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Naturismo

Aceitação, e não imposição

Aceitação, e não imposição

Um fato tem causado certo frenesi na sociedade naturista nos últimos tempos: As mulheres, na sua maioria, não estão aderindo ao Nudismo, na plenitude que se deseja, conforme preceitua a prática filosófica. Isso vem provocando naturais questionamentos sobre as regras de conduta e não há como fugir das comparações comportamentais entre os dois sexos – as doutrinas valem para ambos. Assim como a moeda possui duas faces diferentes, nós, humanos, também apresentamos aspectos singulares na matéria como no espírito. Causa e efeito em constante conflito; as razões agrupam-se desordenadamente numa “ordem racional”. As escolhas são múltiplas. O caráter psicossocial talvez se sobressaia às vicissitudes, no que diz respeito às mudanças de coisas sucessivas – de certo modo não identificáveis a céu aberto. O que as fazem diferentes dos homens? O tempo cronológico em que exibem os seus corpos, totalmente despidos, durante a convivência dentro do grupo comum, é considerado bem menor do que o dispensado pelos homens. Quais os enigmas que estão por trás desse comportamento? A questão em si requer determinados cuidados no seu trato e as respostas que esperamos não são encontradas com tanta facilidade e tampouco consultadas nos manuais especializados.

Fatores facilmente influenciáveis: O modo como as mulheres foram criadas desde a mais tenra idade no seio da família; a religião pregada; as regras difusas; as tradições herdadas; as palavras seguidas. A ordem do dia nos remete para uma simples realidade: não se expor para não ser vulgar. Ao homem, lado forte da relação, tudo lhe é permitido. A mulher vista como “eterna fonte de desejos”, por isso, o seu corpo deve permanecer coberto para não estimular os instintos perniciosos. Ações reprimidas acumularam-se ao longo do tempo, o seu “EU” passou a ser os outros. O que vão dizer; o que vão pensar de mim? A figura da mãe perfeita entra nesse contexto, não só como divisor de águas, como também o auto-retrato da família, que jamais deve ser maculado, manchado, amarelado. A figura da mulher sempre cobrada, vigiada, diminuída, posta à margem do julgamento normal. Mas, como se libertar disso tudo? No íntimo, as mulheres ainda guardam consigo esses ditames, ainda que não manifestados imperativamente no cardápio da vida diária. O tempo passa, e com ele caminhamos todos juntos…

O Naturismo seria a fonte da libertação, uma forma de enterrar de vez os tabus, os medos, os preconceitos, os fantasmas escondidos no fundo da alma? É comum ouvirmos: “Sinto-me feia, é por isso que eu me tapo; fico mais bonita de roupa”. “Meus seios estão caídos, meu bumbum está flácido”. Outras mulheres demonstram complexo de gordura: “Sinto-me gorda”. É a prova cabal do eterno conflito dos conceitos. Naturismo, por vezes, sendo encarado como desfile de beleza – para elas. Elas, as mulheres, acreditam que o verdadeiro espelho cruel está nos olhos da própria mulher. O “ser naturista” precisa “agir naturista”, caso contrário, teremos cada vez menos engajamentos à causa; cada vez mais a filosofia naturista estará fragmentada seja por pensamentos ou atitudes. É um fenômeno natural ou um comportamento sintomático? A estética não define formas perfeitas. Na prateleira do exibicionismo tem de tudo, artigos para consumo imediato como para deleite futuro. As diferenças fazem as pessoas iguais – no final, o instinto, como força vital, prevalecerá na desigualdade. O caminho está aberto para ser seguido; a razão cede a dianteira para a convicção; deixemos que o exacerbado instinto de preservação, os preconceitos sutis, os dogmatismos e a opinião alheia fiquem para trás. O importante é se deixar mostrar… Momentos existem de mais pura intimidade consigo própria – a mulher sabe disso. A fragilidade humana comumente recebe um novo contorno a cada interpretação. A palavra-chave não é “imposição”, mas sim “aceitação”. A pessoa se revela naturalmente bela, esplêndida, quando se aceita verdadeiramente como é.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

5 comentários sobre “Aceitação, e não imposição

  1. Acho que há controvérsias, assim como na quantidade de naturistas quanto a proporção entre homens e mulheres. Se observarmos por fotos divulgadas na internet aparentemente esses valores variam de região pra região, pois começamos pelo fato de que em muitos lugares e principalmente aqui no Brasil a maioria dos naturistas não estão afiliados a nenhuma federação.

    Saudações Naturistas
    CasalNatSP

    Publicado por Nati | 21/04/2012, 09:43
  2. Oportuno o seu comentário. Saudáveis as discussões, em bom nivel, em torno de um problema ou de ideias. O desnudamento feminino (por-se nua, despir-se, por-se a descoberto), independente do quantitativo definido por sexo, em áreas reservadas à prática naturista, por vezes é um ato de contrição. Porém, esta tendência comportamental, o que é próprio da natureza humana em virtude dos valores que nos são transmitidos hereditariamente, vem apresentando mudanças positivas, sobretudo, pela influência de grupo, aprendizado filosófico e pela decorrente aceitação.

    Publicado por augustoavlis | 21/04/2012, 10:54
  3. Parabéns ao casal Nat/SP. Desejo sucesso, felicidades e bons momentos de meditação devidamente incorporados às leis da natureza.
    Forte abraço,
    Augusto Avlis.

    Publicado por augustoavlis | 21/04/2012, 10:59
  4. Obrigado Augusto, Nosso papel é divulgar a filosofia e estilo de vida naturista/nudista presente no mundo inteiro e representada por diversos grupos e entidades, cada uma com suas regras e características mas todas em busca de liberdade e uma vida melhor e saudável. Procuramos desempenhar nosso papel e contribuir para o naturismo de uma forma isenta de hipocrisia e discriminação, coisa que na sociedade já tem de sobre em toda camada social. Não somos perfeitos nem diferente de ninguém, apenas defendemos aquilo que acreditamos ser a porta da libertação de efeitos negativos herdados de uma cultura castradora e manipuladora. As pessoas em geral sempre viveram em função dos outros esquecendo-se de si mesmo, coisa que essa nova geração está mudando e obrigando a sociedade a se adaptar. Não é possível fazer a felicidade e agradar aos outros se não somos capazes de nos fazer feliz e nos conhecer integralmente, principalmente ter uma harmonia com nosso próprio corpo que é nosso templo e nossa vida.
    Enfim, é isso que acreditamos ser o naturismo e é o que ensinamos para as pessoas.
    OBS: apenas como informativo, o natibrasil naturismo é um grupo de amigos naturistas sem fins lucrativos com regras internas e tb segue as normas internacionais de conduta do naturismo mas é um grupo completamente autônomo, não sendo filiada a nenhuma federação e nem sofrendo qualquer influência de nenhuma pessoa ou entidade externa,
    Não temos nada contra as federações e até julgamos a existência delas necessárias, mas até o momento não tivemos nenhuma que de fato represente os interesses dos naturistas e justifique nossa afiliação, porém se um dia isso acontecer terão nosso total apoio.

    Saudações Naturistas

    NATIBRASIL Naturismo

    Publicado por NATIBRASIL Naturismo | 21/04/2012, 11:36

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