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Política

Polítitica – 9ª Crônica

O passado nos pertence, não por herança, mas sim porque o construímos. Sempre que posso, uso esta minha frase – não sei exatamente há quanto tempo foi escrita. Estou procurando uma forma de me comunicar com o José Serra, candidato a Presidente da República pelo PSDB, com a bengala “partida” do PMDB, para propor-lhe o empréstimo deste pensamento filosófico.  Na realidade, só muda uma letra nestas duas siglas democráticas PSDB e PMDB: o “S” de saudade pelo “M” de melancolia. Este também pode ser considerado um pensamento filosófico. Entre outras coisas, o Brasil precisa de filosofia, muito embora o povo esteja se distanciando cada vez mais da razão e da sabedoria. Estamos batendo palmas para macaco dançar.

Falando baixo, acho que o Zé Serra não tem chances de sair vitorioso nas urnas. Acredito que ambos os partidos, independente da ordem das letras no alfabeto, concordarão comigo. Toda vez que JS responde a uma pergunta faz questão de citar – o que já está se tornando marca registrada dele, Serra – “Temos que olhar pra frente”, “Temos que ter uma visão do futuro”, “Este país não pode olhar pra trás”. Algo do gênero. Entenderam? Parece uma síndrome. Pensando bem, acho que vou sugerir à classe dos políticos, eméritos defensores do aumento da carga tributária, que se filie ao novo partido que acabei de fundar, sob a sigla PDB, sem o “S” e sem o “M”. PDB quer dizer: Possuiremos o Dinheiro dos Brasileiros. Vamos deixar a brincadeira séria de lado, porque todos nós sabemos que os partidos políticos não precisam de dinheiro para o financiamento de novas campanhas, nem os políticos querem dinheiro para se manterem no cargo. Os fisiologismos * arranjam tudo de pronta hora.

* Fisiologismo é um tipo de relação de poder político em que as ações políticas e decisões são tomadas em troca de favores, favorecimentos e outros benefícios a interesses individuais. É um fenômeno que ocorre frequentemente em parlamentos, mas também no poder executivo, estreitamente associado à corrupção política. Os partidos políticos podem ser considerados fisiologistas quando apoiam qualquer governo independente da coerência entre as ideologias ou planos programáticos (Wikipédia). Não mudei uma vírgula, porquanto o conceito é perfeito.

JS não tem que se envergonhar do passado, mesmo porque, no futuro, todos nós morreremos nele (ou com ele), o passado. “Hoje, vivemos o futuro, esquecemos-nos do passado. Amanhã, morreremos no passado”. Esta segunda frase também é minha e bem resume o que acabo de afirmar. JS está perdoado. A vida, a galope, obriga-nos a projetar o amanhã num ímpeto de entusiasmo. O amanhã chegará um dia e nos obrigará a viver de lembranças. Se boas ou ruins não sabemos. Ninguém mais se importará com o futuro – com o presente, os nossos políticos já deixaram de se importar faz tempo. Hoje é um novo tempo que começou…

“A convicção uma vez firmada não dialoga, fala pelo testemunho”. Esta frase não é minha. Sou honesto. Ela pertence a Ernesto F. Bernhoeft. Eu já vi Marqueteiro de carteirinha assumindo a autoria dela. Antes também que algum político desavisado, de oposição a tudo, faça uso indevido dela e consiga traduzi-la ao pé da letra, farei uma retrospectiva de alguns fatos interessantes que marcaram o PSDB num passado recente. Reproduzirei, na íntegra, um trecho que compõe um trabalho sobre Marketing Político (Planejamento Estratégico I – Junho 2001), de minha autoria e entregue a um Prefeito do PSDB, reeleito, para que “reencontrasse o seu rumo”. Perdão, omiti um fato importante: quando estive Secretário de Comunicação por um período de sete meses, ou, mais precisamente, 212 dias – de completa e apavorante agonia. Graças a Deus saí sem um arranhão, muito embora tenha recebido algumas ameaças feitas via telefone por fantasmas políticos, por anônimos desprezíveis. Tomei a iniciativa de pedir exoneração por motivos conscientes. Além da Câmara de Vereadores, Deus também recebeu cópia da carta salvadora – ele se negou a assinar o protocolo; o Diabo estava por perto.

Pois bem, não vamos permitir que alguém que tenha uma visão exacerbada do presente provoque estragos irremediáveis na imagem dos nossos políticos, ainda mais que eles não são imunes a esse tipo de coisa e, sobretudo, porque também não podem garantir ao eleitorado a sua eterna condição de honestos, intocáveis e dignos de credibilidade. Concordam comigo?

