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Esportes

FIFA e a Copa de 2014

O Brasil é hexa campeão mundial na arte da procrastinação. Empurrar com a barriga, deixar pra depois algo que poderia ser feito agora, enrolar, criar dificuldades para vender facilidades, faltar com a palavra, descumprir acordos, adiar compromissos, modificar cronogramas, tirar partido de situações, transferir problemas, são expedientes corriqueiros adotados pelas nossas autoridades, sobretudo governamentais, que gostam de viver com emoção, na corda bamba, no fio da navalha. O Brasil é assim mesmo, não consegue levar nada a sério. Quem não o conhece que o compre pelo preço exposto, ou o tome emprestado. Nestas terras de Cabral até a sacanagem perdeu a graça, porque virou rotina. Já dizia o torcedor Zé da Silva, debruçado no balcão da choça do seu bairro: “A Copa do Mundo FIFA de Futebol será um laboratório para novos experimentos tropicais, cujo técnico financeiro, encarnado, escalou o seu time segundo o que de melhor havia no mercado da ‘bola’ e, em razão disso, selecionou previamente a torcida”. Meu amigo Latino está certo ao cantar:

Hoje é festa lá no meu apê
Pode aparecer
Vai rolar bundalelê
Hoje é festa lá no meu apê
Tem birita
Até amanhecer

Chega aí
Pode entrar
Quem tá aqui tá em casa…

Presidente da FIFA, Joseph Blatter. (Foto: Getty Images)

A fisionomia de Blatter deixa transparecer que está com saudades do Ricardo Teixeira. E agora José? Quem mandou acreditar no “Lulaéreo” e nos seus asseclas futebolísticos? Já tem gente tirando o seu da reta. Os preparativos para a Copa do Mundo Tupiniquim de 2014 terão direito à prorrogação e à decisão por pênaltis. O maior gargalo está na reconstrução da infra-estrutura (Aeroportos, hotéis, hospitais, transporte, segurança pública, serviços) e parece-me que falta vontade política, mesmo porque situação e oposição precisam dar as mãos para ter o problema resolvido, ou parte, coisa praticamente impossível neste país varonil, ainda mais que adversários políticos evitam rechear o pastel dos outros com azeitona da boa.

Esse seria o momento para o Brasil construir uma base necessária à organização e realização do evento. Temos um passivo sócio-ambiental muito grande, formado ao longo de décadas de descasos políticos. Para a sua diminuição são necessárias políticas públicas planejadas que contemplem mudanças urbanísticas voltadas ao desenvolvimento humano, ao crescimento sustentável, à democratização dos espaços e recursos disponíveis. A mobilização nesse sentido decorre da necessidade pela busca de soluções viáveis, portanto, a discussão deve atingir as sociedades organizadas e a população como um todo sairia vitoriosa. O futuro das metrópoles depende fundamentalmente do que planejamos para o futuro e do que fazemos agora. Resta saber se, para a materialização de tudo o que de fato constitui a tão sonhada infra-estrutura, teremos tempo.

Joseph Blatter, presidente da FIFA, foi categórico ao afirmar que o Brasil precisa “Fazer mais e falar menos”, no último dia da reunião do Comitê Executivo da entidade em Zurique, na Suíça. Blatter tem sorte porque se Lulaéreo é o atual presidente ele veria de fato o que significa falar mais e trabalhar menos. Blatter não aprendeu ainda, que não adianta fazer duras cobranças ao governo brasileiro, “Potencialmente Trabalhador”, sobre a organização da Copa do Mundo de 2014 por razões múltiplas. Por essas bandas tropicais, a ordem de prioridades é a seguinte: Praia, mulheres, cachaça, samba, pagode, violência, drogas, impunidade, corrupção política, e por último futebol, se não houver outra coisa mais importante. Sabemos perfeitamente que a imprensa internacional questiona a FIFA sobre a preparação brasileira para receber a competição, mas, cabe ao Brasil responder. A própria FIFA está encostada na parede, caso não promova as reformas de base prometidas dentro das suas fronteiras, não conseguirá evitar novos escândalos de corrupção envolvendo seus dirigentes. Rabo preso é que não falta.

Conselho de torcedor a Joseph Blatter: Solicite uma reunião com a presidente Dilma Rousseff e venha devidamente vestido com uma camiseta do PT e um boné do Movimento dos Sem Terra. A partir daí tudo ficará mais fácil. Depois da reunião é imprescindível uma passada no morro do Vidigal para uma foto ao lado de um afro descendente – ação politicamente correta. Desta feita, saiba esse dirigente que demonstrar irritações com o andamento da preparação do Brasil para a Copa do Mundo de 2014 é mera perda de tempo; ficar estressado só o levará a arrancar os poucos cabelos restantes. Blatter disse que “A bola está no campo do Brasil”, que a joga nas costas da FIFA, com direito a dribles a La Neymar.

Blatter precisa assumir uma postura única. Ficar mordendo e soprando ao mesmo tempo não funciona. O dirigente da FIFA havia dito que confiava na Copa: “Depois da reconfirmação recebida da presidente Dilma Rousseff e do governo brasileiro quanto ao cumprimento de todas as garantias, estamos confiantes de que, apesar das muitas tarefas que todos nós ainda temos pela frente, o Brasil organizará uma Copa do Mundo da FIFA excepcional em 2014”. Então, que vá se acostumando com os atrasos – relógio suíço só funciona na Suíça. É público e notório que a aprovação da Lei Geral da Copa, semana passada, não encerra os problemas do Brasil na organização do evento; as negociações subterrâneas começarão a partir dela.

O Brasil terá que engolir, sem degustar, o Secretário-Geral Jérôme Valcke, que seguirá à frente dos preparativos para a Copa do Mundo de 2014. Valcke retornará ao Brasil no mês de maio próximo. O Governo brasileiro tentou afastá-lo do Mundial, após o mal estar causado por uma declaração sua, dando, a saber, que o Brasil precisava levar um chute no traseiro para acordar e começar a trabalhar com mais seriedade. O pior é que Valcke está totalmente certo. Futucou as feridas e teve que pedir desculpas pelo incidente. Imagine se Jérôme Valcke incluísse na sua agenda uma inspeção nos Tribunais de Contas Estaduais – aí sim, o incidente jamais se encerraria, muito pelo contrário, denunciaria a descoberta de muitos caroços debaixo do angu.

“Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão”. Superfaturamento, licitações rocambolescas, propinas a rodo, descasos generalizados, ausência do poder público, muita gente metendo a mão na grana, interesses escusos, maracutaias de bastidores, torcedores enganados, são pratos bem servidos no bufê político brasileiro, com direito ao antepasto feito com “fígado do torcedor” regado à esperança do hexa.

Tenho três propostas a fazer: primeira, transferir a Copa do Mundo FIFA de Futebol 2014 para o apê do Latino; segunda, para a Argentina (não faltará orgulho nem patriotismo); terceira, para a Residência Oficial da Granja do Torto – com uma condição; se os ex-moradores forem convocados, como João Goulart, João Batista Figueiredo e Lulaéreo. Como Dilma Rousseff, a atual presidente da Seleção Brasil, mora lá desde 01 de janeiro de 2011, ela poderá ter a sua serventia, enchendo o copo do Lulaéreo com birita da boa, ao tempo que rezará para a alma dos dois primeiros moradores na tentativa de salvar o seu governo.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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