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Política

Quem são os outros magistrados comprados?

Quem são os outros magistrados comprados? 

“O presidente Michel Temer, um dia após ter sido denunciado por corrupção passiva pela Procuradoria-Geral da República, renunciará ao cargo. O pronunciamento acontecerá daqui a pouco no Palácio do Planalto”. Publiquei esta nota, hoje, terça-feira, 27/06/2017, aqui no meu Blog, antes da fala do presidente.

Era o que todo o Brasil esperava de Temer, um gesto de grandeza, cobrado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Houve movimento corporal por parte do peemedebista, mas não que exprimisse sentimentos sinceros – Temer esfregava as mãos como se as lavasse com sabonete Lifebuoy. Segundo fonte, a renúncia estava nos planos do presidente, face à sua tremenda fragilidade política. Era pra ter acontecido o anúncio da renúncia, ou, no mínimo, uma sinalização de que pudesse ocorrer num futuro breve. Nada está descartado.

De fato houve o pronunciamento nesta terça-feira, 27, de poucos minutos, que acabou por volta das 16h00min, porém, o presidente não renunciou, preferindo atacar frontalmente Rodrigo Janot, Procurador-Geral da República, seguindo orientação da sua tropa de choque e, sobretudo, do seu marqueteiro Elsinho Mouco, que esteve reunido com Michel Temer no Palácio do Planalto para definir as estratégias do pronunciamento, que se prendeu tão somente à defesa pessoal, não explicando os pontos da denúncia. Mais uma vez um marqueteiro de campanha influenciando as decisões de governo.

“Essa denúncia busca a revanche, a destruição e a vingança. E ainda fatiam a denúncia para produzir fatos contra o governo, querendo fragilizá-lo. São denúncias frágeis e precárias. […] Não fugirei das batalhas e das guerras. São ataques irresponsáveis. […] Fui denunciado por corrupção passiva, a esta altura da vida, sem jamais ter recebido valores, nunca vi dinheiro e não participei de acertos para cometer ilícitos. […]” – disse Temer em parte de sua fala.

O oferecimento de denúncia ao STF pela Procuradoria-Geral da República, ontem, segunda-feira, 26, contra o presidente Michel Temer pelo cometimento do crime de corrupção passiva era dado como favas contadas, todo mundo já esperava isso. A “ação controlada” da PGR e da Polícia Federal pegou o presidente golpista com a boca na botija juntamente com o seu Poodle Rodrigo Rocha Loures, preso na Penitenciária da Papuda, em Brasília. Esta foi a primeira denúncia assinada por Rodrigo Janot contra Temer e o seu “homem da mala” – aquela com rodinhas e alça móvel, que levava o carregamento inicial de R$ 500 mil em propina da JBS diretamente para o bolso de Temer, que seria o destinatário final. Michel Temer, segundo a denúncia, também teria aceitado uma promessa de outros R$ 38 milhões em propinas pagas pela empresa JBS. É a primeira vez na história brasileira que um presidente da República no pleno exercício do cargo é denunciado formalmente de crime comum.

Michel Temer não esperava que o seu principal convidado para uma festinha íntima nos porões do Palácio do Jaburu (residência oficial do vice-presidente da República) gravaria conversa entre ambos e que o seu conteúdo fizesse parte da tal “ação controlada”. Joesley Batista, o empresário espião, é o mais novo membro da agência FBI – Fofoqueiro Brasileiro Infiltrado. Importante dizer que todo malandro um dia vira babaca. O presidente babaca, através dos seus advogados – que terão os seus honorários quitados com dinheiro de propina –, fará o devido uso do “Jus sperniandi”, quando o inconformismo natural se torna abuso do direito de recorrer. Mas, recorrer a quem? Em primeiro lugar aos 172 deputados federais corruptos, em segundo lugar ao magistrado “comprado” pelo grupo J&F, conforme fala de Joesley Batista ratificada naquela gravação. Trata-se do juiz federal Ricardo Leite, que pode ser pressionado pela organização criminosa instalada na Câmara dos Deputados sob a bandeira do PMDB.

O procurador Ângelo Goulart Villela foi delatado por Joesley Batista pelo fato de vazar informações sigilosas para a JBS, por conta disso, o procurador foi acusado pela Procuradoria Regional da República da 3ª Região (Mato Grosso do Sul e São Paulo) pelos crimes de corrupção passiva, violação de sigilo funcional e obstrução à investigação. Ângelo Goulart Villela recebeu propina para repassar dados do andamento das investigações contra Joesley Batista. O referido procurador foi preso durante a Operação Patmos.

Naquele encontro noturno com o presidente Michel Temer no Palácio do Jaburu, na terça-feira, 07 de março de 2017, o dono da JBS disse claramente ao seu interlocutor que estava “interferindo nas investigações contra o seu grupo empresarial”, portanto, em suas palavras, estava “controlando, segurando, integrantes do Poder Judiciário”, como juízes (titular e substituto) e um procurador da República. Diante dessa afirmativa Michel Temer disse: “Ótimo, ótimo”. O procurador da República “segurado”, e agora preso, é Ângelo Goulart Villela. O juiz federal “segurado”, e ainda solto, é Ricardo Leite, cuja cópia do processo já foi remetida para o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília/DF.

Para que todo criminoso possa andar com segurança e continuar praticando crimes precisa de “cães de guarda” nos quais confie. Joesley Batista revelou parte da matilha protetora. Será que parte dos “cães de guarda” do presidente Michel Temer está no Supremo Tribunal Federal? Vendo Michel Temer desafiar o Ministério Público Federal daquela forma acintosa e abrupta não dá pra pensar noutra coisa. Os corruptos que estão encastelados no Poder Judiciário já estão se revelando por suas atitudes intempestivas e palavras malditas – daqui a pouco eles se tornarão a bola da vez. Quando do julgamento da chapa presidencial Dilma-Temer 2014, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, bem como os ministros Napoleão Nunes Maia Filho, Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto (Rottweilers de gravata) não esconderam a simpatia que nutrem pelos criminosos de colarinho branco. Isso passa a clara impressão de que, juntos com Temer e Dilma, formam uma forte parceria. Venha o que vier estão prontos e dispostos a morder quem contrariar os interesses de organizações que atuam fora das Leis. O famoso quarteto poderia ter abreviado a agonia de Michel Temer se tivesse cassado a chapa presidencial 2014. Por que não o fez?

Repetirei o que escrevi no parágrafo inicial do artigo postado aqui no meu Blog, de título Precipitação pluviométrica: “Para que o crime organizado possa funcionar na sua plenitude precisa ter políticos e juízes em suas mãos. Cada engrenagem da organização criminosa no seu devido lugar, bem ajustada e lubrificada para não emperrar a máquina principal. De maneira comum, temos visto políticos reincidentes nas práticas delitivas, verdadeiros ícones da impunidade. Ordinariamente, temos visto juízes se revezando nos veredictos de casos polêmicos, e semelhantes. Um dia julgam de um jeito, noutro dia diferentemente das convicções anteriores. Chama atenção as críticas firmadas acerca de determinados temas cruciais. Alguém precisa denunciar isso. Ficam, portanto, dispensados os exemplos atuais pela sua clarividência”.

Fica uma pergunta: Quem são os outros magistrados comprados? O Estado Brasileiro precisa saber. Só não sabemos se alguém terá coragem para confessar. Michel Temer eu tenho a certeza que não. Existem outros Rottweilers de gravata fora do canil.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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