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Polícia e Segurança Pública

O bicho está solto! – 6ª parte

O bicho está solto! – 6ª parte

É evidente que a paralisação dos policiais militares do Espírito Santo teve um mentor, ou mais do que um, talvez, de modo que foi um ato intencional, urdido dentro dos quartéis, cheio de provocações, com objetivos bem planejados, claros e definidas as execuções. Destaco seis objetivos: 1º. Político, com a desestabilização do governo estadual e autoridades da segurança pública; 2º. Chamar atenção para os problemas da classe; 3º. Criar pânico na população como forma de pressão; 4º. Colocar o Estado de joelhos; 5º. Demonstrar que o crime organizado está vivo e que pode agir livremente a qualquer tempo; 6º. Confiar na impunidade da corporação considerando que a PM é uma força armada, portanto, isenta de represálias e a única capaz de conter distúrbios.

Algumas pessoas, com as quais eu converso, apregoam que o desemprego no Brasil (pouco mais de 13 milhões de pessoas hoje) é a principal causa da violência urbana e da criminalidade indiscriminada. Não é verdade. Os bandidos que atuaram nos últimos dias no Espírito Santo existem há tempos, só estavam aguardando o momento certo para agirem em grupo, em ações coordenadas à luz do dia – antes eles cometiam crimes no varejo, solitariamente ou em dupla. Fato é que os bandidos têm vários matizes, e os seus maiores empregadores são os grupos criminosos, capazes de cometer toda sorte de barbaridades. Culpar o desemprego pelo caos é, no mínimo, desconhecimento da realidade. O desemprego leva o indivíduo à desesperança, não ao crime.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional do Espírito Santo, solicitou hoje, terça-feira, 14 de fevereiro de 2017, com o apoio do Ministério Público, a realização de investigações para traçar o perfil das 147 vítimas de assassinato nesses 11 últimos dias (+ 40 cadáveres encontrados em diversos locais do Estado). Informações como sexo, idade, cor, antecedentes criminais, etc, serão levantadas pela Polícia Civil (Técnica), que terá pela frente grandes dificuldades – essa tarefa não será fácil, sobretudo no que diz respeito às motivações dos crimes. É necessário que se apure tudo, inclusive os autores.

Muitos questionamentos ficam no ar e não é surpresa pra ninguém alguns fatos revelados: 1º. A enorme quantidade de bandidos que saíram das sombras para cometerem crimes de toda ordem, de modo que as pessoas ficam se perguntando: De onde saiu tanto bandido? Por que não estavam presos? 2º. A enorme quantidade de armas em poder dos bandos, usadas para matar e intimidar as suas vítimas. 3º fato, como identificar, prender e responsabilizar os criminosos se eles voltam pras sombras e se revezam entre si? A desordem é total, a solução distante.

Precisamos de intervenção. A população nunca perdeu a sua condição de refém, seja do crime organizado, seja do Estado omisso, corrupto e incompetente. Por outro lado, os policiais que descumprem ordens dos seus superiores e faltam com o seu dever constitucional podem ser qualificados como co-autores dos assassinatos, muito embora saibamos que há indícios da participação de policiais em diversos homicídios. Volto a perguntar: A quem interessa a política do caos, do quanto pior melhor? No final da tarde de hoje (14), no momento em que escrevia este artigo, outro ônibus do Sistema Transcol era incendiado no bairro Vila Garrido, em Vila Velha. Os criminosos (que nunca são pegos) mandaram os passageiros descerem e atearam fogo no coletivo. O crime aconteceu próximo à Escola Adolfina Zamprogno. Esse é o quarto ônibus incendiado nesses dois últimos dias na Grande Vitória. A investigação ficará a cargo da Polícia Civil, que já dá sinais de impotência. O bicho ainda está pegando!

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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