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Esportes

Coisas do Futebol – 3ª parte

Coisas do Futebol – 3ª parte

Se não houver mudanças drásticas no quadro de dirigentes da CBF – Confederação Brasileira de Futebol, o técnico da Seleção Brasileira continuará sendo um profissional com as seguintes qualidades: 1ª) personalidade tacanha; 2ª) se considerar o centro do universo esportivo; 3ª) auto-suficiente na burrice; 4ª) acreditar no impossível; 5ª) dono da verdade; 6ª) capacidade para reduzir os colegas de trabalho à condição de idiota; 7ª) falar o que não pensa; 8ª) cego e surdo; 9ª) complexo de superioridade; 10ª) valorizar o egocentrismo em detrimento do patriotismo. Se a Globo me permitir, gostaria de fazer uma honesta indicação: Galvão Bueno, porque ele reúne todas essas exigências curriculares – tem outras qualificações que são impublicáveis. Fora de cogitação. Incluam-me fora disso. Torço por um timeco da galáxia de Andrômeda, distante dois milhões de anos-luz. É para lá que gostaria de mandar o Ricardo Teixeira & Cia.

O amistoso da Seleção Brasileira contra a Bósnia, ontem, quarta-feira, 29 de fevereiro, na Suíça, vem a confirmar o que eu disse acima há exatos 5 anos e 7 meses. Mesmo ganhando de 2 a 1 (graças ao gol contra feito pelo jogador da bósnia, Papac, já nos acréscimos do 2º tempo), o Brasil está longe de merecer a nossa torcida. Mano Menezes é o retrato falado da “mesmice agravada”. Fraco treinador, alvo de questionamentos, insistente quando o assunto é convocar jogadores (Ronaldinho Gaúcho, NÃO, pelo amor de Deus). Comparado ao igualmente fraco Dunga, nos primeiros 21 jogos da Seleção Canarinho, Mano tem 69,84% de aproveitamento, enquanto o anão preferido da Branca de Neve conseguiu 74,6%. Brincadeira. Fala sério! Daqui até a Copa de 2014, vamos ver muito torcedor enfartando. Um “boca de balde” que trabalha na CBF adiantou para os jornalistas que os outros seis anões serão convocados. Branca de Neve assinará os contratos.

Eu disse mais em julho de 2006: Felipão teve razão quando recusou o convite da CBF para ser técnico da Seleção Brasileira, ao alegar: “Não posso aceitar por problemas de família”. Considerando a perpetuidade da máfia no futebol brasileiro, é melhor ele ficar mesmo em Portugal treinando os patrícios – infelizmente, alguns jogadores fazem parte dessa organização secreta. Nós, torcedores, deveríamos tomar vergonha na cara, não acreditar que a Copa de 2010 na África do Sul será diferente, e perder a esperança do Brasil hexacampeão daqui a quatro anos. Acho melhor deixarmos essa questão de futebol de lado, e nos preocupar com coisas mais importantes, como colher flores no Jardim do Éden.

Deixemos isso pra lá. Estou mais preocupado é com a onda de violência que toma conta dos torcedores brasileiros. Vejam algumas manchetes do mês de fevereiro de 2012:

“As rodadas dos campeonatos regionais pelo país foram marcadas por tumultos e violência entre torcedores”.

“Em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia foram registrados 5 baleados”.

“Quatro torcedores do Botafogo foram baleados na madrugada desta segunda-feira, na Zona Oeste”.

“Confrontos entre torcidas no país resultam em 5 baleados e mais de 70 detidos”.

“Na Bahia, 50 policiais em greve tentaram adiar o jogo entre Bahia x Itabuna”

“Eles não deixaram os ônibus das duas delegações chegarem ao estádio, que teve um de seus portões derrubados pelos torcedores”.

“O primeiro registro de violência entre torcedores ocorreu na quinta-feira, em Campinas”.

“Ônibus das duas torcidas se cruzaram em uma avenida no interior paulista”.

“Os torcedores partiram para a briga. Saldo: um torcedor baleado de raspão e outros 61 detidos”.

“Torcedores do São Paulo também se envolveram em tumulto no acesso ao estádio Moisés Lucarelli”.

“Bombas, rojões, tiros de balas de borracha e pedras foram atirados”.

“Os torcedores são-paulinos acusaram os ponte-pretanos de provocar o clima hostil”.

“Torcedores de Corinthians e Palmeiras se desentenderam na Marginal Tietê”.

“Um ônibus e um veículo da polícia foram danificados”.

“A Tropa de Choque impediu que palmeirenses invadissem a sede alvinegra, que reunia centenas de corintianos”.

Etc, etc, etc… Como podemos sediar a Copa do Mundo FIFA de 2014? Desse jeito? Que exemplos podemos dar para o mundo, que também não é santo. Todavia, o vandalismo nas cores verde e amarelo avassala fronteiras, não acaba, não tem precedentes. Em setembro de 2006 eu escrevi o que segue.

Sou obrigado a concordar com a proibição das torcidas organizadas no futebol. Hoje, quem vai aos estádios de futebol – sem distinção – não consegue assistir aos jogos com a mesma tranquilidade de antes, porque a qualquer momento pode sair uma briga danada e colocar em risco a vida dos torcedores que nada têm a ver com ela. As torcidas organizadas, na sua maioria, transformaram-se em verdadeiras facções criminosas, em bandos sediciosos, que contam com a tecnologia da informação para articularem suas ações dentro e fora dos campos, como tumultos, agressões, pancadarias, corre-corre, coação de grupos adversários, depredação do patrimônio, atentados à integridade física das pessoas, homicídios, e outros crimes. O futebol brasileiro perde um pouco daquela coisa de “paixão nacional” e passa também a ser visto como “espetáculo de violência”. Os bandidos, sobretudo os líderes, travestidos de fanáticos torcedores, deveriam ser punidos exemplarmente pela Justiça Comum para que cenas de selvageria e vandalismo sejam descontinuadas. Sempre entendi que para extravasar a energia contida a prática de esportes é recomendada – e para reprimir o instinto selvagem a jaula resolve.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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