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Política

Pesadelo – V. Último.

Pesadelo – V. Último.

Graças a Deus. Não chegou a fechar a semana de sete dias.

Vejo-me deitado de barriga pra cima olhando o teto do quarto, nele não há carneirinhos pra contar. Minha mulher tenta conversar comigo sobre as contas atrasadas, que chegam umas atrás das outras. Culpo a pandemia pelos atrasos dos pagamentos, porém, ela diz que é por conta das despesas de bar que eu estou tendo nos últimos dias. Convido-a para ir comigo desfrutar das boas conversas com os amigos de sempre. Ela disse que sim para minha tristeza sabendo que eu ficaria puto e sem liberdade de expressão. Olho pro teto do quarto pensando no que fazer. Ela boceja, dá boa noite e só! Continuo olhando pro teto, só que do escritório. Lá tem uma cama de solteiro logo atrás da mesa-balcão onde trabalho e tenho tralhas espalhadas de ponta a ponta. Ao alcance da mão direita uma garrafa com água, e da mão esquerda uma cartela daquela droga psicodélica que o meu amigo, que mora na Holanda, me recomendou por telefone. Água e comprimido proibido fazem uma boa dupla. Um gole só resolveu o problema. Só que tem uma coisa, a necessidade de montar uma estratégia para fazer a minha mulher desistir de ir ao bar comigo me fez perder preciosas quatro horas de sono. Simples assim. Simples assim é o cacete porque você não olhou o relógio, que já marcava 05h30min, portanto, seria apenas um cochilo de 02h30min. Como assim? Como assim é o cacete! Às 08h00min horas eu tenho cardiologista. Pouco tempo de olhos fechados, mas o suficiente para ter um pesadelo do caralho! Locais estranhos, caras que eu nuca vi, cenários diversificados, sons de toda espécie, odores de pólvora molhada, as pessoas estavam usando roupas que eu nunca tinha visto antes como se os fatos se passassem em diferentes épocas, enfim, guerra dos mundos. E foi.

Jamais imaginaria um dia visitar a China. Lá todas as caras são iguais. Mas não é só isso, a ditadura chinesa me assusta um tanto, que vocês não têm a mínima ideia do quanto. A começar pela hipocrisia e pelo cinismo dos seus dragões-líderes – vermelhos. Pois é (como diria o meu amigo Zé Maria Trindade do programa OS PINGOS NOS ÍS da Jovem Pan), era exatamente lá na China onde eu estava no pesadelo. O pior é que diante do presidente Xi Jinping que, em bom Português, dava explicações sobre o seu não comparecimento à COP26. “Eu fiz um discurso por escrito que seria lido na cúpula da COP26, onde eu afirmo que a China controlará o desenvolvimento irracional de projetos com alto consumo de energia e alta emissão de gases poluentes. Deixei claro que a China não firmará compromissos climáticos seja com qual país for” – disse Xi Jinping. Nos meus ouvidos o ditador chinês me confidenciou em Mandarim: “Não estou preocupado com os níveis de poluição da China. Tenho planos para conquistar metade do mundo. A conquista do Brasil é minha prioridade, de modo que em nossas mãos já estão o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. Tenho pouco tempo, até as Eleições de 2022, para fazer o Capitão mudar de ideia – para o presidente três estrelas a China tem um plano ‘B’, caso necessário será colocado em prática. Os chineses não passarão fome. Temos uma área de 9.597.000 km², de modo que não faltará espaço para estocar comida produzida no Brasil”. Como eu falo Mandarim, traduzi o que ele falou conforme acima. Fiz uma pergunta na língua portuguesa a Xi Jinping: “Devem existir outros motivos que levaram o senhor a não comparecer à 26ª conferência das partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima – COP26, realizada neste mês de novembro de 2021 em Glasgow, na Escócia. Eu arriscaria um palpite. O senhor não foi porque não fez escala em Wuhan para dar carona à nova cepa do Coronavírus e levá-la de presente aos participantes mundiais”. Xi Jinping me mandou “tomar no CU”. Um papagaio de pirata que estava do meu lado, o embaixador do Brasil em Pequim, me aconselhou a ficar quieto. Eu me senti no direito de fazer outras perguntas ao ditador Xi Jinping, até porque eu já tinha bebido dez garrafas do vinho amarelo chinês, Huangjiu. “O senhor não acha que o rio chinês, o Rio Amarelo, foi mais competente em matar pessoas do que o Coronavírus, também chinês? A grande inundação do Rio Amarelo ocorrida no ano de 1931 em menos de um mês matou 04 milhões de chineses. Por conta disso, o senhor não acha que seria mais inteligente convidar milhões de pessoas de todo o mundo para se banharem no Rio Amarelo na sua próxima grande enchente, depois de tomarem o vinho Huangjiu? A China poderia se vangloriar por mais um dos piores desastres naturais já ocorridos em todos os tempos, em número de vítimas fatais. Boa oportunidade para por a culpa nos Deuses chineses, os Três Soberanos, Nu Wa, Fu Xi e Shennong, Deuses fundadores da civilização chinesa”. Infelizmente, a culpa pelo Coronavírus é da China, não dos seus Deuses. O papagaio de pirata que estava do meu lado, o embaixador do Brasil em Pequim, gritou em alto e bom tom: “Corra”.

Confesso a todos vocês que naquele momento eu quase acordei, não fosse mudar de cenário rapidamente no pesadelo, e começar a vivenciar outras aventuras. Nesta segunda-feira, 08 de novembro de 2021, eu estava num terreno baldio e via um cachorro acorrentado. Dele se aproxima um homem, que o liberta. O cão, sem saber direito o que estava acontecendo abana com dificuldade o rabo, porque este (o rabo) estava entre as pernas. Ao fazê-lo, mija-se todo! Aquele homem, aparentando saber o que estava fazendo, chama o cachorro pelo nome, e o cão o segue, cambaleando com dores – tinha duas patas literalmente quebradas. Os olhos do cão pareciam olhos de peixe morto sobre bancada de peixeiro. O cão o segue, sem manifestar qualquer reação. O homem abre uma tosca porteira e coloca o cão dentro de um pequeno cercado. Vira-se para o esquálido cachorro e diz: “Você pode sair, mas estou de olho em você; fique de boca fechada, porque aberta entra mosca; está proibido de latir para não assustar a vizinhança; daqui a pouco mando lhe entregar água e ração”. O homem vai embora. O cão permanece como está: parado, cabisbaixo, pernas curvadas, olhos entreabertos, uivos pouco perceptíveis. Vou ao encontro do homem e constato ser o ministro Alexandre de Moraes. Corro em direção ao cercado e encontro o cão morto, caído num canto. Dar “meia liberdade” ao cão acelerou a sua execução. Ato realizado por morte sem causas naturais. Acordo extremamente assustado do pesadelo e ligo para o deputado Daniel Silveira para ver se ele estava bem. São 07h28min desta terça-feira, 09. Vou tomar uma ducha, e os uivos do cão não me saem da cabeça – o único recurso que ele, o cachorro, tinha para manter contato com os seus pares, uma vez que já trabalharam em grupo, mas, infelizmente, este meio de comunicação animal não bastou para salvá-lo. A coleira vazia e a corrente aguardam outro cão; aquele sujo terreno baldio foi declarado propriedade do Estado.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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