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Política

Polítitica – 3ª Crônica

Jamais gostei de política. Sou um apolítico confesso. Faço apologia a quem não serve a interesses partidários, como os servidores públicos de antigamente. Lembra? A política tem duas vertentes. A primeira diz que “é a ciência do governo dos povos e dos negócios públicos”. A segunda conceitua “a maneira hábil de agir e tratar”. Procurarei me situar na segunda vertente para tentar explicar a primeira – sem traumas, sem fraturas expostas. Desde que me conheço por gente, e olha que quase seis décadas faz, a boa política foi trocada pela politicagem ou politiquice, caracterizada pela prática de política mesquinha, interesseira. O político de hoje acompanhou essa tendência e ele passa, com os devidos méritos, a ser chamado de politiqueiro, por força da profissão e da opção.

Verdade que a politização não passa de quimera; o indivíduo politizado é uma balela e o exercício de politizar – no que tange a tornar consciente dos deveres e direitos de cidadão, enfim, dar consciência política aos eleitores – está muito longe de se tornar realidade nesse país varonil, com seus 16 milhões de analfabetos; a maioria dos quais eleitores, votantes por obrigação como fiéis seguidores, com poder de decidir eleições regionais e de engrossar a estatística de votos válidos nacionais. A urna eletrônica é um santuário para eles. Por que o João da Silva disse que “a política é um produto fecal e os políticos fedem?”. Provavelmente o JS se politizou. Cada um responderá a seu modo. Eu, particularmente, já tenho uma opinião formada não é de agora. Bola pra frente; perdão, voto na urna, ou melhor, “aperta a tecla CONFIRMA”. Descanse em paz Brizola, longe da sua inimiga Urna Eletrônica. O José de Deus não pode viver sem ela e o João da Silva já comprou uma para treinar seus vizinhos.

Exumei o meu diploma de jornalista, aproveitei o pouco do tempo que surgiu e passei a registrar os espetáculos circenses assistidos na corrida eleitoral de 2002 e depois da ocupação dos cargos públicos a partir de 01 de janeiro de 2003. Perdi algumas noites de sono, troquei os horários de fazer sexo, desaprendi a dançar bolero e o resultado desta paranóia toda foi reunir pouco mais de 50 matérias políticas (nunca dantes editadas) – e só –, que deixo aqui, neste protótipo de livro, para quem quiser tomar conhecimento delas, como leitor, não como político. Chega de mau cheiro! Como escritor, não quero mais saber do assunto. Falta-me ar puro. Quero respirar e não consigo. O oxigênio é escasso, por isso, vou trabalhar onde ele é abundante. Escrever sobre botânica será o meu prato predileto, diretamente no campo, longe dos ratos e da sujeira – as borboletas serão bem-vindas. Elas são o meu bem-querer.

Achei por bem não incomodar ninguém para escrever o prefácio deste meu livro. Até que um decrépito colega de faculdade implorou para fazê-lo, mas levei em conta dois detalhes. Primeiro, ele ainda não está muito legal da cabeça porque levou muita porrada da PE (Polícia do Exército) na época da repressão política e hoje ele se dedica a escrever, única e exclusivamente, piadas pornográficas para um veículo alternativo da sua cidade, e, segundo ele, política e sacanagem andam juntas; os políticos se apresentam no palco como protagonistas, com a sua usual protérvia, conforme o script, zurrando o tempo todo nos nossos ouvidos. Segundo detalhe, preferi colocar como primeira matéria o título “Nota 11”, escrita em 01 de fevereiro de 2003, que fez parte do meu primeiro livro de crônicas Um cavalo chamado “HEURY”, por considerá-la oportuna, até porque trata a questão da “dominação cultural e ideológica” com alguma propriedade, pouca isenção e nada de imparcialidade… Sou humilde!

Político entende de montaria – e de sacanagens também –, dizem os especialistas em equitação política. A política brasileira é campeã na produção de espetáculos tétricos. Velhas raposas treinam os chacais novatos e estes, por sua vez, assessoram as hienas camufladas. O mar de lama que cobriu o Brasil, de ponta a ponta, sobretudo nos últimos anos, no cenário político, pelo menos serviu para uma coisa: serviu para testarmos o nosso poder de resistência e a nossa capacidade de compreender que os tempos mudaram, que não cabem ações truculentas, senão defender o sagrado direito ao voto livre e democrático – este, sem dúvida, a verdadeira arma de justiça, de limpeza ética e responsável pelo renascimento de um Brasil melhor. É nisso que acreditamos; o resto é retórica pura.

Com muito prazer, passo o bastão para um colega jornalista que queira continuar donde parei. Daí pra frente é por sua conta e inteira responsabilidade. Só tenho uma recomendação a fazer: não se esqueça de levar a máscara de oxigênio sempre que for à Brasília entrevistar algum político, esteja ele em recesso ou não, esteja ele fedendo ou não. Só espero que não vá se contaminar com a burrice antológica explícita nos corredores e demais dependências do Palácio. Desejo-lhe boa sorte. Ah, já ia me esquecendo: o nobre colega está convidado para o bota-fora.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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