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Polícia e Segurança Pública

O bicho está solto! – 8ª parte

O bicho está solto! – 8ª parte

As tropas federais (Exército, Marinha e Aeronáutica) permanecerão no Espírito Santo por mais uma semana, não por vinte dias, conforme solicitou o governo do Estado através da Secretaria de Segurança Pública. Esta notícia foi confirmada na edição da Hora do Brasil desta quinta-feira (16). No próximo dia 23, quinta-feira, os militares (3.454) das Forças Armadas estarão embarcando para o Rio de Janeiro com a missão de reforçar a segurança carioca por época do Carnaval. Segundo o Ministério da Defesa, a situação está voltando ao clima de normalidade nas terras capixabas. Nosso agradecimento ao general de brigada Adilson Katibe, comandante da Força-Tarefa Conjunta em ação aqui no Estado do Espírito Santo, ainda que não saibamos nós de detalhes das suas incursões. Com relação à Força Nacional de Segurança (composta por 300 membros da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e peritos de outros Estados do país), esta ficará no Espírito Santo até terça-feira, 07 de março de 2017, de acordo decreto assinado pelo presidente Michel Temer, autorizando o prazo.

Fevereiro foi um mês negro para os capixabas e espírito-santenses – ficará definitivamente marcado na história, maculado pela incompetência do poder público, sobretudo, no que se refere à segurança da população. Fevereiro é um mês para ser esquecido, mas não será pelo simbolismo que representa. Tivemos longos dias de completo terror, no profundo caos toda a sociedade refém da criminalidade, atuante sem admoestação. Até quando? Famílias inteiras chorando os seus mortos, independente de qual lado as vítimas estejam, se do bem ou do mal. A volta à normalidade, à vida cotidiana, ainda é dúvida para a maioria dos cidadãos. Sair de casa pela manhã, pegar o ônibus, ir ao trabalho e voltar à noite para o convívio da família são ações certamente carregadas de medo. Os ponteiros do relógio parecem tropeçar na contagem do tempo. A vida perde o sentido pela banalidade do crime.

A meu sentir, as estatísticas oficiais não são confiáveis, de modo que o balanço geral dos números da desgraça fica comprometido pelas informações desencontradas – a cada hora as fontes dizem coisas diferentes. Ao final, teremos uma noção da extensão dos problemas e dos danos e da real gravidade dos fatos. A Secretaria de “Insegurança” Pública do Estado só fez, com muita propriedade, transferir para os militares federais a responsabilidade pelo resgate da normalidade nos municípios afetados pela crise de falta de segurança. E depois quando esses homens forem embora? Mais uma pergunta que não encontrará resposta objetiva. Verdade é que novos caminhos precisam ser abertos para que diálogos francos aconteçam na busca de soluções viáveis, urgentes e definitivas para o fim do triste quadro de violência que atemoriza a todos nós.

Segundo o Sindpol-ES (Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo), 154 é o número de homicídios registrados no Estado desde o início da paralisação dos PMs até a última quarta-feira (15). Contudo, a SESP (Secretaria de Estado de Segurança Pública) fala em 11 mortes a menos no período. O número de 147 vítimas fatais correu na imprensa por vários dias. Durante a crise na segurança pública falou-se muita coisa, comprovou-se pouco e dúvidas acumularam-se. Aproveitando o momento propício, as gangues ligadas ao tráfico de drogas, na tentativa de expandirem as suas áreas de atuação e domínio, mataram seus rivais em quantidade não revelada – muitos corpos devem estar enterrados nos areais ou jogados em matagais, e, como ainda não foram encontrados, a carnificina pode ser bem maior do que imaginamos. Eu aposto em três centenas de mortes violentas, da sexta-feira, 03 de fevereiro, até agora.

Assaltos, roubos, furtos, ataques, arrombamentos, saques, tiros, pânico, terror, crimes contra o patrimônio, ônibus incendiados, ameaças, bancos fechados e caixas eletrônicos sem dinheiro, completam o cenário de trevas e destruição em massa. Escolas fechadas, hospitais e postos de saúde sem atendimento, serviços públicos comprometidos (inclusive a própria Justiça), prejuízos materiais acumulados pelo comércio da ordem de R$ 500 milhões, supermercados desabastecidos, ruas desertas, são situações de desespero, falta de controle por parte do Estado, caos total. O direito de ir e vir cedeu lugar à prisão domiciliar. O Inferno bateu à nossa porta. Se não bastasse tudo isso, parte da população considerada “não criminosa”, segundo estatuto da bandidagem, aproveitou-se da situação para saquear lojas em atos de vandalismo inaceitáveis. Vídeos que circulam na Internet e reportagens da imprensa comprovam os fatos. Este é o retrato de um Brasil sem Leis, da sua gente que cobra ética do governo e age como animais rastejantes, famintos, que cometem o que chamamos de “crimes coletivos”, aqueles impessoais, que geralmente não apontam culpados individualmente, porque cada qual se esconde na sombra do outro. A mesma gente que não socorre o motorista de um caminhão acidentado na estrada, porque a sua prioridade é roubar a carga. O bicho está na espreita!

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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