Marketing Político. Planejamento Estratégico I – Parte 3:

“O PARTIDO”

A atual crise política, ou melhor, das instituições políticas, coloca o PSDB sob uma atmosfera desfavorável tornando o “ar respirável” pesado. Os eleitores, ontem fiéis às cores tucanas (se misturadas viram um tipo de verde desbotado), começam a dar sinais claros de que as incertezas no futuro podem definir os resultados das urnas em 2002. Até lá, pouco tempo resta ao partido para rever as suas estratégias e adotar mecanismos neutralizadores. A todo custo, o PSDB tem que evitar que a sua plataforma política fique descaracterizada, até porque, sabemos que a disputa eleitoral de 2002 será bem diferente da de 98, agravada pelo fato da existência de uma forte onda de desconfiança, perplexidade e descrédito nos poderes públicos constituídos, que toma conta, sobretudo, da mente dos eleitores mais informados e, portanto, formadores de opinião. Eles estão mais atentos aos noticiários e não vão se deixar levar facilmente por campanhas e propagandas político-partidárias com forte apelo promocional, subjetivo, emocional ou mesmo religioso (a grande massa continuará manipulada). É tempo de mudanças – ninguém ainda disse quais. Fazer-se de vítima não vai reverter o quadro político ou resolver os problemas crônicos de governabilidade.

O PSDB está fragilizado nas suas bases. É fato. O racha é inevitável na sua bancada. FHC, duramente criticado por impedir a instalação da CPI da corrupção no Congresso Nacional, provocando, assim, a instabilidade das relações governistas com os aliados políticos. FHC está cada vez mais sofrendo com o isolamento do poder. Constantes brigas na base aliada têm tirado o palanque sob seus pés. A oposição quer ver o circo pegar fogo e, lógico, ficar fora dele quando jogar mais gasolina. Os palhaços querem ser avisados antes dos malabaristas.

Porém, conforme dizem, o Brasil é um país sem memória. A atual crise política cairá no esquecimento, apostam os mais entendidos. Mas, a todo instante, surge uma nova variável para alimentar a cabeça dos eleitores mais preparados, como foi o recente caso provocado pelo presidente nacional do PSDB, José Aníbal (cancelou a sua vinda ao Espírito Santo nesta segunda-feira, dia 02 de julho) que lhe rendeu severas críticas, por tentar expulsar do partido os irmãos senadores Álvaro e Osmar Dias (PR) porque mantiveram as assinaturas favoráveis à instauração da CPI da corrupção no Congresso Nacional. Quando a sala de espera está cheia, evita-se jogar “M” no ventilador. Desliguem os disjuntores.

Urge a imperiosa necessidade do PSDB deflagrar uma rápida ofensiva contra o clima de fim de governo; aquela sensação de “jogar avanço”, de “saldo em liquidação”, de “salve-se quem puder”. Para se ter uma ideia, as oposições pegaram alguma coisa no ar e estão se mobilizando à luz do dia e anunciam candidatos próprios para a Presidência da República. É o caso do PMDB, que aprova candidatura própria para a presidência, afastando a possibilidade de a legenda fazer coligação com o PFL, PSDB e outros. Talvez o PMDB queira reviver os momentos de ouro das “Diretas Já”, auge do partido. Outros partidos políticos estão adotando a mesma metodologia. Bois de piranha estão sendo contratados aos pares.

Temos à frente um enorme caldeirão, onde são colocados temperos explosivos que certamente resultarão numa fórmula para a produção de revoltas sociais. A crise política tem deixado o dólar solto, sem controle aparente. A “onda cambial” já reduziu o PIB 2001 em 25% (em dólar), elevando o déficit externo de transações correntes em relação ao PIB, assim atrofiado, segundo alguns especialistas da área econômica. Um sacrifício econômico muito grande está ainda por vir. A sua imposição paira sobre as nossas cabeças. O PIB está murchando com a crise energética, sobretudo, porque o setor produtivo revê as suas planilhas industriais. A desaceleração da economia, mais os juros em alta, mais a carga tributária desumana são os últimos temperos colocados neste caldeirão. O aumento da chama que aquece o caldeirão fará nascer uma “bolha inflacionária” e, esta, a qualquer momento, estoura. As chuvas de CPIs estão parando o Brasil e não conseguem diminuir a intensidade da chama.

