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Política

O Rio tem vocação para o suicídio

O Rio tem vocação para o suicídio

Praticamente todos os dias, dentro da semana útil, eu dou carona ao meu filho até o Shopping Praia da Costa, aqui em Vila Velha, município mais antigo do Estado do Espírito Santo. De lá, ele pega o “busão” e segue para Vitória, capital, onde trabalha. O meu filho sofre mais do que sovaco de aleijado, porque tem que atravessar a congestionada 3ª ponte, que une as duas cidades, na posição de sentido, ou seja, de pé, sem se mexer, em razão do congestionamento humano dentro do coletivo.

Pois bem, eu faço os meus dois trajetos (ida e volta) sempre conectado à Rádio CBN ouvindo o âncora Mílton Jung no seu programa matinal Jornal da CBN. Nesta sexta-feira, 23/06/2017, destaco o comentário de Arnaldo Jabor (06h39min). Sobre as mazelas da cidade do Rio de Janeiro, o carioca Jabor disparou: Populismo e desrespeito do prefeito-bispo é inacreditável. […] A cidade do Rio de Janeiro quase foi destruída pela chuva. Marcelo Crivella disse que a cidade passou no teste. Frase é uma piada sinistra e mostra grau de mediocridade dele, que já cortou verba do Meio Ambiente e do Carnaval. […] Prefeitura agora tem um prefeito triste, paralisado e inoperante. […] Ás vezes parece que o Rio tem vocação para o suicídio”.

Blá, blá, blá, continuou o comentário de Jabor que durou exatos 02 minutos e 20 segundos. Ele não deixa de ter razão em muitas das coisas que disse, mas, como bom carioca, Arnaldo Jabor deveria saber que discursos pras pirâmides não chegarão aos ouvidos dos camelos. Nunca. Isso me faz lembrar o que disse um macumbeiro: “Os cultos sincréticos afro-brasileiros são mais honestos se comparados aos discursos dos bispos, sobretudo se estes forem políticos”.

O prefeito-bispo do Rio de Janeiro Marcelo Crivella é sobrinho do bilionário bispo Edir Macedo, que, vendendo fé aos ignorantes fiéis conseguiu enriquecer. Tal tio, tal sobrinho. Crivella sabe que o titio do coração não goza de boa reputação junto ao seu Deus particular, tanto que nos últimos tempos procurou se deslocar daquela figura extravagante. Mas, Edir Macedo não está no escopo deste comentário, portanto, deixemo-lo para outro capítulo. Por outro lado, Crivella sabe que o exercício da política, por si só, exige um esforço sobrenatural por parte do político que se diz perfeito religioso, como ele. Misturar política com religião resulta numa combinação conflitante. De um lado, a religião fecha os olhos para as práticas desonestas do seu bispo, do outro, o político desonesto encontra perdão na religião seguida. Roubar também é uma forma de crença, de modo que, para Crivella, o “Deus particular” emprestado pelo tio Edir Macedo atua nas duas frentes. Deuses e crenças, roubo e perdão, eis a questão. Nota: Para evitar problemas com os Deuses particulares eu troco a citação “ignorantes fiéis” por “pessoas sem instrução e que desconhecem certos assuntos”.

Ninguém, diretamente, está chamando o ‘bispo-prefeito’ Marcelo Crivella de ladrão do dinheiro público. Por enquanto, na gestão da Prefeitura do Rio ele só roubou a boa-fé e a esperança dos fiéis que votaram nele, aliás, foram 1.700.030 votos conquistados no 2º turno das eleições municipais de 2016, equivalentes a 59,36% dos votos válidos. Jabor lembrou que “Marcelo Crivella disse que a cidade passou no teste da chuva”. E da ignorância também… Digo eu. O slogan da sua campanha foi “Por um Rio mais humano”. Acredite se quiser! Para o eleitor idiota e com fervorosa fé, o Rio se tornaria mais humano a partir do momento que Crivella assumisse o altar.

O falso carioca Marcelo Bezerra Crivella (PRB-RJ) é um bispo espertalhão, é um falso político, um falso cantor, um falso compositor, é um engenheiro de obras acabadas pelos outros, é um medíocre escritor religioso. Com esse currículo todo, só lhe restava imensa crença no seu Deus particular, caso contrário não chegaria a lugar algum. Em 2002, falsos 3,2 milhões de eleitores do Rio de Janeiro elegeram Crivella senador da República pela primeira vez, sendo reeleito em 2010, exercendo o cargo até a sua posse como prefeito do Rio. Licenciou-se do cargo de bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, porém, é o principal representante da dita cuja igreja na esfera política, seja municipal, como estadual ou nacional. O então senador Crivella foi aliado do presidente Lula, e o seu partido PRB da base de sustentação do petista maldito. Pra deixar o meu amigo Arnaldo Jabor mais irritado ainda, digo que Crivella, além de ser contra a legalização do aborto, dá fortes sinais de que sofre de “homofobia interiorizada” – síndrome não descoberta pelo famoso cineasta e crítico político.

