Pra muitos, chifre é troféu. Não é mesmo catarinense?

O sacana do carioca que se aproximava, e pegando a conversa pelo rabo, perguntou diretamente ao gaúcho:

Você sabia que na sua terra chifre também pode ser chamado de guampa?

E o gaúcho se doeu:

Aí guri, se tu estás insinuando que eu sou corno, afirmo-te que não sou. Por enquanto, continuo sendo marido de mulher adúltera, nada mais do que isto, podes ter a certeza.

O capixaba cutuca o carioca:

Pois é, o marido da adúltera se doeu mesmo. Era bem melhor tê-lo chamado de chavelho. Além do mais, pra corno, todo castigo ainda é pouco.

E a sacanagem continua…

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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