O índice de popularidade de FHC despenca. Só não sumiu porque o Plano Real ainda está vivo e vem merecendo credibilidade por parte da população. Até quando não se sabe. Os recentes aumentos anunciados nas tarifas de energia elétrica, nos preços do gás de cozinha e dos combustíveis, provavelmente provocarão – em linha reta – a subida mais rápida da inflação. Isto é mau para a estabilidade do Plano Real. Tem gente torcendo contra.

A Reforma Tributária parece ainda um sonho distante. Como plataforma política, já a partir do segundo semestre deste ano, o PSDB deve adotar a estratégia de discutir o tema – proposto pelo próprio governo – como pacote fiscal e suas reformas de base. O PSDB, repito, deve tirar das mãos das oposições, principalmente do PT, esta iniciativa, muito aguardada pelos eleitores formadores de opinião, que entendem que a saída para o Brasil tem como primeira porta a referida reforma. Contudo, o Partido dos Trabalhadores, há muito, vem trabalhando nos bastidores do Congresso para que a Reforma Tributária não saia do papel no governo de FHC – pode lhe custar caro, uma vez que seus ventiladores estão ligados e tem cheiro de fezes no ar. Da minha parte, só me restam duas alternativas plausíveis, recomendar que tapem o nariz e/ou quem preferir que fuja para bem longe para se livrar dos respingos.

Tanto lá no Planalto Central, como cá, no Palácio Anchieta, o poder político sofreu e ainda amarga os reflexos negativos causados pela “indústria das denúncias”, e tem a sua imagem tremendamente desgastada. O risco da desagregação é iminente e a debandada presumível. As novas pesquisas populares podem revelar uma grande queda no índice de popularidade dos nossos governantes da situação, como já dito acima. Os institutos de pesquisas oficiais estão comprando casacas vermelhas.

Cabe aos comunicadores do governo e aos responsáveis pelo Marketing Político, não só curar as chagas na carne como também evitar que o PSDB não fique exposto à desagradável perspectiva de encolhimento das suas bases. Em contrapartida, o plano de vôo tucano deve seguir outros mapas de navegação, enquanto alguns partidos crescem na popularidade e se lançam em vôos solo e almejam novos céus. É mais fácil falar mal do que falar bem – sempre foi assim. O momento é para comer sardinha e arrotar sardinha. Quantos games ainda terão de ser jogados para se definir a partida? A OAB tem posto a cara de fora, mas, a ABI assiste cautelosa. Setores importantes da sociedade organizada não arriscam palpites.

No século XV, Maquiavel já dizia que “Não há lei nem constituição que possa por um freio na corrupção universal”. Entretanto, grandes reformas de consciências podem minimizar os seus efeitos maléficos. As causas, talvez, combatidas a partir da extinção da fome e da pobreza. Longe da miséria e devidamente nutrido, o homem pode se considerar cidadão, e, como tal, terá a oportunidade de crescer politicamente e cobrar dos seus governantes uma postura mais digna com as promessas postuladas.

Veio de Brasília a idéia de mapear as áreas de corrupção, ou seja, os órgãos mais suscetíveis à transgressão ética e a fraudes. Segundo a Comissão de Ética Pública, partirá da administração federal a identificação do que ela mesma chama de “Grupo de Risco”. No meu entender, este mapeamento não servirá como referencial algum, mesmo porque só serve para demonstrar a comprovação da existência de atos ilícitos, notadamente nos órgãos com grande poder de compra (Ministério da Saúde) e sabidas negociatas com fornecedores habituais. A regra diz que quando se pressupõe algo de errado, e, leva-se o tempo de um mandato e meio para tomar alguma medida saneadora, no mínimo, a suspeita de omissão ou mesmo de conivência é inevitável. Por essas e outras, é que a opinião pública – com poder de voto – já tomou um antídoto contra qualquer processo de dominação. Será? O Marketing Político já tem preparado um contraveneno para esse antídoto.

Espera-se o desencadeamento de uma “onda de moralidade” no limiar do ano que vem, e, quem sabe, já a partir deste segundo semestre, movida pela oposição como palanque, que tentará usar este expediente para “lavar o país” de ponta a ponta, visando atrair a atenção dos eleitores e carrear votos. Porém, com o advento deste fantasma, os problemas regionais ficarão insuportáveis para se administrar dentro das suas próprias fronteiras. Esta “onda de moralidade” dá sinais bem claros de que já começou no Espírito Santo. A recente matéria veiculada pela TV Gazeta Norte (ES TV 2ª Edição), no último dia 30/06, sob o título “Investigação de prefeitos do norte do Estado” deixa transparente este intento. Já tem prefeito querendo se esconder debaixo do tapete.

Político e Partido Político não precisam medir forças. Um não pode achar que é mais forte do que o outro. O que prevalece, sem dúvida, é a convicção ideológica, e, neste caso, o primeiro se sobressai ao segundo. Rupturas podem acontecer nas bases do partido (PSDB) conforme já prenunciamos. O governo federal tenta se escorar na bengala das composições do partido (PSDB) para a escolha do seu candidato à sucessão de 2002, num ambiente completamente desfavorável a uma caminhada sem tropeços e outros esbarrões. FHC ainda vai sofrer muitas pressões até que se eleja o condutor da sua própria sucessão. Os desgastes sofridos pelo Planalto, motivados pelo racionamento de energia, podem deixar o PSDB exposto a um “apagão” momentâneo.

Aqui no Espírito Santo, falou-se no Deputado Federal Marcus Vicente como alternativa para disputar as eleições de 2002 para o governo do Estado, por falta de opção. Caso não aconteça uma mudança radical no quadro político, não será páreo para o senador Paulo Hartung, caso este reafirme a sua intenção de entrar na disputa. A cada crise vivida pelo PSDB no Estado, sai fortalecida a candidatura de Hartung. Mas, as mudanças de quadros entre os partidos políticos, face às eleições de 2002, já começaram, há dias, no Espírito Santo. A própria Luzia Toledo, atual presidente regional do PSDB (irá passar o bastão em breve) tenta reforçar o quadro tucano capixaba, tanto que vem travando entendimentos com o deputado estadual Antônio Cavalheri, atualmente sem partido. Este “aliciamento” não está em bom nível de adiantamento.

Não obstante, a legenda, PSDB, não perdeu as esperanças e continuará conversando com este deputado. Precisamente às 17h15min desta segunda-feira, dia 02 de julho, conversei ao telefone com o deputado Antônio Cavalheri e ele me assegurou que não tem definida a sua próxima legenda. Prefere assumir uma postura de neutralidade e aguardar os acontecimentos políticos que tomam conta do Estado – as nuvens negras se formam e vem tempestade por aí.

“O governo do Estado do Espírito Santo promove mudanças no secretariado depois da divulgação de irregularidades na Secretaria de Educação”. Esta matéria vem a posteriori ao pronunciamento do deputado José Carlos Gratz, presidente da Assembleia Legislativa, à TV Gazeta, nesta última terça-feira, dia 26 de junho. Gratz disse que o governo tem que diminuir o grau de imprevisibilidade da crise. A todo o instante aparece um fato novo. Segundo ele, o apoio dado – como aliado governista – ao governador José Ignácio (PSDB) tem que ser revisto. Não se trata de puxar o tapete. Com o advento do último episódio da SEDU, a situação fica insustentável. “Receio que cheguemos ao clímax da ingovernabilidade”, comentou Gratz. Carlos Gratz disse, ainda, que o governador peca na indecisão e precisa estabelecer mais rapidez nas decisões políticas, para reconquistar a confiança do povo. “O governador teve um início de governo muito firme e agora está titubeando. Espero, da parte dele, posições mais enérgicas. Tem que haver uma mudança radical na estrutura de governo. Não falo só na troca de pessoas. Falo na necessidade de mudança estrutural. Se tudo não parar por aqui para recomeçar com uma nova consciência política, vamos ter problemas”, enfatizou José Carlos Gratz. “Não posso negar que existem problemas. Como presidente da Assembleia Legislativa – e a opinião pública me cobra por isso – tenho o direito de cobrar também do governador posições mais enérgicas”, finalizou Gratz, que acredita que o governador ainda não sofre a síndrome do isolamento. Segundo fontes oficiosas (essas é que são boas), Gratz precisa olhar mais para o seu próprio rabo e ficar atento porque tem gente querendo pisar nele. Rumores dão conta que investigações sigilosas estão para acontecer. A imprensa guarda segredo.

