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Política

O foco é salvar a própria pele

O foco é salvar a própria pele

A frase de Joesley Batista não me sai da cabeça. “Temer é o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil”. Isso virou capa da revista Veja. Será mesmo que o presidente Michel Temer é o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil? Será que ele é apenas mais um entre tantos outros chefes de quadrilhas perigosas? Ou será que cada partido político é chefiado por um grande chefe de quadrilha? O grau de periculosidade da quadrilha depende de vários fatores, o principal deles é a sua capacidade de se aliar a outras facções igualmente perigosas. No campo político, o PMDB, de fato, é um exemplo disso. O intercâmbio entre “os cabeças” que chefiam as quadrilhas só os fortalece, as relações criminosas desenvolvidas de modo recíproco têm um objetivo comum, o de se chegar aos resultados compartilhados.

Procuradores de Curitiba que compõem a força-tarefa da Operação Lava-Jato, depois do pronunciamento do presidente Michel Temer, feito nesta terça-feira, 27/06/2017, rotulando a denúncia do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, como “uma peça de ficção”, afirmaram categoricamente nas redes sociais que o presidente da República não tem mais condições de permanecer no cargo. Aí eu digo, sendo ou não o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil.

O investigador da Operação Lava-Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima (Prêmio Global Investigations Review – GIR 2015), em seu perfil no Facebook, disse que Michel Temer foi “leviano, inconsequente e calunioso ao insinuar recebimento de valores por parte do Procurador-Geral da República”. Carlos Fernando afirmou, ainda, que o governo do presidente Michel Temer “sufoca” a Polícia Federal ao suspender a emissão de passaportes. Está dentro do Modus Operandi do chefe de quadrilha minar resistências contra a organização criminosa.

Eu concordo plenamente com Carlos Fernando quando compara Michel Temer com Lula na tática de defesa, ou seja, acusar o acusador, de forma sistemática. “O presidente é incapaz de se defender dos fatos. […] Se Temer confia tanto na ausência de provas, que se deixe julgar pelo STF. Que a Câmara dos Deputados não se torne um sepulcro caiado. […] Se não há provas, então o que tem focinho de porco, orelha de porco, rabo de porco e cheira como um porco, deve ser apenas uma tomada. […] É de se envergonhar termos um acusado na Presidência da República que sequer se defende dos fatos” – escreveu Carlos Fernando.

“Hoje mesmo, o governo balança e não tem condições de concentrar suas atenções num projeto para o País. O foco é salvar a própria pele. Se queremos ter condições para o desenvolvimento da economia, o que precisamos é de um presidente revestido de condições morais para governar” – escreveu Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato no Ministério Público Federal (MPF).

Não são frases de efeito, são desabafos de autoridades públicas compromissadas com a Justiça e com a verdade dos fatos. Quantas e quantas pessoas gostariam de exteriorizar os seus sentimentos, ainda que por mais penosos ou reprimidos. Não importa se Michel Temer seja o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil, o que importa é que ele quis tomar o poder da República para salvar a própria pele, numa derradeira tentativa, talvez. O Brasil está cansado de tudo isso. Eu, particularmente, espero que Raquel Dodge, nomeada ontem, quarta-feira, 28/06/2017, a primeira mulher a comandar a Procuradoria-Geral da República, honre o convite que fez aos Procuradores da Lava-Jato para que permaneçam onde estão, sob pena, dela própria, ter que buscar argumentos para salvar a própria pele.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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