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Política

A Justiça bateu na cabeça da jararaca

A Justiça bateu na cabeça da jararaca

Amigos leitores, vocês devem se lembrar como foi a grande confusão ocorrida quando Lula foi levado coercitivamente pela Polícia Federal, por volta das 08h40min, para prestar depoimento no Aeroporto de Congonhas, SP. Pois é. Foi na Operação Aletheia, deflagrada pela Polícia Federal, numa sexta-feira, 04 de março de 2016, na 24ª fase da Operação Lava-Jato. Leia-se: “O nome da operação faz referência à busca da verdade. Na Grécia Antiga, a palavra Aletheia tinha o significado também de ‘realidade’, ou de ‘busca pela verdade’ por meio do conhecimento. O termo é comumente utilizado na psicologia para referir-se à busca por uma verdade além das aparências. Além de verdade, o termo também pode ser entendido como ‘realidade’, ‘não oculto’, ‘revelado’, entre outras asserções”.

Também alvo da Operação Aletheia, o Instituto Lula considerou que a ação da Polícia Federal foi “arbitrária, ilegal e injustificável”. Em nota, o então presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Rui Falcão, disse: “A condução coercitiva do ex-presidente Luiz  Inácio Lula da Silva representa um ataque à democracia e à Constituição. Trata-se de novo e indigno capítulo na escalada golpista que busca desestabilizar o governo da presidente Dilma Rousseff, criminalizar o Partido dos Trabalhadores e combater o principal líder do povo brasileiro”. O Ministério Público Federal (MPF), também em nota, manifestou-se: “Após ser intimado e ter tentado diversas medidas para protelar esse depoimento, incluindo, inclusive, um Habeas Corpus perante o TJSP, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva manifestou sua recusa em comparecer”. Segundo o juiz Sérgio Moro “O mandado de condução coercitiva é uma medida para preservação da ordem pública. […] Com a medida, previnem-se incidentes que podem envolver lesão a inocentes. […] Não envolve qualquer juízo de antecipação de responsabilidade criminal. […] A medida não tem por objetivo cercear direitos do ex-presidente ou colocá-lo em situação vexatória. […] A condução coercitiva para tomada de depoimento é medida de cunho investigatório”. Criticando a decisão de Sérgio Moro, o ministro do STF, Marco Aurélio Mello disse: “Lula foi cerceado na liberdade de ir e vir”.

Essas citações são importantes para mostrar que no Brasil é muito difícil, muito difícil mesmo, prender “gente importante”, ainda mais do mundo político, por razões que a própria razão desconhece. Bandido que se preza se faz de vítima; nega a autoria dos crimes praticados; engana a plateia e brinca com a Justiça. Lula é useiro e vezeiro nessa prática. O senhor dos anéis, às avessas, não se importa em arrancar pedras preciosas da sua coroa e dá-las aos que compactuam com a sua empolada performance.

“Busca pela verdade”. Uma verdade que Lula sempre vendeu como mentira. O ex-presidente construiu uma realidade própria, cujas aparências eram compartilhadas pelos seus fanáticos seguidores. O mandado de condução coercitiva aconteceu quando Lula ainda não tinha virado réu – Lula era apenas investigado por ocultação de patrimônio. Lula se tornou réu pela primeira vez numa sexta-feira, 29 de julho de 2016, dentro da Operação Lava-Jato. A Justiça Federal do Distrito Federal acatou a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (Procuradoria-Geral da República) dando conta que Lula (e outros) estaria tentando obstruir as investigações da Operação Lava-Jato, supostamente comprando por R$ 250 mil o silêncio de Nestor Cerveró, ex-diretor internacional da Petrobras (2003/2008) e ex-diretor financeiro da BR Distribuidora (2008/2014). Nestor Cerveró virou delator do gigantesco esquema de corrupção existente na Petrobras. Mesmo com aquele olho fora de nível, Cerveró enxergava longe.

Lula se tornou réu pela segunda vez na Operação Lava-Jato numa terça-feira, 20/09/2016, após o juiz federal Sérgio Moro acatar denúncia formulada pelo Ministério Público Federal, à época comandado pelo Procurador-Geral da República Rodrigo Janot. Na denúncia, Janot afirmou que Lula era o “comandante máximo” do esquema de corrupção na Petrobras e que teria recebido R$ 3,7 milhões em propina paga pela empreiteira OAS. Lula acabou sendo condenado nesse processo, pela primeira vez na Lava-Jato, a 12 anos e 01 mês de prisão. A ex-primeira-dama Marisa Letícia também respondia pelos mesmos crimes, Corrupção passiva e Lavagem de dinheiro – uma vez morta, contra ela o processo automaticamente fica extinto.

É bom lembrar que na condução coercitiva de Lula, o juiz Sérgio Moro já teria motivos de sobra para decretar de imediato a prisão temporária de Lula, face às provas colhidas, até porque num comunicado divulgado à imprensa, o Ministério Público Federal (MPF) informou que Lula se tornou alvo de investigação em razão de fortes indícios de que ele recebeu dinheiro desviado da Petrobras pelo menos em duas situações: apartamento tríplex do Guarujá (e reformas) e sítio de Atibaia. Não que o juiz Sérgio Moro fosse “bonzinho” com Lula, ele apenas aguardou o momento certo para incriminá-lo, definitivamente, em razão de uma possível comoção popular em grande escala – convenhamos, situação teoricamente prejudicial ao andamento dos demais processos contra o ex-presidente. Mexer com o imaginário do povo nem sempre traz bons resultados.

“Se quiseram matar a jararaca, não bateram na cabeça, bateram no rabo, e a jararaca está viva, como sempre esteve”.

Disse Lula após a sua condução coercitiva.

Uma frase simbólica, como foi a determinação do juiz federal Sérgio Moro, na tarde da quinta-feira, 05 de abril de 2018, no sentido da prisão do ex-presidente Lula pelo cometimento de crimes comuns, que seria o primeiro mandatário (ex) do país a ter este destino. “Se quiseram matar a jararaca com o rabo encolhido, conseguiram bater na cabeça, e quase a mataram”.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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