Temos convicção que o mais novo escândalo envolvendo a Secretaria de Estado da Educação (SEDU) abre um profundo abismo entre a figura do governador e a sua intenção de se candidatar à reeleição. A pá de cal colocada pela SEDU só fez agravar a desestabilização do PSDB no Espírito Santo. A corrupção corre a céu aberto. Muita gente finge que não vê. A tão anunciada reforma do secretariado veio como uma avalanche sem precedentes, causando descontentamentos generalizados nas bases de sustentação política do governador José Ignácio. Os partidos da base aliada e os parlamentares governistas não foram previamente consultados sobre a matéria. Tal postura do Palácio Anchieta – uma mistura de autoritarismo com egocentrismo – pode provocar uma irremediável ruptura da aliança firmada entre os poderes constituídos, ou seja, Executivo e Legislativo. A base aliada pode, agora, dar as costas e condenar o governador a ficar no isolamento político. O futuro se mostra complicado.

Aos olhos dos cientistas políticos, as reformas foram apenas paliativas, tomadas com o intuito de acomodar determinados ânimos. Em entrevista concedida à TV Gazeta (Bom Dia Espírito Santo), nesta manhã de terça-feira, dia 03 de julho, o presidente da Assembleia Legislativa, José Carlos Gratz, foi categórico em dizer que não ficou nada satisfeito com o comportamento do governador pelo fato de não ter ouvido os parlamentares que lhe dão sustentabilidade antes de decretar as mudanças no seu secretariado. “Ele tem o poder da caneta. Deve saber o que está fazendo”, concluiu o deputado José Carlos Gratz. Longe de ser mera impressão, fica comprovada a união dos deputados que compõem a Assembleia Legislativa. Em entrevista ao vivo à TV Gazeta, no programa Bom Dia Espírito Santo, também nesta manhã de terça-feira, o deputado do PMDB, Sérgio Borges, relator da comissão da CPI da Propina, ratificou o posicionamento do seu presidente, adiantando que durante o recesso da casa concluirá o relatório da CPI da Propina com todo o rigor necessário. Provavelmente, as estratégias e manobras políticas – eventualmente postuladas para salvar cabeças – não terão os efeitos desejados. Identificar simplesmente dois ou três “bodes expiatórios”, a essa altura do campeonato, não resolverá o problema. Como se comprova, tudo parece acontecer tarde demais. O dono dos bodes já fez pacto com o Diabo para não ser descoberto.

Ao longo de todo o dia de ontem, a Assembleia Legislativa permanecia totalmente indócil. Talvez uma onda de represálias ao executivo estadual esteja sendo articulada. Para se ter uma ideia, a propagada cerimônia palaciana, marcada para ontem, dia 02 de julho, ocasião em que o governador anunciaria, oficialmente, o seu veto ao Projeto de Lei nº 252/01, que proíbe o plantio de eucalipto no Estado, acabou não acontecendo. O referido veto foi encaminhado à Assembleia que, por sua vez, processará o seu julgamento. Vai rolar muito dinheiro, perdão, água sobre a plantação de eucalipto – a terra já está adubada.

A faculdade de ciências políticas ensina que a política não é uma ciência exata como a matemática, por exemplo. Como ciência humana, não dá para tirar a prova dos nove. João Gualberto, que regularmente assina coluna no jornal A Gazeta, disse que “a sociedade precisa, antes de qualquer coisa, de um governo que funcione, que qualifique a ação pública na busca de novas alternativas e oportunidades econômicas”. Desta sorte, o empresariado precisa também se expressar politicamente a favor de uma base sustentável voltada ao crescimento ordenado. As oligarquias (governos de uma minoria, isto é, o exercido por um pequeno grupo de pessoas ou famílias poderosas) terão que ser reavaliadas urgentemente antes das sucessões de 2002. Aparece neste cenário a consciência social de que o bolo tem que ser dividido entre todos. Não se admite mais concentrar riquezas e o poder nas mãos de poucos. Tem momentos que a elite fede, o que denota que ela também tem banda podre. Por justiça, afirmamos que ela, a elite, tem outros tipos de cheiro. A sociedade, como um todo, cobra respostas, mesmo sem usar desodorantes de marcas famosas. Vou andar de carro velho…

Quando desenvolvemos, no início deste ano, o novo slogan para a Administração Municipal (Aracruz – “Fé na nossa Terra”), recomendamos a não utilização das cores do Partido Político PSDB na logomarca, considerando que seria de bom alvitre, já naquele momento, a desvinculação da imagem do político (Prefeito) da imagem do Partido Político (PSDB). No próximo mês de agosto (2001), segundo previsões, vamos sediar a Convenção Regional do PSDB. Independentemente das questões apresentadas, até porque elas transcendem qualquer posicionamento momentâneo, estamos propondo trabalhar, com evidência, um forte slogan para a sua cobertura, cuja temática servirá como guarda-chuva nas decorrentes campanhas: “PSDB. O Brasil precisa desta força”.