Arnaldo Jabor gosta de meter o pau, de forma virtual, não literal – até porque a sua adiantada idade é fator inibidor. De todo modo eu tenho por ele relativa admiração, porque só ele sabe espinafrar os políticos como ninguém. Um conselho lhe cabe: Não adianta se revoltar ou dar chiliques por situações que não têm mais conserto, por fatos consumados. Quer exemplos? Os pobres gostam de cultuar a riqueza dos outros mesmo permanecendo na desgraça, por isso Edir Macedo tem mais importância do que o Deus verdadeiro. Outro exemplo inquestionável: O povo não sabe votar, e Crivella se beneficiou disso. Estamos transgredindo as leis naturais da hipocrisia.

Na verdade não foram só os cariocas que votaram no Crivella, foi boa parte da população do Rio, foi grande parte dos fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus, para onde irão os que acreditam. Em especial a irreverência do “carioca da gema”, com seu espírito alegre, acolhedor e prestativo, ser humano descontraído, honesto nos gestos e ações, comportamentos que o fazem merecedor da fama de “sacana” por natureza explícita. O ateu do Arnaldo Jabor diria: “Os pastores e bispos são merecedores da fama de sacanas por natureza implícita”.

Em nome dessa manifesta irreverência toda, os cariocas da gema e os cariocas por opção de naturalidade, elegeram o “Cacique Juruna” (Mário Juruna) deputado federal em 1982 pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT-RJ), com 31.000 votos. A eleição do índio Juruna (mandato de 1983 a 1987) repercutiu em todo o mundo. Juruna era irreverente, costumava chamar dinheiro de “lixo” e evitava conversar com autoridades sem o seu gravador inseparável, justamente para não correr o risco de ser chamado de mentiroso e para registrar tudo o que o homem branco dizia. “Eu disse aos xavantes: Muito cuidado com o branco, com a FUNAI. Não se vendam e não se entreguem. O salário não é importante, a vida é muito importante. Briga interna é o que o homem branco e a FUNAI querem” – disse Juruna. Os eleitores do meu Rio de Janeiro jogaram Juruna num formigueiro de jiquitaias. Espírito brincalhão.

“Eu nasci para morrer, eu nasci para brigar. Não nasci para ser expulso. Por que estou dentro do Brasil que é do índio… Eu nasci para isso” – Juruna, durante um discurso, numa sessão da Câmara dos Deputados, em 1984. O Cacique xavante Mário Juruna faleceu aos 58 anos, em 18 de julho de 2002, no Hospital Santa Lúcia, em Brasília, pobre e totalmente esquecido, vítima de diabetes crônica. O seu corpo foi enterrado em sua aldeia Namunkurá, no município de Barra do Garça, em Mato Grosso. Juruna deixou 11 filhos, e, segundo sua filha Samantha, “deixou também uma aldeia de netos”. “Fui infeliz e vou morrer infeliz” – disse Juruna. Talvez por ter conhecido a política por dentro, como verdadeiramente é.

“Ás vezes parece que o Rio tem vocação para o suicídio”. Ou vocação para o homicídio. Às vezes parece que o Rio tem vocação para “matar politicamente” gente como o índio Juruna, que viveu e morreu infeliz, segundo ele. O mesmo povo que o elegeu o ridicularizou. O mesmo povo que elegeu esta malta de desgraçados, que aí estão, não faz absolutamente nada para tirá-los do poder – vota em bandido porque gostaria de estar no lugar dele. Há exceções, mas contamos nos dedos.

Todo o governante é desgraçado. É assim que pensamos. Não obstante, parece que gostamos de viver e conviver com as desgraças. Ai de nós jornalistas não fossem as mediocridades dos políticos, os desmandos dos homens públicos, não fossem esses populistas desgraçados que só olham para os seus próprios umbigos protuberantes – de fato não teríamos matérias para atrair audiência. Jabor, cuidado ao elogiar o ex-prefeito Eduardo Paes. Você, Arnaldo Jabor, já fez isso no passado quando massageou o ego de Lula, o desgraçado petista, e hoje você deve estar extremamente arrependido por isso.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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