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Política

Geraldo Alckmin

Geraldo Alckmin

Pau que dá em Chico dá em Francisco. Eu acho que a maioria das pessoas já deve ter ouvido esta afirmativa em algum lugar, em alguma situação. O ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em seus despachos e nas suas falas, tem feito oportunas referências à frase interposta. Mas, não é tão afirmativa assim, a frase, que causa efeitos, digamos, diferentes, no ato consumado. De modo que o pau pode bater mais leve na cabeça de um do que do outro. Esta é uma análise preliminar.

O Partido dos Trabalhadores (PT) se queixa constantemente que a sua cabeça está mais inchada do que a de outros partidos políticos, pelo fato de levar mais pauladas e com força desmedida, desproporcional. A Operação Lava-Jato tem sido acusada, por essa coitada vítima, de ser seletiva quando “impõe tortura”, dando a impressão que são sempre os mesmos alvos. Lembro que os corruptos que estão nos Poderes da República têm maior visibilidade.

O PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) de Geraldo Alckmin até agora só levou tapas na cabeça, não precisando colocar sacos de gelo. A coisa pode mudar porque em torno dele a Justiça está formando um grande corredor polonês. Basta olhar bem de perto a situação do ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, do senador Aécio Neves, que possui foro privilegiado, e, o mais recente caso do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que fez entrega do cargo ao seu vice, Márcio França, para entrar na disputa presidencial. É evidente que o caso Lula (PT) fez a deusa Têmis tirar a espada da bainha.

Amigos leitores, no mundo dos roedores acontece um fato interessante, quando se sentem acuados e/ou ameaçados, correm de uma toca para outra – com impressionante agilidade – em busca de proteção. Qualquer semelhança com o mundo político é mera coincidência. Ratos de duas pernas querem competir com os de quatro pernas e acabam vencendo a corrida. Existem tocas no sentido literal disputadas por ratos políticos (vide a chamada “janela partidária”, pela qual saem e entram políticos num troca-troca de toca, perdão, de partido, sem correrem o risco da perda de mandato por “infidelidade partidária”), e existem tocas no sentido virtual, são os conchavos de bastidores, as coligações espúrias, os acordos de bancadas na calada da noite.

Contra a fuga de Geraldo Alckmin para outra toca, o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, “ironizou” a decisão tomada pela Procuradoria-Geral da República na última quarta-feira, 11/04, quando esta solicitou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para excluir o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) da esfera de competência da Operação Lava-Jato e considerá-lo investigado apenas na Justiça Eleitoral de São Paulo por crime de caixa 2. “Tecnicamente difícil de engolir essa” – escreveu Rodrigo Janot no Twitter. A gente sabe que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é a maior lavanderia de capitais do Brasil, na medida em que aprova, quase que às cegas, praticamente 100% das contas dos candidatos e partidos políticos. As Justiças Eleitorais dos Estados seguem a mesma metodologia.

O inquérito em questão apura se Geraldo Alckmin recebeu R$ 10,7 milhões da construtora Odebrecht, através do seu cunhado,  Adhemar César Ribeiro, segundo o que revelaram três ex-executivos daquela empreiteira em delação premiada com o Ministério Público Federal. Ora, o governo paulista fez diversas obras públicas ao longo de décadas e seria inocência acreditar que todas elas estão “limpas” de corrupção. Mesmo que Alckmin negue ter recebido dinheiro ilegal vindo de práticas corruptas, há fortes indícios que as suas campanhas de 2010 e 2014 foram irrigadas com propinas. Só Geraldo Alckmin é honesto – ele afirma ser. Vamos admitir que o inquérito vá de fato para a Justiça Eleitoral de São Paulo, mesmo condenado ele poderá se candidatar em razão da obrigatoriedade do “Trânsito em julgado”, segundo texto da Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar nº. 135 de 2010) – o fator tempo o favorece. Dizem os especialistas em roedores: o rato terá tempo para mudar de toca.

Toca, na política, significa um “esconderijo” e um “abrigo” usados pelos políticos corruptos, preferencialmente túneis encontrados nas Leis Processuais, nas cavernas das comprometidas Instituições, nos buracos da desordem pública, nas teias do crime organizado – a principal ferramenta utilizada para escavar e construir tudo isso é o dinheiro “sujo” desviado dos cofres públicos; mas “limpo” enquanto ele estava lá, dentro dos cofres, para servir ao país. Importante dizer que, durante o tempo em que esses desgraçados políticos – ratos por excelência – ficam nesses esconderijos e nesses abrigos, protegidos da luz do dia, acasalam-se em momentos de fertilidade, gerando filhotes nos piores ventres.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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