Aquelas foram meras palavras – não passaram disso. Ninguém me deu ouvidos, nem mesmo o Prefeito ao qual estava ligado diretamente. Nem um retorno sequer. Nem um “muito obrigado”. Só mais tarde pude compreender as verdadeiras razões. Bom, acho que tomei a decisão certa – oficializar a exoneração por pedido espontâneo, em caráter de irrevogabilidade, e sair enquanto havia tempo. Esperava não ter que sair cantando versos daquela famosa música: “Entrei de gaiato no navio… foi por engano e quase entrei pelo cano!”. Pois bem, podemos tirar muitas lições deste pequeno trecho que radiografa momentos vividos pelo PSDB, onde se conclui que ninguém está a salvo de pedradas.  Os candidatos estão estigmatizados pelo que fizeram no passado, ou deixaram de fazer, e se arriscam a todo instante quando os seus telhados de vidro são alvejados. O povo brasileiro, por falta de opção, furta-se da tarefa de nomear algum ícone da moralidade, da competência e do patriotismo. O que ele quer, na verdade, é um líder carismático que, respeitando o passado, possa construir o presente pensando nas consequências do futuro, sem passes de mágica. Virar história ou estória vai depender, única e exclusivamente, dele, de mais ninguém.

A crise política e das instituições é real. Sua materialização é um fato. Tenta-se, na sobrevida do mandato presidencial, disfarçá-la nas sombras da diplomacia. Estamos atravessando a maior crise cambial dos últimos tempos – talvez pelo medo da esquerda ascender ao poder; o que seria uma tendência normal pelo andar da carruagem. Não acredito em ação premeditada. As incertezas no futuro contribuem para o fato. Neste cenário de flagelo, falar em mini Reforma Tributária, ainda dentro do exercício de 2002, destoa o som das trombetas dos anjos. Pensar que, neste momento de transição, o sistema reinante está se preocupando com os menos favorecidos, é o mesmo que admitir que o poste possa urinar no cachorro. O acordo com o FMI para um novo empréstimo (US$ 6 bi + 24 – isso – aquilo – aquilo outro) deixou os pintores das cores verde e amarelo com a brocha na mão. Na fugaz tentativa de lixar os respingos de tinta azul e vermelho, esses mesmos pintores, constataram que lixa velha não produz mais poeira. Moral da história, ficamos com cara de idiota vendo o povo correr com a escada.

Afinal, para que os candidatos José Serra, Ciro Gomes, Garotinho e Lulinha Paz e Amor não tenham lembranças ruins no futuro, precisam construir o presente com dignidade, mesmo aqueles derrotados nas urnas e, sobretudo, que deixem o passado em paz. Com permissão do Confúcio, estou reproduzindo um pensamento seu e farei dele vários quadros para dar de presente aos quatro pretendentes ao cargo de pintor chefe.

“Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha”.

A propósito, aos que me solicitarem as outras partes do Planejamento Estratégico I (Marketing Político), informo que só com garantias formalizadas em Cartório.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

3 comentários sobre “Polítitica – 9ª Crônica

  1. AUGUSTO, ACHO QUE SIGLAS PARTIDÁRIAS POR SI SÓ SÃO ILÓGICAS, DESCARACTERISAM A CIDADANIA, POIS FACCIONAM O CIDADÃO,ISSO PARA MIM É BARBÁRIE. TUDO QUE AFETA A MINHA INTEGRALIDADE EU DELETO,POIS OS AGENTES SÃO CROMOSSOMICAMENTE DEGENERADOS,E TODA INTERAÇÃO COM OS MESMOS SÃO DE RESULTADO MALÉFICO PARA A NOSSA SAUDE FÍSICA E MENTAL.

    Publicado por Norberto Barcellos | 26/03/2012, 23:57
    • Infelizmente, os eleitores tomarão desta “sopa de letrinhas” por muito tempo, com direito a congestões. Entender este afluxo anormal do sangue aos vasos de um órgão é que são elas! O órgão provavelmente deva estar localizado em outra parte do corpo que não o cérebro. Importante a leitura das outras crônicas relacionadas dentro do tema “Polítitica”.

      Grato pelo comentário oportuno.

      Augusto Avlis

      Publicado por augustoavlis | 27/03/2012, 00:05

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  1. Pingback: Livro Polítitica « Opinião sem Fronteiras - 29/07/2012

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