>
Você está lendo...
Política

Brasil inconsertável – 13ª parte

Brasil inconsertável – 13ª parte

Amigos leitores, certa vez, depois de uma boa dose de vinho do Porto, um amigo português me disse o seguinte, com todas as letras, pingos e is: “Ó pá! Nós portugueses descobrimos o Brasil e ficamos felizes com isso – à época. Agora estamos putos pelo que está acontecendo com vosso país. Não podemos devolver essas terras aos índios, na tentativa de corrigirmos o erro do passado, porque os poucos silvícolas que restam até eles estão corrompidos por vocês, e certamente pedirão 3% na transação, portanto, deixemos o Brasil como está, resolvam o vosso problema”.

A corrupção é uma doença extremamente grave, só que não mata quem é por ela acometido, infectado. E tem mais, corrupto é um ser mutante, tem dedos lisos, sem impressões digitais. Eu acho que o português estava certo; temos que nos virar sozinhos para resolver os problemas que são exclusivos nossos. O voto seria o principal remédio para extirparmos os políticos corruptos, essas ervas ruins, todavia, não há tempo para prescrevê-lo, de modo que a urgência pede o emprego de outras armas semiletais, ainda que causem graves efeitos colaterais.

O presidente Michel Temer (PMDB-SP) está desesperado, sem esperança; tenta se agarrar ao poder mostrando à população que é capaz de resolver os problemas econômicos, as questões do desemprego e da falta do crescimento. Muita presunção, considerando que ele próprio, Michel Temer, não consegue enxergar o horizonte com nitidez e a enrascada que está metido.

Hoje mesmo, quarta-feira, 14 de dezembro de 2016, Michel Temer viu o seu governo levar um segundo tiro no coração. O seu amigo de 50 anos, José Yunes, que ocupava a cadeira de Assessor Especial da Presidência da República, entregou o cargo depois de ter sido citado na delação premiada do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, cujo depoimento agravou a crise política ao conectar o nome de Michel Temer ao esquema de propina da empreiteira. Dos R$ 10 milhões que foram repassados ao PMDB para a campanha de 2014, a pedido de Michel Temer quando ele era vice de Dilma Rousseff, parte, em espécie, teria sido entregue dentro de uma mala no escritório de José Yunes em São Paulo. A Odebrecht confirmou a “mala do dinheiro” com R$ 4 milhões dentro e Cláudio Melo Filho apresentou prova do pagamento da propina ao presidente Temer. Em sua amorosa carta, José Yunes disse deixar o cargo para preservar o governo. Pode isso? O primeiro tiro no coração do governo foi disparado pelo caso Geddel Vieira Lima. Mais pólvora jogada dentro do processo (impetrado pelo PSDB) que corre no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que no primeiro trimestre de 2017 deverá se manifestar sobre a cassação da chapa Dilma/Temer.

Nesse meio tempo, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados o governo e a oposição batiam boca (na data de hoje) quando discutiam a admissibilidade da proposta de Reforma da Previdência. Além do normal duelo travado entre os parlamentares, manifestantes tentaram em vão entrar no plenário da Câmara. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) defendeu a realização de audiências públicas para melhor discutir a matéria. Esse assunto vai longe e talvez Michel Temer não tenha tempo de ver o resultado final.

Enquanto isso, o cachorro da casa está tentando, em círculos, pegar o próprio rabo e, na rua, o poste querendo urinar na cadela. Uma tremenda inversão de valores, uma quebra das Leis naturais – é o estado de coisas subvertido. O que se passa cavalheiro? Talvez o mundo caindo sobre as nossas cabeças desprotegidas, e os portugueses recusando-se a nos ajudar.

Augusto Avlis

Navegue no Blog  opiniaosemfronteiras.com.br e você encontrará 754 artigos publicados em 14 Categorias. Boa leitura.

 

Anúncios

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se a 145 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: