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Naturismo

“Nós não somos um bando de pelados!”

“Nós não somos um bando de pelados!”

Quem disse isso, com a maior segurança, foi uma senhora (67) que se considera “Naturista” com letra maiúscula, ou melhor, qualifica-se como “Natussauro” – uma mistura de Naturista com dinossauro, para representar que ela é antiga na prática nudista. Desse modo, arvora-se no direito de falar o que quiser, o que bem entender, no tempo que for, sobretudo quando o assunto da vez for críticas generalizadas; dirigidas aos outros (preferencialmente ausentes) – diga-se de passagem, na imensa maioria das vezes comentários depreciativos, desdenhosos. A pessoa não tem como se defender quando não ouve diretamente o que é dito a seu respeito.

Imagine a seguinte situação. Um pequeno grupo de amigos naturistas resolveu comemorar o Réveillon 2020 (Virada 2021) num famoso balneário naturista do Brasil. Um evento particular (até porque as praias são públicas), sem qualquer ligação com grupos filiados ou federações. O que era pra ser um evento meramente de confraternização e descontração acabou dando algumas dores de cabeça em razão das interferências externas. Pois bem, dando uma de enxerida, aquela senhora que se considera “Natussauro” tomou a iniciativa de “mandar” inserir a logomarca do grupo que “administra” a tal praia naturista nos posts de divulgação. Foi exatamente naquele momento de intromissão inoportuna que surgiu a romântica frase “Nós não somos um bando de pelados!”. “Precisamos mostrar aos naturistas que estão vindo de fora que a nossa praia é filiada à FBrN, portanto, seguimos todas as suas regras” – completou a dita “Natussauro”, tentando se explicar perante os organizadores do evento pelo seu ato.

Sentindo-se encorajada, aparece uma representante da Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) e também “exige” que a logomarca da FBrN entre na divulgação do material. Junto com as duas logos “exigiram” que a identidade visual da International Naturist Federation (INF) também fosse colocada. Detalhe importante, nenhuma dessas três entidades colaborou com a organização do Réveillon, seja com trabalho, seja com ajuda financeira – e também não marcaram presença na noite do Réveillon. Um filme repetido que, ao final, nem aplausos, nem muito obrigado! O pior é que tinha gente torcendo pra dar errado.     

A propósito, vale ressaltar o motivo pelo qual esse tema veio à baila. Simples de explicar. Pasmem amigos leitores; as ilustres senhoras naturistas deixaram transparecer que se o pequeno grupo de amigos naturistas utilizasse tais logomarcas no material de divulgação do Réveillon 2020, isso daria um cunho de “seriedade” ao evento (um escudo de proteção), espantando a possibilidade de acontecer atos pecaminosos entre os participantes, sobretudo depois dos tradicionais brindes com desejos de Feliz Ano Novo. Quem sabe naquelas mentes poluídas 2021 fosse recebido com honrosas putarias ao sabor das ondas da praia, caso os nudistas participantes não se identificassem com algum “grupo filiado”, oficializado.

Sendo sócio ou não, sendo frequentador assíduo ou não de um grupo qualquer (filiado ou não), são condições que não impedem a quebra das regras estabelecidas, não inibem os falsos nudistas de cometerem atos inapropriados. Tanto que um desses falsos nudistas comentou no evento: “Seria tão bom se logo na passagem do ano todo mundo fodesse com total liberdade”. A hipocrisia pede passagem. Se houvesse consenso para tal tipo de sacanagem grupal não seriam as logomarcas de grupos oficiais ou de federações que a impediriam de acontecer. A cegueira também existe no mundo vestido, sobretudo por conveniência, servindo como disfarce do falso pudor.

Em primeiro plano, a concebida “pura nudez social” não tem, absolutamente, nada a ver com a antiguidade de exposição do corpo nu, com a contagem de tempo que a pessoa se mostra sem roupas às demais. Em segundo lugar, uma pessoa novata na prática nudista tem demonstrado ser possuidora de consciência mais apurada, assim como decência. Alguns dos “velhos” naturistas que eu conheço (Natussauros) têm perdido excelentes oportunidades no sentido de agregar valor à filosofia naturista/nudista, de modo que não estão conseguindo fortalecer os grupos e atrair mais adeptos em razão dos fatores comentados. Eu tenho por costume – quando me dão oportunidade – afirmar que cada indivíduo constrói os seus próprios padrões morais e éticos. Agora, se os aplicarão junto aos grupos de convívio é questão de foro íntimo. A rigor, medir a moral e a ética pessoais com a régua dos outros é ato falho.  

Na sociedade despida temos regras comportamentais em conformidade com o que se espera dessa filosofia de vida. A meu sentir, dignidade, respeito e decoro são graus positivos por excelência, qualidades que diferenciam os homens em todos os campos de atividades. A natureza, em si, não tem a capacidade de examinar e/ou corrigir desvios, de modo que todos deveriam ter juízo crítico, antes de abrir a boca para julgar o próximo. Sei lá porque eu estou dizendo tudo isso. Talvez porque não me conformo com a capacidade de certas pessoas de avaliar situações pelo lado errado – habilidade de julgamento de dar inveja a lavadeiras de pé de bica.

Usar corpos nus para saciar vontades sexuais, ainda que virtuais; usar corpos nus como fonte de receita são dois expedientes cumpridos à risca por “naturistas oportunistas”. Dentro do grupo filiado à FBrN, o mesmo que “administra” a praia naturista onde foi realizada a festa, tem gente deste naipe. Sinceramente eu não consigo aceitar isso, que corpos nus proporcionem deleite, prazeres mundanos e ainda promovam renda. Infelizmente, na maioria das áreas naturistas eu pude comprovar esta realidade – que a hipocrisia tenta esconder, escorada na habilidade de julgamento de dar inveja a lavadeiras de pé de bica. É aquela coisa, você finge que não faz e eu finjo que não vejo. “Mulher com mulher dá jacaré”, “Homem com homem dá lobisomem” – lendas. Jacaré e lobisomem nunca foram vistos em áreas naturistas, mas, brincadeiras entre seres do mesmo sexo são realidade. Nudistas com carteirinha têm acesso facilitado.   

Na visão de grupo, nós somos sim, um bando de pelados que ainda não aprendeu o que é “ser naturista”, o que é “ser nudista”, na essência das palavras. O Naturismo/Nudismo é uma porta aberta para a entrada de instintos sexuais aflorados, que, na verdade, tornam-se reais pela liberalidade encontrada em áreas específicas, sobretudo em praias ditas oficiais, e pela prática de sacanagens explícitas estimuladas por alguns frequentadores antigos. Tenho coragem para falar sobre isso, porque os meus olhos testemunharam muitas coisas desagradáveis (comuns) nesse sentido. Até aquele “novato naturista” se envergonharia, ou jamais retornaria.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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