>
Você está lendo...
Política

A merda da política – 3ª parte.

A merda da política – 3ª parte.

Do primeiro parágrafo do artigo anterior eu destaquei este trecho: “Desqualificados, os seres humanos agora podem opinar sobre tudo, sem restrições, escrever e divulgar – via nuvens de comunicação integradas – sem a mínima preocupação com a veracidade dos fatos”. Uma verdade nua e crua que surgiu da drástica mudança na forma de se comunicar das pessoas. Maldita Internet que mexeu com as cabeças pouco ou nada pensantes – expertises que nunca existiram, mas que precisam ser demonstradas a todo custo por conta de aparências ilusórias; é aquela coisa do indivíduo ser forçado a mostrar qualidades aos outros, ainda que falsas, para que causem aceitação, reconhecimento e admiração nos grupos de contatos. Competição idiota.

“Penso, logo existo”, esta deveria ser a lógica, independente das formas do pensamento global. Portanto, eu existo porque penso, raciocino intelectualmente, tenho noção das coisas e eu as concebo. É assim que funciona. Considerando a premissa verdadeira, pensando a seu modo, ou não, os animais que conhecemos também existem. Comportando-se como “animais irracionais” internautas são “usados” pelos que pensam um pouco melhor; por estes são manipulados sem piedade com finalidades inconfessáveis. Nem tudo está perdido, de modo que os “irracionais usuários” de conteúdos virtuais da Internet também têm reconhecida a sua existência, não porque pensam, e sim porque cometem constantes erros e seguidos crimes. As pontes de navegação estão aí disponíveis, Firefox, Internet Explorer, Google, Google Chrome, Safari, Opera e outros Web browsers – elas, as pontes de navegação, unem as duas pontas, a humanidade e os arquivos de documentos (HTML) hospedados num servidor da rede. Essa conexão e, digamos, essa “interação” é que são os verdadeiros problemas face às intenções.

Qual é o risco disso? O desencadear de ondas de radicalismos motivadas por posições antagônicas, quando não reconhecidas pelo outro lado da discussão virtual, e que podem culminar em graves confrontos de rua. Exércitos virtuais se formam em torno de ideias de toda ordem, de ideologias diversas e se estruturam em torno de propósitos indefinidos. Atos de violência vêm simultaneamente, em progressão geométrica, sejam eles verbais digitalizados, e/ou através da formação de grupos reais e efetivos para a prática de badernas. Não se trata de hipótese, esse é um risco real, iminente. Ao redor do mundo, as redes sociais impuseram modelos perniciosos de relações humanas às sociedades contemporâneas; por consequência o feedback ficou sobremaneira prejudicado – na maioria das vezes as reações aos estímulos são consideradas reacionárias. Se você é diferente de mim vou tentar eliminá-lo. Ponto.

O tema que tem tomado conta das pautas governamentais diz respeito às enxurradas de críticas aos poderes da República, as tais “ondas contrárias”, causando preocupação caso se avolumem a ponto de fugirem do controle dos órgãos oficiais. No universo virtual das redes sociais os internautas radicais se sentem encorajados, possuidores duma força descomunal que eles jamais imaginariam ter. Grupos divergentes, cada qual obedecendo ao que determina a sua cartilha de procedimentos operacionais – acirrar os ânimos, criar instabilidades sociais, agravar situações, estimular tumultos, provocar pânico, estabelecer desordem, acabar com a paz pública. Fanáticos em números cada vez mais crescentes. Neste caso, o papel principal da sociedade civil organizada é o de não se envolver, se manter à distância e torcer para que coisa pior não aconteça. No século passado os regimes comunistas foram alvo de virulentas críticas, a principal delas diz respeito a atos de “canibalismo” praticados contra crianças. Os comunistas comiam literalmente criancinhas! Eu mesmo ouvi isso algumas vezes. Lá por volta de 1969, um primeiro sargento lotado no Esquadrão de Polícia da Aeronáutica (Galeão, RJ), foi perguntado por um soldado de segunda classe (S2) numa aula de instrução: “Sargento, o que é comunista?” O sargento Durval respondeu-lhe: “Comunista é o cara que come crianças por crença ideológica”. O S2 acreditou e jurou matá-los. Para os marxistas isso era mito, enquanto os críticos capitalistas confirmavam que tais atos eram fatos verdadeiros. Mito ou verdade? Eu fico imaginando se naquela época já existissem Internet e redes sociais – os mortos seriam outros.

Augusto Avlis

Navegue no Blog  opiniaosemfronteiras.com.br e você encontrará 987 artigos publicados em 16 Categorias. Boa leitura.

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se aos outros seguidores de 160

%d blogueiros gostam disto: