>
Você está lendo...
Polícia e Segurança Pública, Política

Bandido contra bandido

Bandido contra bandido

Sinceramente, quando eu ouço alguém dar explicações para algo inexplicável, ou tentar dá-las, a minha vontade é de pegar o trem das onze e só voltar amanhã em outro horário – ou talvez nunca mais retornar ao ponto de partida. Isso aconteceu hoje, terça-feira, 17 de abril de 2018. Na volta do meu Teste Ergométrico – realizado no CRE Metropolitano (Centro Regional de Especialidades Juliano Almeida do Valle) a pedido da minha cardiologista –, liguei o rádio do carro na CBN. Mílton Jung entrevistava o porta-voz do Gabinete de Intervenção Federal do Rio, coronel Roberto Itamar, direto do novo estúdio da CBN Rio de Janeiro. Participavam do papo os comentaristas do Jornal da CBN Gerson Camarotti e Sérgio Abranches. Aqui vai o meu elogio a Mílton Jung, Gerson Camarotti e Sérgio Abranches.

Pois bem, o que eu ouvi foi um verdadeiro festival de retóricas por parte do coronel Roberto Itamar, que não convenceu ninguém a respeito dos resultados da Intervenção, segundo ele positivos e que o deixavam satisfeito. Pura retórica. Entre a arte de bem argumentar, e os tristes fatos decorrentes da falta de Segurança Pública no Rio de Janeiro, há uma distância enorme. Não quero entrar no mérito da Intervenção, porquanto foi um ato do governo federal com fins reconhecida e exclusivamente políticos. O papel desempenhado pelo Exército e demais forças armadas tem sido de palhaço, e querem os comandantes federais das “burras operações” que a população do Rio também desempenhe idêntica encenação. De idiotas os cariocas já são chamados, com justo motivo – somente aqueles nascidos na cidade ex-maravilhosa, que moram lá e que continuam votando errado.

Dá vontade de fazer a seguinte pergunta ao coronel Roberto Itamar: Por que o crime organizado não comete violência contra os políticos? Como sei que ele usará de retórica para responder, eu responderei por ele: Porque bandido que se preza respeita prezado bandido, numa terra com ou sem Leis, ora! Um conhece o grau de periculosidade do outro. As diferenças estão na esfera de atuação, na tática, na tropa de choque e no tipo de armamento, mas os objetivos acabam sendo os mesmos, quais sejam, humilhar, roubar e ferrar os pobres trabalhadores. Será que se as ações criminosas praticadas nos últimos tempos no Rio de Janeiro tivessem como alvos o governador, o prefeito, os secretários, os deputados estaduais, os vereadores – e nessa lista também fossem colocados alguns figurões do judiciário –, alguma providência mais contundente já não teria sido tomada? Digo que sim, naturalmente, com certeza. O entendimento parte de uma pressuposta ambiguidade.

Quando o problema está acontecendo com o vizinho, e diretamente não nos atinge, dane-se. A pimenta continua sendo refresco nos olhos dos outros. Na verdade, a bomba sempre estoura no lado mais fraco; as vítimas quase sempre são chefes de família, que não têm pra onde correr. No resto do Brasil a coisa não é diferente, ou melhor, em certos casos até pior. Há pouco tempo assistimos a transferências de presos líderes de facções criminosas, que comandam delitos e toda espécie de crimes de dentro dos presídios, para outros Estados, numa operação de dar inveja às tropas americanas baseadas em países do Oriente Médio. Isto sem falar nos custos elevadíssimos pagos com dinheiro suado dos nossos impostos. Até jatinhos foram empregados nas operações cinematográficas. Pena que não caíram com os presos dentro! A perda de um piloto inocente compensa a morte de quatro bandidos perigosos e irrecuperáveis.

Senhor coronel Roberto Itamar, eu já ia me esquecendo de citar duas dessemelhanças entre os políticos bandidos que atuam por aí e o crime organizado que está à disposição deles: 1ª diferença, os políticos bandidos usam terno e gravata, caneta Montblanc Meisterstück e são antropófagos por natureza; 2ª distinção, o crime organizado possui código de ética patenteado e sinalização secreta própria, algo desconhecido da máfia política.

O descaramento é tanto que hoje os parlamentares não estão se importando em espalhar todo o lixo fétido que produzem pelos corredores da Câmara e do Senado, mas insistem em discursar sobre Segurança Pública, como se fossemos todos cariocas, como se não existissem rabos a esconder debaixo dos tapetes dos palácios. A “antropofagia política” acaba com qualquer “código de ética” e com qualquer “sinalização secreta” que se queira implantar no Congresso Nacional, ainda que copiados do crime organizado convencional, com a sua permissão. O mundo no qual estou vivendo é bem real, tenho a impressão de estar no meio de uma guerra de bandido contra bandido, e não será uma Intervenção qualquer que acabará com ela.

Senhor coronel Roberto Itamar eu acabo acreditando que a campanha do desarmamento teve um lado positivo; de fato o povo brasileiro não está preparado psicológica e educacionalmente, política e patrioticamente para colocar as mãos em armas para a defesa do seu patrimônio e da sua integridade física, porque as pessoas continuarão se matando umas as outras por razões fúteis, por dívida de R$ 10,00, por um copo de cachaça mal servido, por passionalidades. Na condição que o povo brasileiro se encontra, a de “corno passivo de puta ativa”, tudo ficará como está. Entendeu, senhor coronel Roberto Itamar?

Ao final da entrevista Mílton Jung foi brilhante ao perguntar: Coronel, o senhor está satisfeito com o que está sendo feito? Transfiro esta pergunta ao General-de-Exército Augusto Heleno Ribeiro Pereira, ex-comandante da Força Militar no Haiti. O momento é oportuno para reeditar um pensamento meu: “O Brasil não precisa de heróis nacionais, ele precisa de Snipers”.

Augusto Avlis

Navegue no Blog  opiniaosemfronteiras.com.br e você encontrará 865 artigos publicados em 16 Categorias. Boa leitura.

Anúncios

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se a 157 outros seguidores

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: