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O Leão e o Gladiador

O Leão e o Gladiador

As lutas desiguais entre leões e gladiadores de hoje acontecem com os mesmos requintes de crueldade daquelas de há milhares de anos, a diferença está nas arenas e no público que assiste. Como exemplos, o Coliseu foi trocado pelos campos de futebol e os sedentos de sangue por torcedores racistas.

Em dez anos de futebol italiano, foi a primeira vez que Juan sofreu racismo.

De que adiantou ter recebido abraços dos jogadores da Roma e da rival Lazio, como forma de apoio, se Juan dificilmente apagará da sua memória os tristes momentos que vivenciou, neste último domingo, 04 de março, no Estádio Olímpico? O zagueiro Juan foi vítima de mais um lamentável episódio que suja o futebol italiano. O jogador da Roma foi alvo de insultos racistas por parte da torcida da Lazio, conhecida por esse tipo de comportamento bestial. Os torcedores da Lazio vem, há tempos, perseguindo os atletas negros. Ao final da partida, Juan protestou diretamente contra a torcida da Lazio porque atrás de um dos gols do Estádio Olímpico, em Roma, fizeram coros com cânticos preconceituosos ao brasileiro. Indignado, Juan pediu às autoridades italianas para coibir esse tipo de manifestação. “É um absurdo e uma coisa como essa não pode voltar a acontecer com ninguém. Percebi que estavam fazendo coro me xingando, avisei ao árbitro e fiz sinal de silêncio para a torcida deles. É revoltante. Racismo é crime. Alguma providência tem de ser tomada, mas sinceramente tenho pena dessas pessoas que têm algum tipo de preconceito”, disse Juan após a partida. Neste clássico a Roma perdeu por 2 a 1. Torcedores da Lazio saíram comemorando a vitória do seu time e a impunidade.

Manifestações de racismo ainda estão fortemente presentes nas sociedades mundiais. Aqui no Brasil, boa parte da população dá sinais claros que é racista, mesmo sabendo que se trata de crime de “injúria qualificada” e a generalização perigosa, podendo desencadear um mal-entendido – por ignorância de julgamento. Nesse caso, digamos que uns promovem a “seletividade manifesta” e outros a “seletividade velada”; ambos conseguem enxergar dessemelhanças em seres de mesma grandeza ou valor. O conjunto de sentimentos recalcados leva o indivíduo a padecer de complexos – superioridade de um lado, e inferioridade do outro. Ninguém está no mais alto grau da perfeição ou no degrau mais baixo da dignidade. Isto é um fato. A raça pura (homogeneidade racial) é questionável, ainda que todos os indivíduos sejam marcados por caracteres corporais semelhantes e transmitidos hereditariamente. A segregação é abominável. Não há perdão.

O conceito acadêmico sugere que preto é todo o homem da raça negra, e que branco, o da raça branca, que juntos com os amarelos, índios e os mestiços, são qualificados primatas, ou seja, pertencem à ordem de mamíferos na qual se incluem os humanos e os macacos. Preconceito, rejeição, discriminação e racismo são formas de cânceres que atacam os mortais, que desprezam o remédio da compassividade ou do amor ao próximo. Lamentavelmente, a cor da pele é um fator indispensavelmente considerado por muitos na determinação da boa casta.

Pelo Artigo 5º, inciso XLII da Constituição Federal, “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão”. Em muitos casos, porém, o crime acaba sendo caracterizado como injúria, como aconteceu com o jogador de futebol da Argentina, Leandro Desábato, acusado de racismo pelo jogador Grafite, do São Paulo, na quarta-feira, 13 de abril de 2005. Pelo Artigo 140 do Decreto-lei 2.848/40, do Código Penal, injuriar alguém, “ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro”, pode acabar em pena de um a seis meses de prisão, ou multa. Crimes consequentes. Já a Lei 7.716/89 determina diversos crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, como, por exemplo, impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares ou semelhantes abertos ao público ou ainda negar emprego, por preconceito. A jurisprudência (tradição firmada na interpretação e aplicação das leis pelos tribunais superiores) existe nesses casos.

O projeto eleitoreiro do governo federal “Cota para negros” poderá desencadear movimentos racistas (de ambas as partes) nunca vistos no Brasil. O perigo ronda à nossa porta. Mas isso é tema para outra partida, desde que não seja realizada no Estádio Olímpico, em Roma.

Augusto Avlis.

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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