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Política

Polítitica – 7ª Crônica

O debate realizado pela TV Record ontem, segunda-feira, 02 de setembro, entre os quatro principais candidatos a Presidente da República Federativa do Brasil – considerado o melhor desta eleição, até agora, pela produção Hollywoodiana –, ratificou o que todos já esperavam. O expediente empregado pelos candidatos continua o mesmo. Entre tapas e beijos, muita coisa de real importância deixou de ser esclarecida e o que é desnecessário foi sobejamente discutido. Os telespectadores tiveram a impressão, em alguns momentos do programa, da volta ao banco da escola – primária, é claro –, onde os coleguinhas da classe trocavam insultos generalizados: “Eu não sou isso que você falou, é você quem é”. “Minha mãe não, é a tua”. “Comi a tua irmã”. “Seu pai é veado”. “Seu babaquara”. É daí pra frente. Acreditem.

Daqui a trinta e poucos dias vamos conhecer o segundo Presidente do Brasil deste terceiro milênio. O primeiro, FHC x 2, além de sociólogo, provou a sua competência na diplomacia tropical e posa como excepcional estadista na sucessão presidencial, principalmente na pré-passagem do cargo, lembrando aos pretendentes para que não façam nada para provocar ou contrariar o Tio Sam.  Os quatro candidatos, Lula, Ciro, Serra e Garotinho (agora de calças compridas) não disseram até hoje, com sinceridade, qual a ordem de prioridades dos seus programas de governo para a gestão 2003/2006. Estão só no sabor das ondas. Uma coisa é certa; seja quem for o vencedor nas urnas, vai herdar um balaio de problemas e uma penca de desafios, mas precisará acertar o alvo na sua primeira ação de governo para conquistar a confiança do eleitor brasileiro. O que, particularmente, acho impossível por razões óbvias. Entretanto, como em todo bom país tropical, os macaquinhos podem pular de galho em galho, ou melhor, de ombro em ombro, muita árvore ainda está por balançar. Talvez a família de símios aprenda a voar. Lula tá tirando o brevê.

A corrida eleitoral de 2002 está na reta final. A elite política deste país conhecerá novas caras, desde o maior representante do poder executivo até os representantes do povo nas Assembleias Legislativas. Pouco ou quase nada se tem falado sobre a base da pirâmide política, primeiro elo entre o governo e o povo: as Prefeituras Municipais – 5.564 de norte a sul – e, por extensão, as Câmaras de Vereadores. Os milhares de prefeitos espalhados pelo Brasil podem estremecer a governabilidade do presidente, assim como a dos governadores por três motivos: primeiro, os executivos municipais não tomarão a sopa de letras provenientes da aglutinação das siglas partidárias tão indispensável nas atuais campanhas eleitorais, até porque a rivalidade com os inimigos políticos regionalizados ainda está num processo efervescente; segundo, os prefeitos, com o assento das suas cadeiras quente há dois anos, ainda terão mais dois até que terminem os seus mandatos, e, com o bonde nos trilhos e no meio do caminho, não puxarão o freio para apostar no futuro; terceiro, muitas prefeituras estão passando por sérias crises movidas por escândalos de corrupção, malversação de verbas públicas, crime organizado, denúncias no Ministério Público e Tribunal de Contas, enfim, crises de governabilidade como está passando o Espírito Santo, por exemplo. Na verdade, se alguma autoridade procurar no lugar certo sempre acaba achando alguma coisa para investigar. Telhado de vidro é que não falta.

O futuro presidente vai querer mostrar trabalho logo de início, na tentativa de reverter o “quadro criado” de pessimismo e de incertezas que paira sobre a nação, mesmo que para isso tenha que chamar para o seu lado o que há de melhor nos partidos de oposição; o que me parece ser uma estratégia consensual entre os candidatos. Mas, se o PT ganhar, eu particularmente ainda tenho lá as minhas dúvidas – ele, o PT, pode até chamar, porém, os políticos oposicionistas que forem convidados não passarão de bibelôs de penteadeira de puta; ou a própria puta de ocasião. A sacanagem apenas muda de camisa, ou de penteadeira.

Não existe, seja qual for o sistema de governo, unanimidade de escolha e 0% de rejeição. Partindo-se desta premissa, o próximo presidente governará um país dividido, uma casa chamada Brasil, inacabada, que não consegue terminar as obras. Está constantemente em reformas. É a Reforma Política, Reforma da Previdência, Reformas Fiscal e Tributária, Reforma do Judiciário, Reforma Agrária, Reforma Ministerial, Reforma de Consciências, enfim, estamos dormindo na sala, cozinhando na varanda e batendo boca no quintal, como foi o caso desta última segunda-feira na TV Record. Há de se considerar, nesse contexto, uma profunda reflexão sobre o presidencialismo, sistema de governo em que há completa independência entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, sendo os ministros escolhidos pelo Presidente da República. E é justamente esta “independência” que acaba, de fato, complicando. O último expert no assunto foi D. Pedro I.

Como não é possível dividir o Brasil em vários “Brasis” (também não serve se for por região), para que cada partido político pudesse governar à vontade o “seu Brasil”, não resta alternativa a não ser juntar as forças e partir em frente. Posto isso, devemos nos considerar pedreiros da ordem e do progresso. Resta saber quem, e quando, vai preparar a argamassa para cimentar todos os cômodos depredados. Ninguém até agora se apresentou especialista.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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